Tenda (TEND3) quer “crescer o máximo possível” em 2026 com impulso do Minha Casa, Minha Vida, diz CFO
A construtora Tenda (TEND3), uma das maiores do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), quer aproveitar o momento positivo do programa habitacional para “crescer o máximo possível’ neste ano, afirmou o diretor financeiro (CFO) e de Relações com Investidores da companhia, Luiz Mauricio de Garcia.
Nos primeiros dois meses de 2026, a empresa já registrou recorde de vendas brutas, que totalizaram R$ 1 bilhão, um avanço de 27% em relação ao mesmo período do ano passado – fruto das condições favoráveis de contratação dentro do MCMV.
“O cenário para o setor no Minha Casa, Minha Vida está muito bom. Vamos tentar, mais uma vez, lançar mais que o previsto. A meta é seguir crescendo o máximo possível“, disse Garcia, em entrevista ao Broadcast.
O grupo lançou 52 empreendimentos em 2025, avaliados em R$ 5,3 bilhões. O preço médio por unidade foi de R$ 229,2 mil, alta de 6% na comparação anual.
Já as vendas líquidas, por sua vez, atingiram R$ 4,7 bilhões no ano passado, avanço de 4,8% frente a 2024.
Por volta das 12h (horário de Brasília), os papéis TEND3 subiam 6,5% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 29,17, após abrirem o pregão em alta de quase 11%.
Impulso do MCMV
O foco de crescimento do grupo será a divisão Tenda (baseada em empreendimentos em concreto). A marca tem diversificado sua atuação entre as faixas 1, 2 e 3 do MCMV.
No passado, era focada nas faixas 1 e 2, para o público de menor renda. Já nos últimos meses, vêm lançando projetos com varanda, piscina e metragem maior, pensando também no público da faixa 3.
“A ideia é termos flexibilidade para atuar nas faixas mais favoráveis, onde tem mais demanda”, explicou Luiz Mauricio de Garcia..
Ao longo deste ano, a faixa 1 e 2 devem responder por cerca de 40% dos lançamentos, cada, enquanto a faixa 3 por aproximadamente 20%.
A Tenda não pretende atuar de modo significativo na faixa 4, que abrange imóveis de valor mais alto, para consumidores de maior renda.
Segundo Garcia, isso exigiria mudar o método de construção e o modelo dos apartamentos, que são padronizados. “Não queremos abrir mão da nossa metodologia”.
Com a perspectiva de novos ajustes nas faixas de renda e teto de preços sinalizada pelo governo, a Tenda espera um aumento relevante no poder aquisitivo dos consumidores. De acordo com Garcia, subir preço não é prioridade.
Já para a divisão Alea (baseada em estruturas pré-moldadas de madeira), a prioridade será estabilizar as operações e voltar a gerar caixa.
A Alea cresceu demais e teve estouros de orçamentos no ano passado, o que levou a uma reorganização do negócio, com redução relevante de novos projetos.
No pico, ela chegou a ter 33 canteiros abertos na metade de 2025. Esse número hoje está em 23 e deve ir para 16 até o fim do ano.
Garcia não descarta notícias de novos estouros de custos em Alea, mas pondera que esse risco é baixo. Além disso, já há provisões para esse tipo de eventualidades.