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Argentina vira o jogo: exportações avançam e risco-país melhora com superávit energético

26 jun 2026, 10:37 - atualizado em 26 jun 2026, 10:37
argentina milei
(Imagem: Getty Images/Canva Pro)

A Argentina começa a apresentar sinais mais consistentes de entrada em um ciclo virtuoso, sustentada pela melhora de pilares macroeconômicos essenciais.

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As exportações avançaram mais de 20% em dólar entre janeiro e abril, impulsionadas não apenas por preços mais favoráveis, mas também por volumes maiores, com destaque para commodities agrícolas e minerais, manufaturados e energia.

O setor energético é um dos exemplos mais relevantes dessa virada. Depois de registrar déficit comercial há dois anos, passou a acumular superávit próximo de US$ 9 bilhões nos últimos doze meses, com expectativa de aumento da produção de petróleo e início das exportações de gás natural liquefeito a partir do fim de 2027.

A melhora do setor externo também contribui para dar sustentação ao câmbio, reduz a necessidade de ajustes bruscos no peso e amplia a capacidade do Banco Central de recompor reservas, que já superaram a meta anual de acumulação em 2026.

Esse avanço começa a se refletir na percepção de risco do país. A S&P elevou a nota soberana da Argentina de CCC+ para B-, movimento já antecipado pela Fitch, enquanto os spreads dos títulos externos recuaram de forma expressiva.

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A MSCI, por outro lado, manteve o país como "Mercado Standalone", adiando uma eventual reclassificação para mercado emergente, e a Moody's ainda conserva a nota argentina em Caa1, embora novas revisões possam ocorrer com o tempo.

A inflação também segue em trajetória de melhora. Após atingir pico em fevereiro, o índice de preços ao consumidor avançou 2,1% em abril, com núcleo de 1,9%, enquanto as projeções apontam desaceleração gradual em 2026 e 2027.

A atividade, por sua vez, ainda é o ponto mais frágil do cenário, com crescimento modesto de 1,7% no primeiro trimestre de 2026. Ainda assim, juros mais baixos, maior dinamismo exportador, investimentos em infraestrutura e recuperação da confiança do consumidor podem sustentar uma retomada mais forte nos próximos trimestres.

Nesse contexto, a tese de investimento na Argentina permanece apoiada na combinação de desinflação, melhora externa, recomposição de reservas, queda do risco-país e retomada gradual da atividade.

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Para capturar essa recuperação, há dois veículos principais: o ARGT39 e o ARGE11. O ARGT39 oferece uma exposição regional válida, mas possui concentração relevante em MercadoLibre, cuja geração de receita depende mais da América Latina como um todo — especialmente do Brasil — do que da economia argentina em si.

Já o ARGE11 tende a oferecer uma exposição mais direta ao ciclo doméstico argentino, por replicar um índice composto por ADRs de empresas ligadas a bancos, energia, utilities e materiais, como Grupo Financiero Galicia, YPF, Pampa Energia, Ternium e Banco Macro.

São setores que tendem a responder de forma mais imediata à queda da inflação, à melhora do crédito, à redução do risco-país e ao avanço da agenda econômica local.

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Economista e especialista em investimentos da Empiricus
Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia pela PUC. Pós-graduado no Programa Avançado em Finanças do Insper, trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimentos da América Latina, além de ter feito parte de uma boutique voltada para fusões e aquisições, na área de modelagem financeira e pesquisa. Hoje faz parte no time de analistas da Empiricus. É analista CNPI e especialista em investimentos CEA.
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Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia pela PUC. Pós-graduado no Programa Avançado em Finanças do Insper, trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimentos da América Latina, além de ter feito parte de uma boutique voltada para fusões e aquisições, na área de modelagem financeira e pesquisa. Hoje faz parte no time de analistas da Empiricus. É analista CNPI e especialista em investimentos CEA.
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