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As ações com maiores retornos de dividendos para 2026; quais valem a pena?

12 jan 2026, 7:00 - atualizado em 09 jan 2026, 17:12
dividendos
(Imagem: QwazzMe Photo/Getty Images Signature)

Após um ano atípico em 2025, com corrida de pagamento de dividendos após a tributação aprovada pelo governo para aumentar a isenção de Imposto de Renda, 2026 se desenha um ano promissor para algumas companhias.

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A expectativa é que setores como bancos, seguradoras, energia elétrica e saúde continuem entre os principais pagadores, enquanto segmentos com capex elevado tendem a ser mais seletivos.

Embora os dividendos continuem isentos até R$ 50 mil por mês, por empresa, valores acima desse limite passam a pagar 10% de IR. No curto prazo, isso turbinou os anúncios de dividendos em 2025.

No médio prazo, porém, reduz a rentabilidade líquida de grandes investidores e pode levar a ajustes nas políticas de distribuição.

Ângelo Belitardo gestor da Hike Capital, alerta: a principal lição de 2025 é clara, o dividend yield deste ano está inflado por fatores extraordinários.

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“Para frente, olhar apenas o percentual pode ser armadilha. Sustentabilidade do payout, geração de caixa, alavancagem e política de capital tendem a ser mais importantes do que nunca para separar as boas pagadoras das decepções no novo ciclo”.

Veja os 12 maiores retornos de dividendos para 2025, segundo a Elos Ayta, e o número de recomendações de compra, venda e neutralidade, de acrodo com o TradeMap.

Empresa Ticker Dividend Yield realizado (%) Dividend Yield 2026 (%) Indicação de compra Indicação neutra Indicação venda
Vulcabras VULC3 35,12 27,2 4 1 0
Unipar UNIP6 26,11 21,54 1 1 0
Direcional DIRR3 29,77 18,7 7 1 0
Bradespar BRAP4 19,76 16,47 1 1 0
Log LOGG3 22,01 16,38 3 3 0
Itausa ITSA4 19,91 14,75 4 0 0
Cury CURY3 25,99 14,08 7 1 0
Lavvi LAVV3 27,57 12,92 4 1 0
Cyrela CYRE3 22,41 12,83 7 1 0
Itau ITUB3 18,75 12,24 7 1 0
Tim TIMS3 17,35 11,77 4 3 0
BB Seguridade BBSE3 11,76 11,77 3 4 1

Segundo o autor do levantamento Einar Riveiro, em sua coluna para o site E-Investidor, o dividend yield efetivo de 2025 foi de 35,12%, o maior dos últimos cinco anos, enquanto a mediana histórica é de 7,49%.

“A discrepância sugere que parte relevante desse resultado decorre de dividendos extraordinários, o que reduz a probabilidade de repetição em magnitude semelhante”.

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Abaixo destaque para algumas teses

Vulcabras

A Vulcabras (VULC3) ganhou protagonismo nos últimos anos justamente pela política de dividendos, pagos de forma mensal. Em 2025, as ações avançaram 35%.

Em comentário divulgado após os resultados de outubro, o BTG destacou ventos favoráveis à companhia, impulsionados pelos acordos com Under Armour e Mizuno. Atualmente, 100% dos modelos da Mizuno são desenvolvidos nas fábricas da empresa, o que maximiza sinergias com outras marcas e impulsiona as vendas.

“Vemos as ações negociadas a 9,5 vezes P/L para 2026 e com um dos maiores dividend yields da nossa cobertura, sustentando a recomendação de compra”.

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Direcional

A Direcional (DIRR3) também ganhou notoriedade pelos elevados dividendos. Em 2025, os papéis subiram mais de 60%, embora tenham perdido fôlego no fim do ano, com queda de cerca de 20% em poucos dias.

Em carteira recomendada de janeiro, o BTG afirma que, do ponto de vista macroeconômico, segue otimista com o segmento de habitação popular, diante do forte momento do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que permite crescimento acelerado com retornos elevados.

“Do ponto de vista micro, a Direcional está bem posicionada para se beneficiar desse cenário, aproveitando sua equipe de engenharia qualificada e o controle rigoroso das operações, principalmente com a expansão no MCMV Faixa 4, via Riva”.

O banco também acredita que a companhia pode surpreender positivamente em crescimento, já que as estimativas consensuais para 2026 parecem conservadoras. As ações negociam a 6,5 vezes P/L para 2026.

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Log CP

A Log CP (LOGG3) entrou no radar após o JPMorgan elevar a recomendação de underweight (venda) para neutra, citando o ciclo de flexibilização monetária e resultados do 3T25 acima do esperado.

O banco também revisou o preço-alvo de R$ 24 para R$ 28 até dezembro de 2026, potencial de valorização de aproximadamente 18%. Segundo os analistas, a empresa deve se beneficiar da queda dos juros, prevista para o fim de 2025 ou início de 2026.

Apesar disso, o relatório aponta potencial de valorização limitado, inferior ao observado no setor de shoppings, onde projeções variam entre 25% e 35% para companhias como Multiplan (MULT3), Iguatemi (IGTI3) e Allos (ALOS3).

O JPMorgan também chama atenção para o valuation elevado, com P/FFO estimado em 32,5 vezes para 2026, bem acima da média do setor, entre 8 e 10 vezes, além da dependência de desinvestimentos constantes, o que adiciona volatilidade aos resultados.

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Itaúsa

Figura recorrente entre as maiores pagadoras de dividendos da bolsa, a Itaúsa (ITSA4) segue bem avaliada pelo Safra, que vê a holding como uma forma eficiente de capturar o bom momento do Itaú Unibanco (ITUB4).

O banco elevou o preço-alvo da ação para R$ 15 e estima que o desconto de holding chegue a 25%. Segundo os analistas, esse desconto aumentou entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025 e pode ser reduzido com os dividendos extraordinários do Itaú, anunciados no ano passado.

Para o Safra, os principais gatilhos para redução do desconto são, nesta ordem:

  1. Surpresa positiva nos dividendos do Itaú;
  2. Queda das taxas de juros;
  3. Eliminação da ineficiência de PIS/Cofins com a reforma tributária.

Cury

A Cury (CURY3) também entrou na lista de empresas que anunciaram dividendos extraordinários, com pagamento de R$ 573 milhões. Para viabilizar a distribuição, a construtora realizou uma emissão primária de cerca de 16,2 milhões de ações.

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Segundo o JPMorgan, embora a estratégia reduza a carga tributária sobre dividendos, o movimento gera dois efeitos colaterais: diluição aproximada de 6% para os acionistas atuais e maior incerteza até a conclusão do processo. O banco estima que o dividend yield extraordinário fique próximo de 5%.

Itaú Unibanco

O Itaú segue praticamente como unanimidade entre analistas. O banco foi o mais citado nas carteiras recomendadas de janeiro, aparecendo 12 vezes em listas de 17 instituições, segundo levantamento do Money Times.

Na avaliação da Rico, o Itaú se destaca pelo modelo de negócios robusto e pela posição consolidada no sistema financeiro, o que o torna mais resiliente em diferentes cenários econômicos.

Do ponto de vista técnico, o papel segue em tendência de alta, sem sinais de reversão. Já segundo a Empiricus Research, o ITUB4 negocia a cerca de 1,95 vez o valor patrimonial, um prêmio em relação aos pares, justificado pela rentabilidade superior e execução consistente.

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BB Seguridade

A BB Seguridade (BBSE3) passou praticamente de lado em 2025, enquanto o Ibovespa renovou recordes e outras seguradoras entregaram desempenho superior.

A piora dos prêmios, sobretudo no agronegócio, pressionou os resultados. Para quem espera uma virada em 2026, o Safra trouxe um alerta. O banco cortou o preço-alvo da ação de R$ 47 para R$ 39, potencial de alta de 10%, e rebaixou a recomendação de compra para venda.

Nos cálculos de Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre, o lucro por ação da companhia deve crescer 0% entre 2025 e 2028. Além disso, o Safra vê um dividend yield menos atrativo, com rendimento estável entre 11% e 12% ao ano.

“O potencial de valorização em relação a empresas de maior qualidade dentro da nossa cobertura — especialmente a Itaúsa— não se justifica do ponto de vista do retorno total”, afirmam os analistas.0

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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