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Ata do Copom divide mercado entre tom mais duro e espaço para cortes de juros; veja o que dizem os economistas

05 maio 2026, 10:18 - atualizado em 05 maio 2026, 10:18
Selic Copom juros
(Créditos: Rmcarvalho/iStock)

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (5), reforçou a percepção de um Banco Central mais cauteloso diante do cenário inflacionário, mas sem fechar as portas para a continuidade do ciclo de cortes de juros.

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A leitura entre analistas, no entanto, está longe de ser unânime. Enquanto parte do mercado vê um tom mais duro no documento, outros avaliam que a autoridade monetária segue confortável com a trajetória de flexibilização, mesmo sob maior incerteza.

De forma geral, o consenso é de que o Copom permanece dependente de dados e atento à evolução do cenário global, especialmente diante das tensões no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços de commodities.

Horizonte de convergência entra no radar

Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, a ata trouxe um ponto de atenção relevante em relação as expectativas de inflação para horizontes mais longos, especialmente 2028. Segundo ele, esse fator pode abrir espaço para uma discussão sobre a extensão do horizonte de convergência da inflação à meta.

“Eventos recentes não impediriam a continuidade desse ciclo”, destacou o economista, citando trecho da ata. Na avaliação da XP, a possibilidade de alongar esse horizonte ajudaria a explicar a decisão de seguir cortando juros mesmo com a inflação projetada acima da meta no horizonte relevante.

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Ainda assim, Megale pondera que o cenário para cortes mais intensos de juros tem perdido força, diante da deterioração recente das expectativas inflacionárias.

Tom mais ‘hawkish’, apesar dos cortes

Já na leitura de Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, a ata apresentou um tom mais duro, em linha com o comunicado da decisão.

Para ele, o documento evidencia maior preocupação com a inflação corrente, os efeitos de segunda ordem e, principalmente, a desancoragem das expectativas, com destaque também para o horizonte de 2028.

“Ainda que o balanço de riscos siga classificado como simétrico, há um viés mais assimétrico na prática, com maior peso para riscos de alta”, afirma.

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Apesar disso, Lima ressalta que não há indicação de interrupção iminente do ciclo de cortes, mantendo espaço para ajustes graduais no ritmo da flexibilização.

Leitura mais dovish, mas com riscos no radar

Na outra ponta, Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, avalia que a ata teve um tom “net dovish” em relação ao comunicado.

Segundo ele, o documento reforça a confiança do Banco Central na desaceleração da atividade econômica, o que sustenta a continuidade do ciclo de cortes, mesmo em um ambiente de inflação pressionada.

Por outro lado, o economista reconhece que o balanço de riscos segue inclinado para o lado altista, com destaque para a piora das expectativas de inflação e o avanço das projeções de longo prazo.

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Pestana também destaca que o Copom permanece dependente dos dados e não descarta uma eventual interrupção do ciclo, caso o cenário inflacionário piore.

“A manutenção dos juros já tem probabilidade positiva, especialmente se houver deterioração adicional dos dados correntes”, afirma.

Ainda assim, a Genial mantém como cenário base cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões, com a Selic encerrando 2026 em 13,25% ao ano.

Cortes continuam, mas com mais cautela

Apesar das diferenças de interpretação, as análises convergem ao avaliarem que o Banco Central segue comprometido com o processo de desinflação, mas que está diante de um ambiente cada vez mais desafiador.

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Com inflação pressionada, expectativas em deterioração e riscos geopolíticos no radar, o ciclo de cortes de juros deve continuar para a próxima reunião, mas cada vez mais dependente da evolução dos dados, com ritmo podendo ser alterado a qualquer momento.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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