Azul (AZUL54) volta a desabar e cai 66% após emissão de ações e diluição de acionistas; entenda
As ações da Azul (AZUL54) começaram o ano de 2026 no vermelho, com uma derrocada que se aproxima de 100% no ano que acabou de iniciar. No pano de fundo, está o processo de reestruturação que a aérea está passando em meio à recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11)
Após cair mais de 50% na véspera, as ações AZUL54 abriram o pregão desta quinta-feira (8) em forte queda, com recuo 65% por volta de 11h (horário de Brasília).
Às 14h10, as ações AZUL54, que corresponde a um lote de 10 mil ações, desabavam 66,32%, cotada a R$ 85,89. Acompanhe o tempo real.
Questionada pelo Money Times sobre a possibilidade de um grupamento de ações ou outras medidas que visem mitigar a oscilação das ações e tirá-las do patamar dos centavos, a companhia não retornou até o momento de publicação desta matéria. O espaço permanece aberto.
O que aconteceu com a Azul?
A mudanças nas ações se deve a um importante passo para a reestruturação da Azul: um aumento de capital no valor total de R$ 7,44 bilhões, por meio da emissão de 723,86 bilhões de novas ações ordinárias a R$ 0,00013527 cada e 723,86 bilhões de ações preferenciais a R$ 0,01014509 cada. Após a operação, o capital social da companhia passa a ser de R$ 14,57 bilhões, dividido em 1,45 trilhão de ações.
Esse movimento, previsto no plano de recuperação da companhia aprovado pela Justiça dos EUA, que viabilizou a conversão de dívidas em participação acionária.
Na prática, ao transformar credores em acionistas, a Azul reduz seu endividamento em dólar e melhora sua estrutura de capital, condições essenciais para a sustentabilidade da operação após a saída do processo de proteção contra falência nos EUA.
Apesar estar no caminho para melhorar sua estrutura, em contrapartida, os acionistas minoritários da companhia enfrentam uma massiva diluição estimada em 90%. Quando mais ações são emitidas, menor se torna a participação de quem já detinha os papéis.
A situação se assemelha com a realizada pela Gol também neste ano, quando implementou um plano de capitalização que envolveu a emissão de trilhões de ações com valores simbólicos.
A Azul entrou em recuperação judicial nos UA em maio de 2025, fechando a tríade que domina o setor aéreo a passar pelo processo.
À época do anúncio, o CEO, John Rodgerson, afirmou que a empresa optou por iniciar uma reestruturação financeira voluntária tendo em vista a sobrecarga da pandemia na estrutura de capital, o que se somou à deterioração macroeconômica, trazendo problemas para a cadeia de suprimentos da aviação.
Movimentações no radar
O conselho de administração da Azul convocou uma assembleia geral extraordinária e uma assembleia especial para o dia 12 de janeiro de 2026 para deliberar sobre o fim de suas ações preferenciais e transformar todo o capital da companhia em ações ordinárias, movimento que também faz parte do plano de recuperação judicial.
A proposta da companhia prevê que cada ação preferencial (AZUL4) seja convertida em 75 ações ordinárias (AZUL3). Segundo o comunicado ao mercado, a proporção foi estabelecida pela administração com base na relação econômica existente entre as ações preferenciais e as ações ordinárias.