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B16? Diesel caro, ociosidade e safra recorde abrem espaço — mas testes travam avanço do biodiesel

20 mar 2026, 15:49 - atualizado em 20 mar 2026, 15:49
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Em 2025, as importações de diesel somaram 17,3 mi de m³. Pela Lei do Combustível do Futuro, a mistura B16 deveria entrar em vigor neste mês. (iStock.com/Philip Steury)

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) — que reúne empresas como ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus, Amaggi e JBS — defendeu que o governo amplie a mistura de biodiesel ao diesel. Segundo a entidade, o setor estaria preparado para avançar até o B20.

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Pelo cronograma da Lei do Combustível do Futuro, a mistura B16 deveria entrar em vigor neste mês, em março de 2026, com o B20 previsto para 2030. No entanto, o governo diz que ainda faltam testes de viabilidade técnica para viabilizar o aumento — tanto no caso do biodiesel quanto do etanol anidro na gasolina.

A defesa da Abiove pelo B16 é em feita em um contexto de preços médios do diesel no Brasil em patamares elevados – a níveis que não eram vistos desde 2022 -, impulsionados pela guerra no Oriente Médio. Até ontem (19), os valores giravam em torno de R$ 7,22, alta de 25,78% desde o início do conflito, segundo levantamento da TruckPag.

A escalada também já se reflete na tabela de frete dos caminhoneiros. A semana foi marcada por ameaças de greve da categoria e por uma força-tarefa do governo para coibir reajustes considerados abusivos por distribuidoras, além de fiscalizar o cumprimento do piso mínimo do frete e discutir mecanismos mais eficientes de atualização da tabela.

Já é hora do B16?

Para Isabela Garcia, analista de inteligência de mercado da StoneX, o cenário atual favorece o biocombustível. Com o diesel em alta e o real desvalorizado ao longo do mês, o biodiesel passou a ser negociado levemente abaixo do diesel A importado e das referências recentes dos leilões da Petrobras.

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Isso ocorre porque os derivados têm operado com prêmios sobre o preço de revenda da estatal, que hoje se aproxima da Política de Paridade de Importação (PPI).

“Do lado da oferta, um eventual aumento da mistura obrigatória não seria um problema. O setor ainda opera com elevada capacidade ociosa”, afirma.

Considerando a manutenção do B15 em 2026, as estimativas da StoneX apontam para uma ociosidade próxima de 43%. Além disso, não há limitações relevantes no fornecimento de matéria-prima.

A expectativa é de uma safra robusta de soja neste ano, com crescimento de cerca de 5,4% em relação ao ciclo anterior, somando aproximadamente 177,8 milhões de toneladas.

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Na prática, tanto a capacidade industrial quanto a disponibilidade de insumos indicam que o setor conseguiria atender a um eventual aumento da demanda — além de reduzir a ociosidade e estimular a cadeia produtiva.

O principal entrave, contudo, segue sendo técnico.

“Esses testes de viabilidade estão em andamento, mas levam tempo e não são concluídos em poucas semanas, o que impacta diretamente o timing de qualquer mudança”, explica Garcia.

Do ponto de vista ambiental, a elevação da mistura também traria ganhos. Uma eventual adoção do B16 poderia substituir cerca de 500 mil m³ de diesel fóssil por biodiesel — ainda que o impacto seja relativamente limitado.

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Em 2025, as importações de diesel somaram 17,3 milhões de m³, o que significa que esse volume representaria cerca de 3% do total.

“Mesmo assim, o movimento contribui para reduzir, ainda que marginalmente, a dependência externa”, conclui.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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