B3 (B3SA3) dispara 30% no ano e analistas questionam até onde papel pode ir
O ano mal começou e a B3 (B3SA3) já saltou 30%, superando, de longe, papéis como XP (XPBR31) e BTG (BPAC11), além de outros papéis do setor financeiro, como Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4).
Tanta alta fez com que duas cases divulgassem relatórios opostos. Enquanto o BTG rebaixou a recomendação de compra para neutra, o UBS BB elevou a indicação de neutra para compra.
Veja os argumentos pró e contra o papel.
Potencial limitado
Para o BTG, com toda a alta a ação passou a ser negociada a 16 vezes o preço sobre o lucro (P/L), um número relativamente alto e que traz pouco potencial.
Mesmo assim, o banco lembra que a natural que papel tenha subido tanto. Isso porque a B3 é um papel líquido e tem um peso significativo no índice.
Outro ponto importante é que o B3 hoje é muito menos dependente da negociação de ações. Além disso, uma decisão favorável sobre a amortização do imposto sobre o ágio também ajudou a reduzir os riscos da história.
Porém, o banco diz que há papéis com maior potencial de valorização e maior beta, como a XP.
“Também vemos maior potencial de valorização (e maior geração de alfa) nos bancos digitais NU e Inter. E, como uma opção puramente focada em taxas de juros, atualmente preferimos a empresa de pagamentos Stone”.
Mas
A avaliação mais otimista do UBS parte da expectativa de que o lucro da companhia fique cerca de 10% acima do consenso em 2026 e 2027.
Segundo os analistas, o principal motor desse cenário é o aumento do volume de negociações, que tende a ser impulsionado pelo ciclo de flexibilização monetária, pela maior volatilidade associada ao calendário eleitoral e por uma possível realocação de fluxos para mercados emergentes.
Além do core de negociação, a B3 também deve se beneficiar de tendências positivas em outros segmentos do negócio, o que abre espaço para revisões positivas de lucro e para uma reprecificação do múltiplo ao longo do tempo.
No campo tributário, o destaque fica para o IoC adicional previsto para os próximos três anos, cujos benefícios fiscais mais do que compensam o impacto do aumento da CSLL no curto prazo.
Do lado competitivo, a leitura é de que os efeitos da entrada de novos players devem ser limitados no curto prazo, já que parte dos concorrentes ainda busca escala ou depende de aprovações regulatórias para avançar.
Em termos de valuation, a B3 negocia atualmente a 13 vezes o lucro estimado para 2026 — ou 15 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses.
Isso representa um desconto de 35% em relação às bolsas de mercados emergentes e de 31% frente às bolsas globais, níveis próximos aos observados historicamente, reforçando a tese de assimetria positiva para o papel.