Economia

Banco Central revisa inflação para cima diante da guerra do Irã e disparada do petróleo

26 mar 2026, 9:05 - atualizado em 26 mar 2026, 9:06
IPCA-15 inflação
(Imagem: Gadini/pixabay)

O Banco Central revisou para cima suas projeções de inflação no chamado horizonte relevante — o período em que o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia os efeitos de sua política sobre a economia.

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Segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado nesta quinta-feira (26), a expectativa para o terceiro trimestre de 2027 subiu 0,1 ponto percentual, para 3,3%.

“Os riscos para a inflação, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”, destacou o BC.

Entre os fatores de alta, estão a elevação do preço do petróleo e a revisão do hiato do produto, que indica atividade econômica acima da capacidade potencial. Por outro lado, a apreciação do real e a leve queda nas expectativas de mercado ajudaram a conter o avanço.

O relatório projeta que a inflação continuará subindo até o fim de 2026, antes de retomar trajetória de queda, mas mantendo-se acima da meta de 3%.

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Após fechar 2025 em 4,3%, o índice deve cair para 3,6% no primeiro trimestre de 2026, subir novamente durante o ano e terminar 2026 em 3,9%. A partir de então, a expectativa é de declínio gradual, chegando a 3,1% no terceiro trimestre de 2028.

A probabilidade de a inflação ultrapassar o limite superior de tolerância no último trimestre de 2026 subiu de 23% para 30%, enquanto a chance de cair abaixo do limite inferior recuou de 7% para 2%.

O Banco Central alerta que os riscos são tanto de alta quanto de baixa. No cenário externo, a instabilidade gerada pelos conflitos no Oriente Médio afeta a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities, incluindo petróleo.

No âmbito doméstico, políticas fiscais, taxa de câmbio e dinâmica do mercado de trabalho podem amplificar essas pressões.

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O Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 está projetado em 1,6%, mesmo patamar estimado em dezembro. O relatório ressalta, porém, que a estimativa enfrenta maior incerteza devido à guerra no Irã.

Segundo o BC, a atividade econômica continua moderada, mas o mercado de trabalho ainda mostra resiliência, com taxa de desocupação em queda e utilização da capacidade instalada em níveis elevados.

No crédito, o Banco Central revisou para cima suas projeções: o volume total deve crescer 9% em 2026, ante 8,6% projetado em dezembro. Para famílias, a expectativa é de alta de 9,5%; para empresas, 8,2%. O crédito livre deve avançar 8,1% e o direcionado, 10,2%.

Em transações externas, o BC melhorou sua previsão para o saldo das contas correntes: o déficit esperado caiu de US$60 bilhões para US$58 bilhões em 2026.

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A balança comercial deve registrar superávit de US$73 bilhões, frente a US$64 bilhões projetados anteriormente. Já os Investimentos Diretos no País (IDP) permanecem estimados em US$70 bilhões.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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