Banco do Brasil (BBAS3): Lucro sobe 3,3%, chega a R$ 3,9 bilhões e vem melhor que esperado no 2T26
O Banco do Brasil (BBAS3) terminou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% ante mesmo período de 2025, mostra documento enviado ao mercado nesta quarta (12). Em relação ao primeiro trimestre, a elevação é de 13,9%.
A cifra ficou acima do consenso da Bloomberg, que aguardava lucro de R$ 3,5 bilhões.
Um conjunto de fatores, que incluem a piora da inadimplência do agronegócio e a nova resolução da CMN nº 4.966/2021, que endureceu e obrigou os bancos a elevarem as provisões para calotes, fez o banco perder o seu status de ‘porto seguro’ da bolsa.
Com isso, o banco vinha de seis trimestre consecutivo de piora devido aos efeitos da falta de pagamento do produtor.
Um dos pontos que pode ter ajudado o BB, porém, é o resultado de tesouraria, que subiu 2,1% no trimestre e 10% no ano, para R$ 9 bilhões.
“O resultado maior sobre o trimestre anterior traz ainda a evolução da nossa margem financeira bruta, sustentada por um mix de crédito que tem uma melhor relação risco x retorno, pela diversificação das captações e pela boa alocação da nossa liquidez”, afirma a CEO do BB, Tarciana Medeiros.
Banco do Brasil: Rentabilidade em alta
O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) subiu 1,07 ponto percentual, encerrando o trimestre a 8,4%. Consenso da Bloomberg esperava 7,3%.
Mesmo assim, o banco ficou mais um trimestre abaixo dos 20% de rentabilidade, número mágico olhado pelo mercado. Encerrou, ainda, abaixo do Itaú (ITUB4), que terminou com ROE de 24% e Bradesco (BBDC4), que terminou o período a 16,1%.
O banco também aprovou R$ 584,9 milhões em juros sobre o capital próprio.
Inadimplência e despesas do Banco do Brasil
Uma das maiores preocupações dos analistas, o indicador de inadimplência acima de 90 dias voltou a subir e encerrou em 5,61%, alta de 1,65 ponto percentual no ano.
Porém, a maior alta foi observada na inadimplência curta, de 30 dias, que saltou 2,14 pontos percentuais.
A inadimplência da carteira agro também foi um vilão e atingiu 5,61%, aumento de 1,65 ponto percentual no ano.
O setor passa por uma alta expressiva do número de recuperações judiciais.
A própria administração já sinalizava que a inadimplência no agronegócio seguia elevada. “O primeiro semestre tende a ser mais apertado — isso já vínhamos discutindo desde o ano passado”, afirmou a CEO.
Dados mais recentes da Serasa dão conta de 474 pedidos, aumento de 21,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Além disso, as provisões, colchão usado pelos bancos para se protegerem dos calotes, voltaram a subir: 15,4% em relação ao ano passado, para R$ 33 bilhões, e 3,4% no trimestre, movimento observado em outros bancos diante da piora da situação macroeconômica.
O custo do crédito subiu 16% no ano, para R$ 18,5 bilhões, mas teve alívio de 2,1% contra o primeiro trimestre.
Pior já passou?
De acordo com Octaciano Neto, fundador da Zera, a trajetória da inadimplência e do custo de crédito começa a dar sinais de melhora, mas ainda exige atenção.
No agronegócio, o estoque de inadimplência continuou subindo, com o INAD+30d passando de 7,35% no 1T26 para 8,97% no 2T26, enquanto a Perda Esperada avançou de R$ 40,6 bilhões para R$ 43,7 bilhões, no quarto trimestre seguido de alta.
Por outro lado, lembra, o fluxo de novos atrasos desacelerou significativamente: o New NPL caiu de R$ 7,18 bilhões para R$ 5,72 bilhões no trimestre, quase metade do pico registrado no 4T25. Ao mesmo tempo, a cobertura desses novos NPLs aumentou de 102,9% para 145,9%.
“A combinação indica que o pior pode ter passado, embora a recuperação deva ser gradual, já que o estoque elevado ainda reflete problemas de safras anteriores, enquanto a queda nas novas entradas sugere melhora na qualidade das concessões”.
Outros indicadores
A margem financeira bruta, por outro lado, subiu 9,6%, para R$ 27,5 bilhões. Segundo o próprio banco, a alta foi puxada pelas receitas com tesouraria.
As receitas de prestação de serviços alcançaram R$ 9,1 bilhões no trimestre, avanço de 3,4% comparado ao primeiro trimestre e alta de 4,2% na comparação com 2025.
“O aumento das receitas com prestação de serviços ganha potência pela complementariedade do nosso conglomerado e os custos permaneceram sob controle, a partir de um trabalho constante de eficiência, sem abrir mão de investir naquilo que constrói o futuro: pessoas e tecnologia”, destaca a CEO.
Segundo o banco, destacam-se as linhas de administração de fundos (+6,3%), conta corrente (+7,6%) e operações de crédito e garantias (+4,7%).
As despesas administrativas ficaram em R$ 10,1 bilhões, com alta de 4,1% no ano e 0,6% no trimestre.
Carteira de crédito sobe
Mesmo com a piora nos indicadores, o BB manteve a sua carteira de crédito estável, com alta de 1,5% em 12 meses, para R$ 1,3 trilhão.
O maior aumento foi observado na pessoa física. O banco alcançou R$ 357,6 bilhões, crescimento de 4,4% em um ano, influenciado, principalmente, pelo desempenho do crédito consignado, mas com queda de 1,2% no trimestre.
O consignado privado, lançado no ano passado, é uma das grandes bandeiras do governo para incentivar o crédito.
A carteira de pessoa jurídica encolheu, por outro lado, e atingiu R$ 456,2 bilhões, queda de 2,5% no ano, influenciada pela redução nas carteiras de médias e pequenas empresas e de grandes empresas.
No agronegócio, a carteira teve crescimento de 4,1% nos últimos 12 meses e no trimestre, totalizando R$ 421,6 bilhões.