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Banco do Brasil (BBAS3) surpreende e lucra R$ 5,7 bilhões no 4T25, bem acima das expectativas

11 fev 2026, 18:28 - atualizado em 11 fev 2026, 19:27
dividendos agosto banco do brasil vivo
É o primeiro recuo dos números após 16 trimestres consecutivos de crescimento anual do lucro

O Banco do Brasil (BBAS3) terminou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, queda de 40% ante mesmo período de 2024, mostra documento enviado ao mercado nesta quarta (11).

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Apesar disso, a cifra ficou bem acima do esperado pelas projeções de analistas. Média da Bloomberg aguardava R$ 4,5 bilhões. Em relação ao terceiro trimestre, o número subiu 51%.

Um conjunto de fatores, que incluem a piora da inadimplência do agronegócio e a nova resolução da CMN nº 4.966/2021, que endureceu e obrigou os bancos a elevarem as provisões para calotes, fez o banco passar de queridinho do mercado para um grande ponto de interrogação.

Desde do terceiro trimestre do ano passado, o BB vem sentido efeitos da falta de pagamento no agronegócio, já que o setor passa por uma alta expressiva do número de recuperações judiciais no setor.

Segundo dados da Serasa Experian, 8,3% da população rural estava inadimplente no período e a comparação com o mesmo trimestre de 2024 revelou alta de 0,9 ponto percentual.

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O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) despencou 8,4 pontos percentuais, encerrando o trimestre a 12,4%, mas subiu 4 pontos em relação ao mesmo período do ano passado.

Dessa forma, banco não apenas perdeu o patamar de 20% de rentabilidade, número mágico olhado pelo mercado, como também encerrou abaixo do Itaú (ITUB4), que terminou com ROE de 24%, Santander (SANB11), a 17,5%, e Bradesco (BBDC4), que terminou o período a 15,2%.

Inadimplência e despesas do Banco do Brasil

Uma das maiores preocupações dos analistas, o indicador de inadimplência acima de 90 dias encerrou a 5,17%, alta de 2 ponto percentual no ano e 0,66 ponto no trimestre.

Segundo a companhia, a inadimplência foi impactada por um caso específico na carteira de TVM de uma
empresa do segmento atacado no valor de R$ 3,6 bilhões. Desconsiderando esse caso, o indicador seria de 4,88%.

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A inadimplência da carteira agro também foi um vilão e atingiu 6,09%, aumento de 1,8 ponto percentual no trimestre e 2,1 no ano, enquanto a carteira de pessoas físicas encerrou o período em 6,56%, elevação de 55 bps.

Além disso, as perdas esperadas associadas ao risco de crédito, colchão usado para os bancos se protegerem dos calotes, disparou 56,9% em relação a ano passado e 3,5% em comparação com ao trimestre, indo a R$ 100 bilhões.

Outros indicadores

A margem financeira bruta caiu 0,8% ano a ano, para R$ 27,8 bilhões, mas subiu 5,4% na base trimestral.

Já a margem financeira líquida despencou 43,8% no ano, para R$ 9,8 bilhões, mas mostrou evolução de 16,6% na base trimestral.

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Segundo o banco, o destaque foi para o crescimento de 12,3% da margem com clientes, que chegou a R$ 91,7 bilhões frente a R$ 81,7 bilhões do ano anterior.

“O desempenho é impulsionado pelo crescimento das receitas financeiras, em especial das operações de crédito com pessoas físicas, em linha com a estratégia de diversificação do mix e com o ganho de representatividade do Crédito do Trabalhador”.

As receitas com prestação de serviços somaram R$ 8,8 bilhões, queda de 4% no ano e 0,3% no trimestre., enquanto as despesas administrativas totalizaram R$ 9,8 bilhões, elevação de 4% no ano e 0,8% no trimestre.

“O Banco do Brasil demonstrou em 2025 um importante controle de despesas, sem renunciar a investimentos em tecnologia, inovação e cybersegurança”;

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Carteira de crédito sobe

Mesmo com a piora nos indicadores, o BB conseguiu expandir a sua carteira de crédito em 2,5% no ano, para R$ 1,3 trilhão.

O maior aumento foi a pessoa física. O banco alcançou R$ 357,0 bilhões, crescimento de 7,6% em um ano, impulsionada principalmente por crédito consignado (8,1%), crédito não consignado (11,8%) e cartão de crédito (19,6%).

“O crédito do trabalhador consolidou-se como um dos principais vetores de crescimento no consignado em 2025, com um total de mais de R$ 13 bilhões em desembolso em mais de 1,5 milhão de operações”, diz o banco.

O consignado privado, lançando no ano passado, é uma das grandes bandeiras do governo para incentivar o crédito

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A carteira de pessoa jurídica atingiu R$ 455,2 bilhões, crescimento de 0,6% no ano. Já aarteira expandida de grandes empresas encerrou em R$ 260,4 bilhões, alta de 4,3% em 12 meses.

Já a carteira para pequenas e médias empresas encerrou setembro com R$ 118,5 bilhões de saldo, redução de 3,7%.

No agronegócio, a carteira teve crescimento de 2,1% nos últimos 12 meses, totalizando R$ 406,1 bilhões.

Novo guidance

O BB também publicou suas projeções para 2026, incluindo lucro líquido ajustado de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões. Em todo o ano de 2025, o lucro líquido somou R$ 20,7 bilhões, dentro do intervalo projetado pelo banco, entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões, mas queda de 45,4% em relação ao ganho apurado em 2024.

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Mais de uma vez ao longo do ano passado, a presidente-executiva do BB, Tarciana Medeiros, afirmou que 2025 era um ano de ajustes, após o balanço do banco ser fortemente afetado pelo aumento da inadimplência de parte da carteira do agronegócio e por novas regras contábeis que entraram em vigor no passado.

Para 2026, a CEO afirma que está otimista, “atuando sempre com cautela, estratégia clara e execução disciplinada”.

“Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e rentabilidade: fortalecimento de garantias, matriz de resiliência e novos produtos para sustentar a parceria histórica com o agro”.

Veja na tabela abaixo:

Indicadores Projeções 2026
Carteira de Crédito (1) 0,5% a 4,5%
└ Pessoas Físicas 6% a 10%
└ Empresas -3% a 1%
└ Agronegócios -2% a 2%
Carteira Sustentável 2% a 6%
Margem Financeira Bruta 4% a 8%
Custo do Crédito (2) R$ 53 bi a R$ 58 bi
Receitas de Prestação de Serviços 2% a 6%
Despesas Administrativas 5% a 9%
Lucro Líquido Ajustado R$ 22 bi a R$ 26 bi

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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