Banco ‘fora do radar’ dispara 200%, chama atenção e analistas veem mais alta; veja potencial
Que os bancos tiveram um 2025 de brilhar, isso os investidores já sabem. Porém, mesmo com a forte alta do setor, nenhum chegou perto do que o Banco Pine (PINE4) entregou, com uma disparada de mais de 200%.
Ainda fora do radar de boa parte do mercado, o banco atua em linhas de crédito mais seguras.
Diante dessa valorização, analistas não perderam tempo: quatro casas iniciaram cobertura do papel — BTG, Bradesco BBI, XP e Safra — todas com recomendação de compra.
A XP, por exemplo, vê potencial de valorização de 50%. Para os analistas, o lucro ganhou forte impulso à medida que a empresa entra em um novo ciclo, após concluir um período relevante de ajustamento estratégico e de risco.
“O banco opera agora com um balanço patrimonial mais robusto, maior previsibilidade de resultados e um perfil de risco mais equilibrado. O crédito consignado privado surge como a principal alavanca incremental do investimento”.
Eles observam ainda que, depois de anos priorizando o fortalecimento do balanço, com ajustes e redução de riscos concentrados, o Pine entra agora em uma fase mais estável.
“Evoluindo de uma instituição financeira tradicional voltada a empresas de médio porte para uma plataforma mais diversificada, o banco agora combina relacionamento bancário corporativo com canais digitais em larga escala para a concessão de crédito garantido ao consumidor final”.
Veja abaixo:
| Recomendação | Preço-alvo | Potencial | |
| Bradesco BBI | Compra | R$ 18 | 30% |
| XP | Compra | R$ 20 | 50% |
| Safra | Compra | R$ 19 | 39% |
| BTG | Compra | R$ 15 | 10% |
Hora de comprar
Para o Bradesco BBI, a companhia continua a entregar forte crescimento de rentabilidade após o recente processo de turnaround, enquanto o valuation atual ainda não reflete o novo patamar de ROE (retorno sobre o patrimônio) do banco.
“Dentro da nossa cobertura de bancos small caps no Brasil (BR Partners, ABC Brasil e Banco Pine), embora tenhamos uma visão positiva para os três nomes, favorecemos o Banco Pine, dado que ele está capturando os benefícios do turnaround recente e apresenta o valuation relativo mais barato do grupo”.
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Ainda segundo a casa, o Pine colhe os frutos do dever de casa iniciado em 2022. Os analistas lembram que, após o ambiente macroeconômico desafiador entre 2015 e 2017, o banco iniciou um processo de redução de risco do balanço, com foco em operações de menor tíquete médio, spreads mais elevados e maiores garantias.
“Nesse contexto, o banco expandiu sua equipe de originação de crédito, ampliou o portfólio de produtos e investiu em digitalização”.
Como resultado, a instituição conseguiu elevar o ROE para aproximadamente 23% em 2024, ante cerca de 9% em 2022.
Segundo o BTG, a vantagem de pioneirismo do Pine sustenta um ROE de curto prazo acima de 30% e um potencial relevante de valorização em relação ao valor de mercado.
“Embora seja improvável que ROEs acima de 30% sejam sustentáveis no longo prazo, prevemos que os retornos permaneçam elevados por mais tempo do que o mercado atualmente precifica”.
Consignado privado é uma avenida
O consignado privado também pode dar uma forcinha adicional ao Pine. A nova modalidade, criada no ano passado e que funciona como empréstimo com desconto direto em folha, beneficiou o banco.
Para o Bradesco BBI, o Pine construiu rapidamente uma carteira relevante, aproveitando-se dos spreads mais elevados do produto.
O banco já alcançou 5,9% de market share no terceiro trimestre, após apenas dois trimestres de operação, com uma carteira de R$ 3,5 bilhões.
Enquanto isso, a rentabilidade subiu para 29% no segundo trimestre e 34% no terceiro, ante 25% no primeiro trimestre de 2025, “refletindo o caráter altamente assertivo do produto para os retornos da operação”.
O BTG vai na mesma linha ao afirmar que o Banco Pine se tornou um dos protagonistas do crescimento do novo mercado de crédito consignado privado.
Em caso de demissão, o pagamento pode ser feito com até 10% do saldo do FGTS ou 100% da multa rescisória.
Além disso, o empréstimo acompanha o trabalhador em caso de troca de emprego, com desconto automático na nova folha de pagamento.
Dado esse arcabouço de proteção, as perdas esperadas tendem a ser menores do que em empréstimos pessoais sem garantia (5% a 10%, contra cerca de 20%).
“O Pine já atingiu cerca de 6% de market share. Assumindo um mercado de R$ 300 bilhões em três anos, manter essa fatia implicaria uma expansão potencial de R$ 18 bilhões”, calculam os analistas.
O Safra também observa que o produto está ampliando o universo de clientes além do setor público tradicional e que, dado o posicionamento precoce e estratégico do Pine, o banco deve aumentar rapidamente a participação de ativos de alto rendimento em seu portfólio, criando uma ‘janela de alto impacto’ para os lucros.
“Para nós, isso deve ficar mais evidente em 2026, traduzido em um ROE acima de 30%, antes que o aumento da concorrência e a maturação do setor recalibrem gradualmente os retornos”.
O que esperar do Pine?
Para 2026, o Bradesco BBI projeta crescimento total da carteira de crédito de aproximadamente 23%, refletindo:
- outro ano forte para o consignado privado (cerca de 60%);
- recuperação do consignado do INSS, após contração em 2025 (em torno de 14%);
- crescimento de aproximadamente 9% nas carteiras de grandes e médias empresas.
Do lado da rentabilidade, a casa destaca a forte expansão do NIM (Margem Líquida de Juros) para cerca de 9% no terceiro trimestre de 2025 (ante 6% no primeiro semestre), impulsionada pelo novo consignado privado — patamar considerado sustentável.
“Por outro lado, esperamos alguma deterioração da qualidade dos ativos e aumento do custo de risco, o que deve limitar a expansão do lucro antes dos impostos. As despesas operacionais devem crescer na casa de dois dígitos médios”.
Para 2026, o BBI projeta ROE de 32% e de 30% em 2027, ante 30% estimados para 2025.