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Banco ganha cobertura de 4 analistas de uma tacada só; potencial é de dobrar de preço

09 mar 2026, 13:04 - atualizado em 09 mar 2026, 13:04
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Em dia de mau humor nas bolsas, a ação subia 0,10%, a US$ 10,51, por volta das 13h (Imagem: iStock)

A Agibank (AGBK) mal chegou à bolsa e já ganhou a cobertura de quatro bancos de uma tacada só. Itaú BBA, Morgan Stanley, Citigroup e BTG Pactual passaram a cobrir o papel, todos com recomendação de compra.

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E, se o investidor ficou receoso após a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) sair abaixo do esperado, não se preocupe. Os bancos veem ótimo potencial tanto para a companhia em si quanto para o preço da ação.

Veja na tabela abaixo:

Banco Recomendação Preço-alvo Potencial
Morgan Stanley Compra US$ 21 100%
BTG Compra US$ 17 61%
Citi Compra US$ 18 71%
Itaú BBA Compra US$ 16 52%

Segundo os analistas, o Agibank é um raro caso que combina serviços bancários digitais com centros físicos inteligentes para a população idosa e de baixa renda do Brasil. Um dos seus pontos fortes é o crédito consignado para aposentados, considerado uma linha mais segura e rentável.

Atualmente, conta com 1.000 pontos físicos e mais que dobrou sua participação na folha de pagamento do INSS, saindo de 2,3% em 2021 para 9% em 2025, enquanto, segundo o BTG, manteve os custos controlados.

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O resultado é um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) 40%, muito acima do número mágico olhado pelo mercado, de 20%.

Nos cálculos do Itaú BBA, Ao ganhar participação em um setor com crescimento secular, o banco terá um crescimento anual composto (CAGR) de aproximadamente 30% na carteira de empréstimos e nos lucros entre 2025 e 2027.

“A ação, atualmente cotada a US$ 10,5, é negociada a um múltiplo de 7,2x o lucro por ação (P/L) estimado para 2026 e 1,7x o valor patrimonial por ação (P/VP) também estimado para 2026, o que é relativamente atrativo considerando seu perfil de retorno e crescimento”.

Em dia de mau humor nas bolsas, a ação subia 0,10%, a US$ 10,51, por volta das 13h.

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Consignado do INSS, um ponto fora da curva

Atualmente, o segmento INSS é o foco principal da Agibank, com um mercado endereçável total (TAM) de mais de 40 milhões de pessoas. Considerando o envelhecimento da população, esse número deve aumentar ainda mais.

Aproximadamente 42 milhões de brasileiros recebem um “cheque” de cerca de R$ 2 mil do INSS, principalmente por aposentados. Criado em 2003, esse mercado de crédito, que atualmente movimenta R$ 280 bilhões, é um dos mais importantes para as famílias brasileiras.

Atualmente, o Agibank possui 6,4 milhões de clientes ativos, dos quais 3,3 milhões são beneficiários do INSS (65-70% detêm empréstimos consignados).

Já a carteira de empréstimos é de aproximadamente R$ 35 bilhões, sendo que aproximadamente 87% em produtos garantidos, um alívio em caso da alta da inadimplência.

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Mas não pense que para por aí. O crédito sem garantia (13% da carteira) é concedido apenas a clientes que recebem seus benefícios do INSS por meio do Agi. Mesmo assim, isso representa cerca de 60% dos resultados operacionais, segundo o BTG.

“Ao conceder empréstimos sem garantia somente a beneficiários que recebem pagamentos por meio do Agi (aproximadamente 80% dos 1,4 milhão de clientes possuem um empréstimo pessoal sem garantia com o Agi), o banco reduziu a inadimplência nesse segmento de mais de 25% em 2018 para apenas 8,4% atualmente”, destacam os analistas.

Porto seguro

Outro caminho bem utilizado pelo Agibank são as vendas cruzadas bem-sucedidas de produtos adicionais juntamente com empréstimos consignados. Ou seja, o banco se aproveita da sua base de clientes para vender seguros.

Para o BTG, essa linha possui alta penetração no mercado de seguros de vida, onde as comissões de corretagem são mais rentáveis.

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O Itaú BBA vai pelo mesmo caminho. Segundo os analistas, o consignado do INSS é altamente competitivo, com spreads relativamente baixos, enquanto encaixa se aproveita de outros produtos.

“A eficácia da venda cruzada de outros empréstimos e seguros pelo Agi impulsiona as receitas e a eficiência, o que é fundamental para sua vantagem competitiva e para o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) superior a 30%”.

Atendimento personalizado

Enquanto a maioria dos bancos fecham agências, ter atendimento personalizado pode ser um belo diferencial. “Para esse público sênior, um canal físico com atendimento humano especializado, combinado com uma plataforma digital, é extremamente valioso para a atração, retenção e conversão de clientes”, destaca o Itaú BBA.

Os analistas do Itaú vão além. Dizem que a falta dessa “atenção personalizada” é o principal motivo pelo qual os bancos digitais têm dificuldade em se manter relevantes no crédito consignado, apesar de oferecerem taxas mais baixas.

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Na visão do BBA, o Agi é eficaz em maximizar a receita por cliente, o que é fundamental para os lucros e a competitividade.

“Um SmartHub é muito mais eficiente em termos de custos em comparação com agências bancárias tradicionais ou correspondentes. Enquanto os grandes bancos reduzem o número de agências, a Agi expande e conquista clientes”, destacam.

Riscos

Mas se o consignado é uma força para o Agibank, por outro lado, pode funcionar como um ponto fraco. Isso porque, segundo o Citi, o banco é muito dependente da linha. Cerca de 73% dos empréstimos vinculados ao crédito para folha de pagamento do INSS, expondo a receita a mudanças de regulamentação.

“O banco também está sujeito a gargalos regulatórios, como demonstrado por suspensões anteriores do INSS. Empréstimos para folha de pagamento e melhorias contínuas na eficiência também são considerações importantes”, diz o banco.

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Inclusive, o INSS chegou a suspender, por tempo indeterminado, o recebimento de novas averbações de crédito consignado no início de dezembro. Somente no dia 24 de fevereiro, portando, mais de três meses, que o banco conseguiu voltar a operar a modalidade.

Para o BTG, de fato, isso deve impactar os resultados de curto prazo. O banco espera um 4º trimestre de 2025 e um 1º trimestre de 2026 mais fracos, com aceleração dos resultados ao longo do ano.

O 1º trimestre de 2025 foi excepcionalmente forte, o que também gera comparações difíceis para 2026 como um todo, dizem.

Por outro lado, os analistas dizem que os investidores agora conhecem o CEO e fundador do Agibank, Marciano Testa, muito melhor e entendem que o Agibank tem o direito de se destacar em seu amplo nicho de mercado. “Fazer mais do mesmo, mas em escala, foi uma estratégia bem recebida pelos investidores’.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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