Política

Bastidores de Brasília: A irritação de Bolsonaro com Guedes

28 jan 2022, 12:44
No segundo, dependendo do comportamento da ômicron e seus efeitos na economia, seria possível discutir o assunt (Imagem: Flickr/Clauber Cleber Caetano/PR)

O presidente Jair Bolsonaro tem colocado na conta do ministro da Economia, Paulo Guedes, a gritaria do funcionalismo público por aumento de salários.

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Interlocutores do presidente afirmam que o ministro insuflou as categorias ao dizer publicamente que não havia condições para fazer uma recomposição para todos e jogar luz sobre o acordo que Bolsonaro havia fechado apenas com as polícias federal, rodoviária e penitenciária.

Guedes teria ido dar satisfação ao mercado financeiro e tornou pública uma situação que deveria ter ficado intramuros.

Portas entreabertas

A equipe econômica não fecha totalmente as portas para um aumento do funcionalismo. Mas a ideia é levar o assunto em banho-maria ao longo do primeiro semestre.

No segundo, dependendo do comportamento da ômicron e seus efeitos na economia, seria possível discutir o assunto.

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Isso, claro, não passa pela reposição de perdas inflacionárias desde 2017, como querem algumas categorias — que já se preparam para novas manifestações na volta do recesso do Congresso.

Insensatez da PEC

Integrantes da Economia consideram a ideia de segurar altas nos preços de combustíveis e energia com redução de tributos federais e por meio de uma PEC uma insensatez. A conta de zerar esses impostos chega a R$ 75 bilhões. Embora esse valor não bata no teto de gastos, vai bater na meta de resultado primário.

A equipe até concorda com uma redução tributária para combustíveis, desde que seja algo limitado. Atender aos caminhoneiros, por exemplo, seria defensável.

Guedes já apresentou seus argumentos a Bolsonaro, mas diante das pressões políticas, agora tenta apenas evitar estragos junto ao mercado financeiro. Para ele, o mais importante é que a Petrobras não sofra uma intervenção em sua política de preços e continue acompanhando o mercado internacional.

Centrão não é suicida

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Lideranças do PT avaliam que os caciques do PP que hoje estão nos braços de Bolsonaro, notadamente Ciro Nogueira, na Casa Civil, e Arthur Lira, no comando da Câmara, virão para perto de Lula na reta final da campanha presidencial. O centrão, avaliam, tem instinto de sobrevivência e não é nem nunca foi suicida.

A proximidade com Bolsonaro rendeu a Nogueira e Lira caminhões de dinheiro para suas bases no Nordeste por meio de emendas e primeiro é preciso capitalizar em cima disso. A mesma avaliação vale para o ministro das Comunicações, Fabio Faria, que negocia para se filiar ao PP.

Isso não quer dizer que o PT vá facilitar a vida desses retardatários. O partido caminha para construir alianças que possam lhe render uma base ampla da Câmara com a ajuda de outros partidos do centrão, de modo que o PP terá que rebolar para entrar na turma.

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