Bradesco BBI revisa BB Seguridade (BBSE3) — e notícias não são tão boas assim
O Bradesco BBI diminuiu o preço-alvo da BB Seguridade (BBSE3) de R$ 39 para R$ 37 após resultados ainda ruins no quarto trimestre. A recomendação é neutra.
Desde o ano passado, analistas alertam para o mau momento operacional da companhia, em meio à piora dos prêmios na BrasilSeg, um dos carros chefes da seguradora do Banco do Brasil (BBAS3).
Para os analistas, o crescimento dos prêmios emitidos é tímido, enquanto o desempenho operacional não financeiro está mais fraco.
Como resultado, agora estamos prevendo um lucro líquido de R$ 8,5 bilhões para 2026 (3,7% menor que a estimativa anterior) e R$ 8,4 bilhões para 2027 (9,6% menor que a estimativa anterior).
Também está 2,6% e 6,4% abaixo do consenso, respectivamente.
De acordo com o BBI, a ação negocia a múltiplo P/L (preço sobre o lucro) estimado de 8,7x para 2026 e de 8,8x para 2027.
Resultados do BB Seguridade
O lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,29 bilhões no quarto trimestre (4T25) — alta de 5,1% na comparação anual — não foi suficiente para dissipar as dúvidas sobre a capacidade de crescimento da companhia no curto e médio prazo.
O pano de fundo da cautela está no guidance para 2026, que sugere perda de fôlego justamente no momento em que o ciclo de juros elevados começa a virar.
O time do J.P. Morgan, liderado por Guilherme Grespan, adotou o tom mais cético. Em relatório, os analistas destacam que, embora o lucro tenha superado levemente as estimativas, o “motor operacional” terminou o ano em nota fraca.
“O lucro foi salvo por outro resultado financeiro forte, que representou 25% do resultado total, enquanto os prêmios emitidos caíram 9% no ano”, afirma o banco.
O resultado financeiro da BB Seguridade saltou 80,9% no trimestre, para R$ 577,3 milhões, impulsionado pela Selic elevada e ganhos de marcação a mercado. Com a perspectiva de queda da taxa básica em 2026, a leitura é de que esse impulso não deve se repetir com a mesma intensidade.
Do lado operacional, o próprio guidance da companhia projeta retração entre 3% e 7% no resultado operacional ex-juros e variação entre -3% e +2% nos prêmios emitidos. Para o J.P., isso implica contração de 5% a 6% no lucro líquido em 2026.
Com Vitor Azevedo