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BBAS3, BBDC4, ITUB4 e SANB11: Safra atualiza bancos e tem um novo favorito; veja potenciais

11 mar 2026, 13:14 - atualizado em 11 mar 2026, 13:14
bancos xp investimentos
Embora não tenha mudado nenhuma recomendação, os analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre alteraram sua ação favorita (Imagem: Montagem com fotos de Marcio Juliboni/Renan Dantas/Divulgação)

Os bancos são um dos carros-chefe da bolsa brasileira. Considerados lucrativos e resilientes, são sempre apontados como boas opções para atravessar o conturbado cenário brasileiro. No ano, inclusive, todos os bancões sobem mais de dois dígitos, embora a guerra no Irã tenha diminuído a disparada.

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O Safra aproveitou o momento e atualizou suas projeções para os quatro grandes: Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11).

Embora não tenha mudado nenhuma recomendação, os analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre alteraram sua ação favorita: agora, o Bradesco é o queridinho, em vez do Itaú. “Vemos maior potencial de melhoria de qualidade”.

Não que o Itaú tenha sido deixado de lado. O trio lembra que o banco se destacou como o único a expandir o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido), sustentado por NII (Net Interest Income, margem financeira) e opex (despesas operacionais).

“Para os próximos três anos, apesar da barra mais alta, ainda vemos ganhos, embora mais modestos e principalmente impulsionados por opex”.

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Veja as recomendações e os potenciais abaixo:

Banco Recomendação Preço-alvo Potencial
Bradesco Compra R$ 26 30%
Itaú Compra R$ 55 26%
Banco do Brasil Neutra R$ 28 8,3%
Santander Neutra R$ 41 28%

Bradesco, o novo favorito

Foram dois anos desde que o Bradesco anunciou seu plano de voo para colocar a casa em ordem após sofrer com a disparada da inadimplência e a piora da qualidade da carteira. Embora a reestruturação não tenha acabado, os analistas já se sentem confortáveis em recomendar a ação sem peso na consciência.

Mesmo que o guidance (projeções) tenha diminuído o otimismo de parte do mercado, adiando alguns dos ganhos de eficiência, o Bradesco está no caminho certo.

“Para nós, a projeção do Itaú apenas atesta a oportunidade que o Bradesco possui, a qual deverá ficar mais clara em 2027”.

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Nos custos, o BBDC4 faz a lição de casa: a presença física de agências diminuiu 25% nos últimos dois anos; diversos componentes das despesas administrativas já estão em queda ano a ano; e as despesas com salários cresceram 4,4% em 2025.

O Safra também aumentou a projeção de crescimento da carteira de empréstimos, agora alinhada com o ponto médio da orientação (+9,5% a/a), ainda impulsionada principalmente por PMEs (pequenas e médias empresas).

Esse cenário, combinado com uma premissa maior de custo de risco, levou a um aumento de 5% nas estimativas de provisões para 2026.

Além disso, o banco aumentou as projeções de despesas operacionais para 2026 e 2027 em 3% e 4%, respectivamente, o que implica ganhos de eficiência de 120 e 220 pontos-base.

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Itaú: merecedor do preço que tem

O Itaú já subiu 52% nos últimos 12 meses, o que fez analistas questionarem se o banco não ficou caro. Mas o Safra diz que a entrega do banco mais do que compensa o preço.

Para os analistas, as projeções para 2026 e a análise de decomposição do ROE corroboram a visão de que, nos próximos anos, o principal fator de rentabilidade do Itaú reside na eficiência das despesas operacionais.

“Consideramos o aumento das despesas operacionais abaixo da inflação, sugerido pela projeção para 2026 no ponto médio (ou seja, 3,5% a/a), como o primeiro passo de um período plurianual de ganhos”.

Mas não será apenas isso que vai impulsionar o banco. A receita líquida de juros ajustada ao risco ainda sustenta a consistência do Itaú, embora os ganhos devam ser menores no futuro.

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Após ajustes finos, as projeções de lucro líquido para 2026 e 2027 são de R$ 51,5 bilhões e R$ 56,1 bilhões, respectivamente — 1% e 2% maiores em relação às estimativas anteriores e 1% e 2% abaixo do consenso.

Banco do Brasil, menos pior, mas…

No Banco do Brasil, a falta de surpresas negativas virou um fator positivo. Isso porque, desde o primeiro trimestre de 2025, o banco sofre com a piora do agronegócio.

Em encontro com a diretoria do banco, a mensagem foi de que a instituição, até agora, encontra o caminho da recuperação e que bons frutos podem ser colhidos já no segundo trimestre de 2026.

Por outro lado, o Safra diz que, por mais positivos que sejam os esforços da administração para conter a formação de NPLs (Non-Performing Loans, empréstimos problemáticos), menos de 10% dos pagamentos dos empréstimos agrícolas vencem no primeiro trimestre.

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Apesar de ter reduzido as estimativas de provisões (em -4% e -9% em 2026 e 2027, respectivamente), elas ainda estão acima do limite superior da projeção do banco, devido a uma redução de custo de risco mais concentrada no final do período.

Em contrapartida, a projeção de despesas operacionais foi revisada para cima, principalmente para refletir maiores despesas com riscos legais.

Como resultado, o Safra estima lucro líquido para 2026 e 2027 de R$ 22,3 bilhões e R$ 26,8 bilhões, respectivamente — praticamente inalterado em relação às estimativas anteriores e 9% e 12% abaixo do consenso.

A recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 28.

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Santander, sinal ainda amarelo

No relatório, o Safra diz que, ao adotar uma abordagem de menor apetite ao risco na estratégia da carteira de empréstimos, a rentabilidade do Santander está se tornando cada vez menos dependente do crédito.

Os analistas afirmam que há espaço para melhorar o ROE. A expectativa da gestão é que a rentabilidade volte aos 20% até 2028.

Porém, a trajetória depende fortemente das despesas operacionais (opex).

“Nossas estimativas e o consenso já apontam para um ritmo de crescimento das despesas operacionais na casa de um dígito baixo nos próximos anos. Se esse ritmo voltar a acelerar em algum momento, identificamos um risco de queda nos lucros que o crescimento lento da receita não seria capaz de diluir”.

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O Santander ajustou as estimativas para refletir provisões ligeiramente maiores e despesas operacionais menores.

As estimativas de lucro líquido para 2026 e 2027 são de R$ 16,7 bilhões e R$ 19,1 bilhões, respectivamente, 6% menores em relação às projeções anteriores.

“Esperamos que o custo do risco aumente em 2026 (+20 pontos-base em relação ao ano anterior), refletindo a piora nos indicadores de qualidade dos ativos relatados no quarto trimestre — ou seja, inadimplência aumentando mais do que a de seus pares”.

 

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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