Banco Central precisa de cautela e coragem, afirma Meirelles sobre corte da Selic nesta quarta (18)
O Comite de Política Monetária (Copom) decide, nesta quarta-feira (18), o novo patamar da taxa básica de juros. A expectativa de um corte mais agressivo perdeu força no mercado e, agora, o cenário base aponta para um início mais cauteloso do afrouxamento monetário, com a Selic em 14,75% ao ano — redução de 0,25 ponto percentual.
Para Henrique Meirelles, ex-ministro d Fazenda entre 2016 e 2018, o momento exige prudência, especialmente diante da escalada da guerra no Irã, que passou a pesar no radar dos investidores.
“O Banco Central precisa ter cautela nesta próxima reunião. É necessário trabalhar com um cenário de indefinição”, afirmou o ex-ministro a jornalistas durante evento em São Paulo, nesta terça-feira (17). “Certamente não é mais o cenário anterior, em que a inflação estava controlada e caminhando para a meta”.
Segundo ele, o avanço do conflito no Oriente Médio — especialmente com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — tende a pressionar os preços no Brasil, tanto por efeitos diretos quanto indiretos da alta da commodity.
A principal incerteza, na avaliação de Meirelles, está na duração do conflito e no impacto persistente sobre os preços do petróleo.
“Não adianta esperar que o Banco Central tenha todas essas respostas. Ele terá que agir em um ambiente de incerteza, sendo mais conservador. E, para isso, é preciso coragem”, disse.
Na visão do ex-ministro, a atual taxa Selic, em 15% ao ano, é elevada, mas necessária para garantir a convergência da inflação à meta de 3%.
Ele também chama atenção para o cenário fiscal: a dívida bruta acima de 70% do PIB segue como um ponto de preocupação, sem sinais claros de melhora no horizonte.
Sobre eleições em 2026, Meirelles destaca que o atual governo já está em uma trajetória de alta dos gastos públicos e que o período eleitoral tende a aumentar a dívida pública e que esta questão ficará a cargo do próximo governo eleito.
“Nós temos que inverter essa trajetória de crescimento da dívida pública brasileira, principalmente levada em conta como porcentagem em relação ao produto. Esse é o ponto mais importante agora”, diz.