Fed: “Gráfico de pontos” deveria ser abandonado, diz Bessent
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, elogiou nesta quarta-feira (24) o plano do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, de reduzir as orientações sobre a trajetória da taxa básica de juros.
No entanto, afirmou que os formuladores de política monetária do Fed precisam manter a mente aberta quanto ao impacto do conflito com o Irã sobre a inflação, bem como em relação aos ganhos de produtividade impulsionados por modelos de inteligência artificial.
Em entrevista à CNBC, Bessent também apoiou a decisão de Warsh de não divulgar uma projeção para a trajetória das taxas de juros — conhecida como “gráfico de pontos” — como parte das projeções econômicas trimestrais.
“Não acho que ninguém deva fazer projeções com pontos. A única razão pela qual eu já gostei deles foi quando tinha minha empresa de investimentos; tínhamos um modelo de negociação que operava justamente contra os pontos, porque eles estão sempre errados”, afirmou.
Após sua primeira reunião de política monetária na semana passada, Warsh disse a repórteres que pretende convocar uma força-tarefa formada por funcionários do Fed e especialistas externos para revisar as práticas de comunicação da instituição, incluindo o “gráfico de pontos”, divulgado quatro vezes por ano desde 2012 para indicar ao público a possível direção da política de juros.
Warsh há muito critica a orientação prospectiva (forward guidance), argumentando que ela prende os formuladores de política monetária a uma trajetória específica de juros sem considerar adequadamente mudanças nos dados econômicos.
“Aplaudo a decisão do presidente Warsh de eliminar a orientação futura. Acho que ela se tornou uma espécie de muleta na qual os participantes do mercado passaram a se apoiar”, disse Bessent à CNBC, acrescentando que mantém o hábito de tomar café da manhã semanalmente com o presidente do banco central.
Metade dos dirigentes do Fed que apresentaram projeções acredita que será necessário elevar a taxa básica ainda este ano, conforme indicou o “gráfico de pontos” divulgado na semana passada.
Segundo Bessent, porém, os formuladores de política devem manter cautela ao avaliar os efeitos inflacionários da alta dos preços de energia provocada pelo conflito com o Irã, que têm perdido força em meio às negociações, à medida que petroleiros atravessam o Estreito de Ormuz com maior facilidade.
Ele também afirmou que os ganhos de produtividade impulsionados pela inteligência artificial podem sustentar um crescimento mais forte, ao mesmo tempo em que permitem o retorno da inflação à meta de 2% do Fed.
“Acredito que podemos ter uma economia com crescimento elevado sem que a inflação tradicional se consolide”, disse Bessent.
Ele reiterou a confiança de que Warsh saberá equilibrar os mandatos do Fed — estabilidade de preços e pleno emprego — e afirmou que o presidente Donald Trump segue expressando, publicamente e em conversas privadas, seu apoio à escolha de Warsh para liderar o banco central.