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Bitcoin além de 2020: o que acontecerá após redução nas recompensas por bloco?

19/11/2019 - 9:43
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Liquidez do bitcoin vai ser afetada pela próxima diminuição nas recompensas por mineração? (Imagem: Pixabay)

Um relatório do Banco de Compensações Internacionais (BIS) conclui que a liquidez do bitcoin vai cair dramaticamente por conta da diminuição de recompensas por mineração e o baixo uso a varejo se não migrar para outro modelo de consenso como o proof-of-stake (“prova de saldo”).

Rootstock (RSK) é uma sidechain veloz que constrói uma moeda vinculada a bitcoin e uma utility de contrato inteligente sobre uma camada de segurança de bitcoin para criar um ativo de alto rendimento que mantém a relevância do bitcoin como um meio de troca e mantém rentável a mineração da rede.

O relatório do BIS intitulado “Beyond the Doomsday Economics of proof-of-work in cryptocurrencies” (em tradução livre: além das economias catastróficas de “prova de trabalho” em criptoativos) apresenta o que descreve como duas limitações fundamentais na economia de finalidade de pagamento em bitcoin e proof-of-work (“prova de trabalho”).

A primeira é que o pagamento aos mineradores deve estar a uma alta proporção para volumes de transação a fim de assegurar a rede.

Por conta da vantagem monetária um invasor teria sobre outros mineradores caso tivesse sucesso — coletando recompensas por bloco, taxas de hashes e as transações de duplo gasto (double spend) — deve haver uma alta recompensa ou pelos períodos de transação ou custos.

“Duplo gasto é muito rentável. Na verdade, os invasores podem ganhar um lucro muito mais alto em bitcoin do que um minerador honesto”, afirma o BIS.

A segunda limitação é que, sem as recompensas de mineração por bloco, a rede não pode gerar taxas de transação suficientes para compensar os mineradores e assegurar a rede, que é atribuída ao comportamento econômico coletivo dos participantes para manter as taxas de transação individuais mais baixas o possível.

“Ou o sistema funciona abaixo de sua capacidade e os incentivos dos usuários para manter as taxas de transações são muito baixas ou o sistema fica congestionado.”

O que acontecerá após a diminuição de 12,5 BTC para 6,25 BTC na próxima redução de recompensas por bloco? (Imagem: Pixabay)

Proof-of-work vai levar a uma “crise de liquidez” do bitcoin

Após a próxima redução pela metade, em 2020, na recompensa por mineração de bitcoin, há um receio de que com as baixas taxas de transação de bitcoin, a diminuição nas recompensas aos mineradores vai desincentivar a mineração e tirar muitos do mercado se o preço não se ajustar após isso.

Com a saída dos mineradores da rede, a segurança estará comprometida, assim como o declínio das taxas de hash, deixando a rede vulnerável a ataques de 51%, e o valor percebido em bitcoin também poderia diminuir.

A dicotomia para bitcoin com recompensas de mineração são reduzidas pela metade é que ou as taxas de transações terão que aumentar para compensar a perda dos mineradores, em que o uso do bitcoin como meio de pagamento (Lightning Network à parte) será redundante e, ao máximo, será utilizado apenas para grandes transferências de valor, ou terá que existir um uso alternativo para o bitcoin.

Sabendo que a Lightning Network é uma tentativa de melhorar a utilidade e relevância do bitcoin como uma moeda de pagamento, há a possibilidade de migração do consenso custoso e lento de proof-of-work para finalidade de pagamento, já que o sistema atual não gera taxas de transação com o objetivo de garantir a segurança nos pagamentos.

“Cálculos simples sugerem que quando as recompensas por bloco chegarem a zero, pode levar meses até que um pagamento em bitcoin seja final, a não ser que novas tecnologias sejam desenvolvidas para acelerar a finalidade de pagamento”, afirma o BIS.

Um ataque de 51% acontece quando mais da metade da rede está sendo controlada por uma pessoa ou um grupo de pessoas, o que quebra a ideia de consenso (Imagem: Pixabay)

Um ataque de 51% de bitcoin está se aproximando

O BIS deduz que com a redução no custo de equipamento de mineração, mineradores sem rentabilidade saindo da rede e seus excedentes de poder de hash barata disponíveis para aluguel, um ataque de 51% está mais próximo de acontecer do que antes.

O poder de hash necessário para garantir a segurança da rede é um derivativo da demanda de transações dos usuários da rede para que as taxas de hash flutuem uma atrás da outra, com a demanda de transações indicada por tamanho de bloco — quanto mais próximo o tamanho do bloco estiver do seu limite de 1MB, há mais demanda de transação.

Mineradores veem todas as transações pendentes e escolhem aqueles que maximalizam seu lucro de taxas, além de gerar um custo médio de transação.

Mas enquanto os blocos ainda tiverem espaço livre, o custo marginal ao minerador para incluir uma transação é 0, e os mineradores incluem qualquer transação a uma taxa zero.

Qual seria a melhor opção para garantir a mineração da rede? (Imagem: Pixabay)

“A tragédia do encadeamento comum”

No coração das baixas taxas de transação e baixos números de mineradores, o relatório supõe que é um “dilema de passageiro clandestino” em que o proof-of-work necessário para garantir toda transação em um bloco é pressuposto nas taxas fixadas a cada transação em um bloco, o suficiente para incentivar os mineradores.

Em geral, é de interesse dos usuários (pagantes) dispor de uma taxa generosa para os mineradores incluírem sua transação no próximo bloco e reduzir o tempo de confirmação, mas as taxas de transação são estabelecidas de forma privada.

Assim, a tendência individual é estabelecer uma baixa taxa de transação e “passageiros clandestinos” peguem carona em maiores taxas de transação do bloco.

No entanto, quando blocos recém-adicionados já estiverem no tamanho permitido pelo protocolo, de 1MB, o sistema congestiona e muitas transações entram na fila.

Existe uma relação positiva entre o período de transação e as taxas, e as taxas de transação só aumentam quando há demanda em excesso dos usuários, ou seja, quando os blocos estão atingindo sua capacidade de 1MB.

Para impedir que a “liquidez desapareça”, o relatório sugere que o Bitcoin e outras criptomoedas precisariam parar de usar proof-of-work — insustentável sem recompensas por bloco e em direção ao proof-of-stake ou “delegated proof-of-stake” (“prova de saldo delegada”).

A sidechain da RSK, assegurada pela rede Bitcoin, tenta unir os dois protocolos de consenso para garantir a segurança da rede (Imagem: Facebook/RSK Smart Contracts)

RSK: escalando bitcoin do jeito Ethereum

Pré-esvaziar a redução e as centenas de milhões de hardware de mineração se tornarão obsoletas já que os mineradores não terão renda, muitos projetos da Lightning Network e das sidechains da Liquid para Segwit estão tentando acrescentar mais funcionalidade ao bitcoin.

Outro projeto de sidechain menos falado é o RSK, que teve seu ICO no fim de 2018 e está tomando uma abordagem diferente ao escalar o bitcoin em uma direção parecida à da Ethereum, permitindo contratos inteligentes e consenso proof-of-stake.

RSK não é minerado da mesma forma, mas co-minerado com o bitcoin em uma “mineração fundida” — uma tarefa que permite a mineração simultânea de outros criptoativos sem custo adicional.

RSK usa um registro baseado em conta, como Ethereum, em vez do modelo UTXO (quantia não gasta em transações) de bitcoin.

Ethereum também vai sofrer uma redução nas recompensas por bloco, mas foi adiada com a atualização da sua bifurcação drástica (“hard fork“), Constantinople.

O propósito principal da redução no Ethereum é afastar os mineradores da mineração proof-of-work e aproximar do proof-of-stake. Isso será um processo gradual, mas a intenção é tornar a mineração financeiramente não econômica ao aumentar a dificuldade no algoritmo Ethash de proof-of-work.

RSK planeja oferecer funcionalidade e escalabilidade para os mineradores (Imagem: Pixabay)

Mantendo rentável a mineração de bitcoin

Como vimos do resultado de ataques de 51%, como no caso da Ethereum Classic, uma diminuição notável na segurança do bitcoin (ou de criptoativos) seriam negativos para seu preço. RSK planeja trazer esse valor agregado aos mineradores de bitcoin ao trazer funcionalidade com contratos inteligentes e escalabilidade para seu blockchain.

A moeda da RSK é minerada com cada bitcoin e vinculada em preço e existe no blockchain da RSK como um “bitcoin inteligente”.

Os protocolos de consenso da rede funcionam com a votação dos mineradores com poder de hash (1 voto) e voto RSK com proof-of-stake (1 voto) mas o protocolo é o mesmo que o bitcoin — o algoritmo de mineração SHA-256.

O resultado é mais produtividade de transação (inicialmente 300 transações por segundo), confirmações quase instantâneas e utilidade de contratos inteligentes, todos com a segurança da rede bitcoin.

O conceito é incentivar mineradores a continuarem minerando após a redução pela metade e interromper uma queda na taxa de hash ao acrescentar utilidade extra e escalabilidade para bitcoin como uma moeda, o que acrescenta a seu valor e rentabilidade de mineração.

O motivo para os aproximadamente 10 minutos entre cada bloco minerado em bitcoin é para garantir a segurança, pois dá tempo de as transações serem transmitidas e verificadas pelo máximo de pessoas na rede o possível. Isso gera um alto nível de descentralização, mas diminui a taxa de transferência.

No whitepaper de Nakamoto, supõe-se que um maior tempo de espera acrescenta exponencialmente a segurança da rede, pois a criação de novos blocos requer proof-of-work e maior tempos de espera se torna algo mais custoso.

Os mineradores transmitem as transações enquanto os nós não minerados seguram os hashes aos blocos que são gradualmente preenchidos com transações pelos mineradores.

A “demora” de 10 minutos entre cada transmissão de bloco se deve à garantia de segurança da rede (Imagem: Pixabay)

Por outro lado, a RSK usa protocolos de consenso diferentes ao bitcoin, DECOR+ e FastBlock5, que afirma que pode diminuir as taxas de verificação por bloco a 10 segundos sem criar incentivos para mineração centralizada.

Como os primeiros pioneiros de qualquer indústria, a perspectiva do bitcoin ser desfalcado como o “padrão de ouro” para criptoativos além de 2020 é uma grande possibilidade, considerando que seu valor de mercado depende de um modelo equilibrado em que o custo de atualização do blockchain é igual à recompensa.

Uma maneira de aliviar o custo/as recompensas de atualização e segurança do registro é, em parte, institucionalizar ou coordenar sua governança em vez de torná-la completamente descentralizada.

Isso poderia fornecer segurança contra ataques de duplo gasto, além de poder haver uma reversão garantida de evitar uma hard fork como aconteceu à Ethereum após o ataque de DAO (empresas autônomas descentralizadas).

Ao acrescentar a funcionalidade de contratos inteligentes e migrar para outro protocolo de consenso como o proof-of-stake ou o “delegated proof-of-stake” parece prático para escalamento, mas pode provavelmente impedir o bitcoin de se tornar uma reserva de valor e colocá-la em competição com eos ou ether. Ou os esforços da RSK podem provar que é possível ter ambos.

Uma vantagem que o bitcoin tem sobre os pioneiros anteriores, como a indústria de carros ou a aeronáutica, é que o código é maleável.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 30/05/2020 - 17:12