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Bitcoin consome menos energia do que o esperado, diz estudo

08/12/2019 - 17:00
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
“Pegada ambiental” é bem menor do que relatado por outras pesquisas; bitcoin caminha em direção à energia renovável (Imagem: Brave New Coin)

Estudos sobre o impacto ambiental do bitcoin se polarizaram, sugerindo que a mineração ou é um desperdício catastrófico de energia ou não é motivo de preocupação. A verdade está no meio termo.

A verdade, de acordo com um novo estudo feito por pesquisadores da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, está no meio termo.

Ao conduzir uma análise sobre o ciclo completo de mineração de bitcoin, Susanne Köhler e Massimo Pizzol afirmam ter encontrado um panorama mais esclarecido sobre o impacto ambiental da mineração de bitcoin.

Considerando todos os estágios do processo (da extração de matéria-prima e manufatura do equipamento de mineração à resolução de complexos quebra-cabeças matemáticos necessários para o proof-of-work), Köhler e Pizzol descobriram que a rede Bitcoin consumiu 31,3 terawatt-horas de eletricidade e geraram 17,3 megatoneladas de equivalentes de dióxido de carbono em 2018.

Esses números são menores do que as antigas estimativas que foram muito usadas por ambientalistas para criticar a rede por consumir mais eletricidade do que muitos países menores.

Fake News
Discrepância na apuração das informações gera dados incorretos sobre a mineração de bitcoin (Imagem: Pillar Pedreira/Agência Senado)

Suposições falhas

Em junho, um estudo realizado por Christian Stoll na Universidade Técnica de Munique (TUM) estimou que as emissões anuais de dióxido de carbono da rede Bitcoin eram de 22,9 milhões de toneladas métricas, uma quantidade parecida com a poluição produzida pela Jordânia.

Um novo estudo da Universidade de Aalborg sugere que essa conclusão é falsa, já que foi baseada nas suposições falhas sobre a origem da eletricidade utilizada para a mineração de bitcoins na China.

Separando a mineração em diferentes regiões da China, mostram que a contribuição dos mineradores na Mongólia, que depende bastante de combustível fóssil como carvão para gerar sua eletricidade, foi exagerada, já que a área possui apenas 12% de mineradoras de bitcoin.

Dizem que a maior concentração de mineradoras de bitcoin (30%) é em Sichuan, a província sudoeste da China, que tem uma temporada de chuvas prolongada que fornece muita eletricidade barata de hidroenergia.

A contribuição de Sichuan para as emissões de gás carbônico na mineração de bitcoin é mínima, mas deve ter sido unida, em pesquisas anteriores, com a mineração realizada pela eletricidade de combustíveis fósseis em regiões como a Mongólia.

Tais erros são fáceis de serem cometidos, assim como a facilidade em determinar as fontes de eletricidade utilizadas em determinado local, mas não é tão fácil rastrear as mineradores, que não possuem incentivo para relatarem publicamente sua localização.

A maioria das mineradores pertencem a um pool de mineração”, afirmou Köhler para a Brave New Coin.

“Apesar de ser possível descobrir onde é a sede de um pool de mineração, é mais difícil identificar a localização dos mineradores individuais. Eles podem entrar em um pool de mineração de outro país ou mudar de pools diversas vezes.”

O avanço da tecnologia de blockchain vai impulsionar a busca por alternativas de consumo de energia (Imagem: Pixabay)

Um futuro sustentável para a mineração

Com o aumento no número de transações, os críticos sugerem que o Bitcoin vai ficar cada vez mais faminto, impulsionando o alto consumo de eletricidade e as emissões de carbono relacionadas.

O estudo de Köhler é otimista, sugerindo que o número de mineradores vai continuar crescendo, mas que o impacto ambiental por minerador vai diminuir por conta da migração para fontes de energia renovável, para climas mais frios e para a adesão de equipamento de mineração mais eficaz energeticamente.

Köhler sugere que, a longo prazo, as operações de mineração mais competitivas vão ser “aquelas que podem se beneficiar de energia hidrelétrica ou geotermal” e tomar vantagem de melhorias em tecnologia de bateria para manter um fluxo estável de energia.

Andreas Antonopoulos é um dos maiores especialistas no universo cripto; ele é autor do livro “Mastering Bitcoin”, em que oferece um passo a passo sobre as questões terminológicas e possivelmente complexas sobre esse assunto (Imagem: Andreas M. Antonopoulos)

A outra possibilidade, já sugerida por especialistas como Andreas Antonopoulos, é que os mineradores podem começar a construir sua própria capacidade de energia renovável.

Em uma sessão de perguntas e respostas sobre a mineração de bitcoin, Antonopoulos sugeriu que o bitcoin pode ser usado como uma forma de armazenar energia de superávit de fontes de energia renovável que poderiam ser desperdiçadas.

Dessa forma, bitcoin poderia agir como um subsídio a projetos de energia alternativa em todo o mundo.

Em outro lugar, outras plantas de mineração de bitcoin já estão incorporando suas próprias fontes de energia. A Layer-1, empresa de mineração no Oeste do Texas, está construindo uma instalação que consiste em fazendas de mineração alimentadas por energia eólica.

Outros esquemas prometem mudar a mineração para um nível mais fundamental. Pesquisadores da Universidade de Cornell planejam utilizar fotônicos de silicone para consertar o problema principal do gasto computacional e permitir mineração de energia mais eficaz.

Enquanto isso ainda está em produção, a capacidade de novos hardwares criarem mudanças sísmicas na indústria de mineração já foi demonstrada em 2011 com a chegada das ASICs (circuitos integrados de aplicação específica).

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 31/05/2020 - 15:31