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Brasil discute cotas por empresa para exportação de carne bovina à China

12 fev 2026, 4:29 - atualizado em 12 fev 2026, 5:15
bovinos carne bovina china
(Imagem: REUTERS/Paulo Whitaker)

O governo federal poderá discutir em reunião nesta quinta-feira (12) um pedido do Ministério da Agricultura para estabelecimento de cotas por empresa para exportação de carne bovina para a China, disse nesta quarta-feira (11) o secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, à Reuters.

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Segundo ele, o Ministério da Agricultura estuda com o setor privado formas de evitar uma corrida desenfreada de exportações ao seu principal mercado, após o país asiático ter estabelecido no ano passado uma tarifa de 55% fora de uma determinada cota de importação.

Rua afirmou que o ministério fez o pedido para o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) avaliar a situação, considerando os riscos de uma desorganização do mercado brasileiro se todas as empresas correrem para exportar volumes dentro de uma cota.

A cota brasileira para exportações à China em 2026, sem a tarifa adicional, é de pouco mais de 1 milhão de toneladas.

“Já encaminhamos (ao Gecex) a exposição de motivos pensando em alternativas… para uma eventual decisão de controle dos volumes… É uma discussão, temos conversas com o setor privado em busca de alternativas que evitem uma corrida desenfreada nos embarques”, disse Rua.

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Conforme decisão da China em um processo sobre salvaguardas, o Brasil terá uma cota livre de tarifa de 1,106 milhão de toneladas em 2026, com incremento de cerca de 2% nos dois anos seguintes.

Mas a cota é inferior ao total que o Brasil exportou para a China em 2025, que somou mais de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina in natura, o que gerou preocupação aos frigoríficos.

Rua disse não ter informação se a solicitação do ministério entrou na pauta em reunião na quinta-feira do Gecex, órgão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), formada por representantes de vários ministérios.

Mas ele considerou que, quanto mais cedo houver uma decisão, melhor.

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“Tomaremos decisões quando as coisas tiverem clareza”, disse, acrescentando que será necessária uma avaliação jurídica. Já existe sistema de cotas semelhante para a exportação de carne de frango do Brasil para a União Europeia, ele disse.

A informação sobre uma eventual determinação de cotas de exportação por empresa foi publicada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo.

Questionado, Rua negou que o sistema seria uma interferência no mercado. “É simplesmente uma organização.”

Ele também disse que não se trata de contra-ataque ao processo de salvaguardas chinês, acrescentando que o país asiático deu liberdade ao Brasil para organizar suas exportações.

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Procurado pela Reuters, o presidente da Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo), Paulo Mustefaga, disse que desde o início o setor se posicionou favorável a uma negociação do governo brasileiro com a China para a eliminação da tarifa extra cota.

Caso isto não fosse possível, ele afirmou que o setor defenderia que a cota livre de tarifa fosse dividida entre as empresas, conforme o desempenho de cada uma em 2025, embora a forma de implementação da medida não seja unanimidade entre os exportadores.

Carne em trânsito

Rua comentou ainda que está “inconclusiva” a questão relacionada aos embarques de carne em trânsito, quando a China anunciou suas medidas de salvaguarda.

A dúvida é se os volumes a caminho do país asiático estariam ou não dentro da cota de 2026.

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Ele disse que a China não respondeu sobre o assunto.

Dados do setor privado indicam, segundo ele, que esses volumes girariam em torno de 250 mil toneladas.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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