Brasil faz 1ª exportação de sorgo para China em mais de 10 anos
O Brasil realizou em janeiro a sua primeira exportação de sorgo para a China desde 2014, mas em um volume que caberia dentro de um contêiner, de acordo com dados do governo brasileiro vistos pela Reuters.
A exportação de 25,830 toneladas — ainda não reportada — foi a primeira ao país asiático em mais de dez anos após estabelecimentos comerciais terem sido habilitados a exportar o cereal à China em novembro do ano passado.
Na última vez que a China comprou sorgo brasileiro, em 2014, o volume adquirido ao longo do ano somou 1.374,5 toneladas. Em 2013, o país asiático comprou um pouco mais de 5.000 toneladas, segundo dados do governo brasileiro.
Depois disso, as informações oficiais não identificam mais vendas de sorgo do Brasil à China.
Mas há expectativas de que os volumes aumentem enquanto a China busca diversificar a oferta de insumos para a produção de ração animal, após ter travado em 2025 uma disputa comercial com os Estados Unidos, tradicional fornecedor dos chineses.
O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Glauber Silveira, disse que a expectativa é de que os chineses passem a comprar sorgo brasileiro, após um trabalho que sanou preocupações fitossanitárias do país asiático, permitindo as habilitações dos exportadores.
“A gente teve uma vistoria da China, levamos eles para vistoriar algumas áreas” por conta da preocupação fitossanitária, disse Silveira, ao comentar visita de missão do país asiático ao Brasil no ano passado, que culminou com as habilitações.
“Com a questão sanitária sanada, agora estamos tendo os embarques”, ressaltou Silveira, ao analisar o dado da exportação de janeiro.
Ele disse não ter informação sobre novas vendas à China, mas crê que a abertura da China viabilizará negócios de sorgo, ainda que o Brasil, com sua crescente indústria de etanol de grãos, também tenha uma demanda forte pelo produto.
“A gente não tem tantos volumes para exportar, pois temos um consumo também, não está sobrando sorgo no Brasil”, disse.
Um embarque de cerca de 25 toneladas é visto como tendo sido realizado para algum importador menor ou mesmo para a avaliação da qualidade do produto, segundo comentário de uma fonte do setor, que pediu para não ser identificada.
O Brasil, maior exportador de soja e o segundo de milho, tendo a China como sua principal parceira comercial, produz e exporta pouco sorgo em relação aos principais produtos agrícolas.
No ano passado, a exportação brasileira de sorgo somou 105 toneladas, com o Catar absorvendo todo o volume, enquanto a exportação de soja, por exemplo, somou 108,2 milhões de toneladas, segundo dados do governo, com a China tomando mais de 85 milhões de toneladas.
Em 2024, as exportações totais de sorgo brasileiro foram mais altas, na casa das milhares de toneladas — 178,4 mil toneladas, com a África do Sul comprando a maior parte –, mas ainda assim os volumes ficaram abaixo das milhões de toneladas de embarques de soja e milho.
Para a safra atual, a projeção da estatal Conab é de aumento de quase 10% na safra brasileira de sorgo, para 6,7 milhões de toneladas.