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‘Brasil: Tão ruim que está bom?’ Desconto excessivo é chamariz de gringo, diz XP; veja onde eles estão de olho

13 jun 2024, 18:22 - atualizado em 14 jun 2024, 9:50
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Desconto excessivo e problemas em outros mercados emergentes trazem a possibilidade de o Brasil atrair gringos (Imagem: REUTERS/ Carla Carniel)

O sentimento dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil não está tão ruim quanto parece, afirma o estrategista chefe e head de research da XP Inc., Fernando Ferreira.

Apesar do desempenho “ruim” do mercado brasileiro, da falta de expectativas na curva de juros e câmbio, e do fluxo de capital externo em R$ 40 bilhões negativos na B3, Ferreira se deparou, em reunião com os gringos, com um público mais preocupado com questões recentes de outros mercados emergentes.

“Eu esperava que os investidores estivessem bastante preocupados com a situação no Brasil, mas não foi isso que vi, já que os preços deprimidos no Brasil e as questões recentes em outros mercados emergentes relevantes começaram a chamar a atenção de vários investidores”, disse, após encontros em Londres.

Segundo o estrategista chefe da XP, o valuation da bolsa brasileira começa a chamar a atenção dos investidores estrangeiros. “Os problemas recentes em outros mercados emergentes importantes trouxeram a possibilidade de o Brasil atrair novamente fluxos de entrada”, ressalta.

Ferreira explica que o eventual início da flexibilização dos juros nos Estados Unidos (EUA) é um potencial catalisador para o mercado brasileiro. Vale destacar que, no comunicado de ontem (12), o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) antecipou apenas um corte nas taxas este ano.

Já do lado nacional, melhorias nas perspectivas fiscais, com redução de despesas, e na política monetária, com o Banco Central (BC) reancorando expectativas, devem ajudar a atrair os gringos, segundo o estrategista.

“Os fluxos serão revertidos? A ser visto… Agora, é hora de monitorar e ver se teremos mudança nas entradas externas ou não”, diz.

É hora de abandonar a postura defensiva?

O estrategista afirma que, nas reuniões, diversos investidores estrangeiros questionaram o portfólio defensivo da XP. A carteira da casa é voltada para commodities — em especial, o petróleo —, serviços públicos, bancos, shoppings e supermercados.

“Ouvimos diversas dúvidas sobre ações ‘beta’ mais altas e mais sensíveis às taxas, como Localiza (RENT3), Rumo (RAIL3), Renner (LREN3) e outras”, diz.

Entre as commodities, os gringos concordam com a adição da Petrobras (PETR3PETR4) ao portfólio. Já entre as companhias de óleos e gás juniores não parece haver muito interesse.

Em relação ao minério de ferro, a Vale (VALE3) ainda é vista de forma negativa. No agronegócio, alguns olham para a Suzano (SUZB3), mas preocupados com o potencial acordo com a International Paper (IP).

Cenário segue turbulento

Lá fora, o Federal Reserve (Fed) já deu as cartas para a política monetária durante 2024. Quatro dirigentes do Fomc não veem nenhuma redução em 2024, sete esperam um só corte e oito projetam dois. Portanto, a maioria não espera mais de uma diminuição na taxa de referência este ano.

O presidente do Fed, Jerome Powell, ainda destacou que o Comitê precisa de mais dados positivos para reforçar a confiança e começar a flexibilização. “A inflação diminuiu substancialmente, passando de um pico de 7% para 2,7%, mas ainda está elevada. […] segue acima da nossa meta”, afirmou.

No Brasil, as notícias também não são animadoras. Os bancos já estão atualizando suas projeções para a Selic, dizendo que o BC deve pausar a flexibilização da política monetária e manter os juros acima de 10%.

Além disso, ontem, o Ibovespa derreteu 1,40%, a 119.936,02 pontos. O motivo: ruídos vindos de Brasília e a perda de confiança dos investidores no arcabouço fiscal. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, anunciou decisão de devolver ao presidente a Medida Provisória que restringe a compensação de créditos de PIS/Cofins.

Acontece que a MP foi editada pelo Ministério da Fazenda para cobrir o rombo gerado pela desoneração da folha salarial, que irá gerar uma perda de arrecadação de R$ 29 bilhões.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também não ajudou ao dizer, em evento, que “o aumento da arrecadação e a queda da taxa de juros permitirão a redução do déficit sem comprometer a capacidade de investimento público”.

Editora-assistente
Editora-assistente no Money Times e graduanda em Jornalismo pela Unesp - Universidade Estadual Paulista. Entrou para a área de finanças e investimentos em 2021.
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