Braskem (BRKM5) negocia recuperação extrajudicial para antes de julho, diz agência
A Braskem (BRKM5) busca apoio dos seus credores para iniciar um processo de recuperação extrajudicial (RE) antes do pagamento de dívidas previstas para julho, segundo informações da Bloomberg News.
Diferentemente da recuperação judicial (RJ), a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores, sem a necessidade de seguir todo o processo judicial típico da RJ.
Dessa maneira, o processo tende a ser mais rápido, menos burocrático e mais barato que a recuperação judicial, focado no acordo voluntário para reestruturar passivos.
Vale destacar ainda que a RE viabiliza uma suspensão de 90 dias no pagamento de dívidas. Durante o período a empresa deve buscar apoio de credores que representem a maioria da dívida para a aprovação de um plano final de reestruturação.
Segundo fontes a par do assunto ouvidas pela Bloomberg News, a Braskem avalia o pedido de recuperação extrajudicial para assim que tiver o apoio de detentores de um terço da dívida. No entanto, ainda não está descartada a possibilidade de proteção judicial por meio de medida cautelar.
A petroquímica já havia considerado a medida cautelar, que consiste em uma forma temporária de proteção contra credores, no início deste ano, em meio à pressão financeira.
O que está acontecendo com a Braskem?
O desempenho operacional da Braskem sofreu com um cenário global desfavorável ao setor petroquímico, marcado por margens mais apertadas e menor demanda em mercados estratégicos.
Além disso, a situação passou por agravamentos causados por questões internas, como os desdobramentos do desastre ambiental em Maceió, relacionado à exploração de sal-gema, com a geração de custos e incertezas jurídicas.
As questões na petroquímica incluem ainda as diversas tentativas de a Novonor (ex-Odebrecht) vender a fatia na companhia.
Em meados de abril, a Braskem informou ao mercado que a Novonor (ex-Odebrecht) e a NSP Investimentos assinaram contrato para vender o controle da petroquímica ao fundo de investimento em participação Shine I (Shine I FIP), assessorado pela IG4.
Os mercados globais de petroquímicos passam por um período de forte volatilidade após os aumentos registrados em março e abril, impulsionados pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos impactos nas cadeias de suprimento. O mercado observa sinais de fraqueza da demanda.
1T26 da Braskem
A Braskem registrou um lucro líquido de R$ 1,446 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 107% em relação ao mesmo período de 2025, de acordo com o documento divulgado em meados de maio.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente alcançou R$ 1,0 bilhão no primeiro trimestre, queda de 24% frente ao ano anterior, enquanto a receita líquida caiu 20%, somando R$ 15,488 bilhões.
Segundo a empresa, apesar de o conflito no Oriente Médio ter elevado significativamente a volatilidade nos mercados internacionais a partir de março, principalmente os preços de energia, interrompendo parcialmente a trajetória de queda da inflação, o resultado trimestral “não foi impactado materialmente”.
O endividamento bruto corporativo da Braskem fechou o trimestre em US$ 9,4 bilhões, incluindo o saque da linha de crédito stand-by em outubro de 2025. A dívida em moeda estrangeira representava 91% do total, com prazo médio de 7,4 anos em março de 2026 e custo médio de variação cambial +6,34% ao ano.
A dívida líquida ajustada encerrou o período em US$ 8,483 bilhões, alta de 13% em relação ao trimestre anterior e 27% frente ao mesmo período de 2025. A alavancagem corporativa atingiu 16,81 vezes, 14% superior ao trimestre anterior e mais que o dobro do verificado na comparação sazonal.