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BTG aponta os quatro vencedores do agronegócio com acordo União Europeia-Mercosul

13 jan 2026, 12:08 - atualizado em 13 jan 2026, 12:08
mercosul-união europeia agronegócio (1)
(iStock.com/rarrarorro)

Mesmo avaliando que o impacto do acordo entre a União Europeia e o Mercosul para o agronegócio será limitado e gradual, o BTG Pactualcafé, aves, etanol e açúcar como os segmentos com maior potencial de ganho estrutural.

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Sem citar nomes específicos, os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla afirmam que há espaço para diversas empresas do setor se beneficiarem do acordo no longo prazo, ainda que de forma modesta e progressiva, com melhora nas condições de preços e leve ampliação dos mercados endereçáveis de exportação.

Ainda assim, o banco ressalta que há nuances importantes para os produtos do agronegócío.

Açúcar e etanol

O acordo mantém a cota existente de 180 mil toneladas de açúcar e elimina as tarifas dentro desse volume.

Essa cota equivale a cerca de 3% das exportações brasileiras de açúcar em 2025, mas as vendas para a União Europeia já superam esse limite em aproximadamente 670 mil toneladas, o que indica um impacto incremental limitado.

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Na prática, os produtores podem se beneficiar de preços realizados mais elevados dentro da cota, mas os volumes exportados tendem a mudar pouco.

Para o etanol, foi criada uma cota de 650 mil toneladas, sendo 450 mil toneladas livres de tarifa, destinadas à indústria química, e as 200 mil toneladas restantes sujeitas a uma tarifa de € 6,4 por hectolitro.

Esses volumes representam cerca de metade das exportações totais de etanol do Brasil e mais de três vezes o que a UE importou do país em 2025. Ainda assim, como as exportações respondem por apenas cerca de 4% da produção total de etanol, o impacto é limitado.

Com a expansão do etanol de milho adicionando entre 1 e 2 bilhões de litros de capacidade por ano, um mercado exportador mais amplo e com preços melhores é visto como positivo, embora insuficiente em termos de volume.

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Proteínas

O acordo introduz cotas com tarifas reduzidas ou zeradas para importações de proteínas. De forma geral, a notícia é positiva do ponto de vista de preços, mas os volumes adicionais são limitados e pouco prováveis de alterar significativamente a dinâmica do setor, segundo o BTG.

Carne bovina

Foi estabelecida uma cota inicial de 16,5 mil toneladas, com tarifa de 7,5%, que aumentará gradualmente até 99 mil toneladas em 2031.

Volumes acima desse limite continuarão sujeitos a uma tarifa de 12,8%, além de um imposto específico por peso entre € 1,4 e € 3,0 por quilo, resultando em uma tarifa efetiva próxima de 40%, em linha com os níveis atuais.

Embora as novas condições favoreçam as exportações para a Europa, o volume dentro da cota representa apenas 0,1% da produção total estimada do Mercosul em 2025 (ou 0,3% das exportações), chegando a 0,6% da produção em 2031 (ou 1,6% das exportações). Em termos de volume, o impacto é pouco relevante, disse o banco.

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Ainda assim, o BTG destaca que frigoríficos podem se beneficiar de um mix de vendas melhor, já que o preço pago pela UE pela carne bovina brasileira em 2025 foi cerca de 60% superior ao preço médio de exportação do Brasil.

Frango

Para aves, a oportunidade é maior e tende a ser mais transformacional ao longo da próxima década.

A nova cota livre de tarifas começa em 30 mil toneladas e sobe gradualmente até 180 mil toneladas em 2031. Isso equivale a cerca de 0,2% da produção total do Mercosul e 0,6% das exportações, chegando a 1,0% e 3,5%, respectivamente, em 2031.

Como o Brasil responde por aproximadamente 90% da produção do Mercosul, deve capturar a maior parte dessa cota. Em 2031, o volume final poderia elevar as exportações brasileiras de aves para a UE em 65%, aumentando gradualmente a relevância do bloco como destino.

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Do ponto de vista de mix, o acordo é positivo, já que os preços de importação da UE ficaram cerca de 60% acima da média dos preços de exportação do Brasil em 2025. Ainda assim, mesmo que o Brasil capturasse toda a cota já em 2026, isso representaria apenas 0,2% da produção doméstica de carne de frango, sem impacto material em um cenário mais desafiador de preços e margens.

Suínos

As exportações brasileiras de carne suína para a UE historicamente são próximas de zero. Mesmo com a utilização total da cota de 25 mil toneladas em 2031, a UE representaria apenas 1,4% das exportações totais, implicando um aumento anual marginal de cerca de 0,25%, sem relevância material.

Bens de consumo

Café e arroz também se beneficiam do acordo.

Para o café, não foi definida cota, e as tarifas atuais de 7,5% serão eliminadas gradualmente ao longo de quatro anos. Como a UE é o principal destino das exportações brasileiras — respondendo por 47% do volume em 2025 —, a medida tende a sustentar as exportações e melhorar a competitividade do Brasil no mercado europeu.

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No caso do arroz, o acordo estabelece uma cota de 60 mil toneladas livres de tarifa, a ser implementada ao longo de seis anos. O volume é quase o dobro das exportações brasileiras para a UE em 2025 e equivale a 7% das exportações totais. Volumes acima da cota pagarão tarifas entre € 65 e € 211 por tonelada, a depender do produto.

A  Camil (CAML3) pode se beneficiar por meio de suas operações no Uruguai e no Paraguai.

Grãos

Não houve mudanças relevantes na dinâmica tarifária para grãos. Soja e farelo de soja já entram na UE sem tarifas, e isso permanece inalterado. As tarifas do óleo de soja cairão gradualmente para uma faixa entre 3,2% e 9,6%.

Para o milho, a nova cota de 1 milhão de toneladas livres de tarifa, implementada ao longo de seis anos, não deve afetar os volumes brasileiros, já que as exportações atuais para a UE superam esse nível em cerca de três vezes.

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O que muda para o agronegócio com o acordo?

A expectativa é que o acordo seja assinado em 17 de janeiro, mas ele ainda depende de ratificação pelo Parlamento Europeu.

Uma vez implementado, o acordo eliminará gradualmente tarifas sobre cerca de 91% do comércio bilateral, melhorando o acesso ao mercado para exportações do Mercosul, especialmente de produtos agropecuários.

A União Europeia é historicamente um dos principais parceiros comerciais do Brasil, respondendo por 15% das exportações agrícolas totais em 2025, mesmo antes de qualquer acordo formal. Apesar da ascensão da China e de outros países asiáticos, a UE segue sendo um mercado relevante.

O BTG ressalta três pontos de atenção:

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  1. O acordo ainda precisa ser ratificado, o que abre espaço para ajustes regulatórios;
  2. A distribuição das cotas entre os países do Mercosul só será definida após a ratificação, limitando a visibilidade sobre os impactos para o Brasil;
  3. A maior parte das reduções tarifárias e cotas será implementada de forma gradual, reduzindo os efeitos no curto prazo.

Além disso, o acordo inclui um mecanismo bilateral de salvaguarda agrícola, que permite à UE suspender temporariamente tarifas preferenciais por meio de procedimentos mais rápidos caso as importações sejam consideradas prejudiciais aos produtores locais — um ponto que pode gerar incertezas, à semelhança do que ocorreu recentemente com as salvaguardas impostas pela China à carne bovina.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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