BTG rebaixa São Martinho (SMTO3) e Jalles (JALL3) com Brent de US$ 90 no radar e à espera de Petrobras
O BTG Pactual rebaixou as recomendações de São Martinho (SMTO3) e Jalles (JALL3) de compra para neutro, em meio a um cenário-base que considera o petróleo Brent crude oil a US$ 90 por barril e incertezas sobre o repasse de preços no Brasil. O banco também rebaixou Adecoagro para neutro.
Segundo o banco, o setor de açúcar e etanol continua sendo, em grande parte, dependente do comportamento do petróleo. Em tese, a alta do Brent deveria impulsionar os preços da gasolina, melhorar a competitividade do etanol e sustentar também o açúcar.
O problema, porém, não está no petróleo em si — mas na forma como esse movimento se transmite ao longo da cadeia.
À espera da Petrobras — e do repasse
Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla afirmam que a primeira etapa da tese deve se concretizar: os preços de refino tendem a subir, especialmente se o estatuto da Petrobras for seguido.
A dúvida está no que vem depois.
Em um ano eleitoral, o banco vê como incerto o repasse integral dessa alta ao consumidor final. O governo pode atuar para suavizar os preços na bomba, especialmente por meio de impostos federais — um instrumento que já vem sendo utilizado recentemente.
Na prática, isso pode interromper a transmissão entre o petróleo e o etanol, reduzindo o impacto positivo esperado para as usinas.
Valuation mais justo para São Martinho e Jalles após rali
No cenário traçado pelo BTG, os preços projetados já estão próximos dos níveis atuais de mercado: cerca de R$ 2,6 mil por metro cúbico para o etanol hidratado e 16,4 centavos de dólar por libra para o açúcar.
Com isso, São Martinho (preço-alvo de R$ 25) e Jalles Machado (preço-alvo de R$ 5) passam a negociar com yields de fluxo de caixa livre (FCF) de 9% e 13% para 2027, respectivamente.
Após a forte valorização das ações no ano, o banco avalia que esses níveis já não são particularmente atrativos frente a outras empresas de commodities ou ao histórico do setor.
Tese ainda positiva — mas com mais risco
O BTG reforça que a lógica estrutural do setor permanece válida: preços mais altos de etanol tendem a incentivar a migração do mix para o biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar e sustentando as cotações globais.
Ainda assim, essa dinâmica não tem se materializado como esperado até agora — e, sem uma transmissão eficiente dos preços, o potencial de alta das ações fica limitado.
Diante desse cenário, o banco entende que o risco-retorno perdeu atratividade no curto prazo, justificando o rebaixamento das recomendações.