C&A (CEAB3) na liquidação? Ação pode quase dobrar de preço, calcula Safra; plano estratégico agrada
As ações da C&A (CEAB3) operam entre os destaques positivos do Ibovespa (IBOV) nesta quinta-feira (27), com a boa recepção do mercado ao Investor Day realizado pela companhia, onde a administração apresentou o plano “Full Power” para o ciclo estratégico dos próximos três anos.
Por volta de 12h30 (horário de Brasília), as ações subiam 4,59%, cotadas a R$ 8,21. Na máxima do dia, até esse horário, o avanço chegou a 5,73%. Acompanhe o tempo real.
O plano da C&A é dar continuidade aos ganhos de produtividade e rentabilidade dos últimos anos com o ciclo “Energia”, que vigorou de 2024 a 2026, focando na expansão e remodelação do parque de lojas, integração tecnológica e logística, além do crescimento do ecossistema financeiro C&A Pay.
A empresa projeta a abertura de 60 a 80 novas lojas no período, mantendo o foco em cidades com até 500 mil habitantes, além de reforçar sua estrutura de capital e governança.
A companhia estabeleceu uma meta de ROIC (retorno sobre o capital investido) mínimo superior a 18% para novos projetos e alinhando a remuneração executiva à criação de valor a longo prazo.
Ação pode quase dobrar de preço
Na leitura do Safra, a administração apresentou um roteiro claro para ampliar os ganhos de produtividade obtidos com o Energia e acelerar o crescimento por meio de uma implementação mais ampla dos programas Energia e Dispersão, da expansão de lojas e de uma maior penetração omnicanal.
“Também ficamos encorajados com o foco em tecnologia, IA e otimização da cadeia de suprimentos, que devem contribuir para uma maior assertividade do sortimento e ganhos adicionais de produtividade”, diz o banco.
Ainda que as ambições para o período entre 2027 e 2030 ainda dependam da execução, a bem-sucedida entrega do ciclo Energia reforça a confiança de que a C&A ainda possui espaço relevante para crescimento rentável e melhorias operacionais.
O Safra tem classificação Outperform (equivalente à compra) para a a C&A, com preço-alvo de R$ 15,50, o que implica um potencial de alta de 97% ante o preço do último fechamento.
Já o Bradesco BBI vê as ambições da varejista como realistas, com o roteiro do programa “Full Power” sustentado pela forte redibilidade de execução conquistada pela empresa nos últimos anos.
“Negociando a múltiplos atrativos de 4,5x (P/L) para 2027, consideramos as ações da companhia baratas demais para serem ignoradas, mantendo nossa visão positiva para o papel”, dizem os analistas.
Visão construtiva para o longo prazo da C&A
A XP Investimentos vê a C&A como uma companhia mais capacitada entrando em um novo ciclo.
O Energia, plano estratégico anterior, entregou crescimento de cerca de 30% nas vendas de vestuário, expansão acumulada de aproximadamente 5 pontos percentuais da margem bruta do varejo e uma migração para uma posição de caixa líquido, destacam os analistas.
“Em nossa visão, a principal mensagem esteve menos relacionada aos números e mais às capacidades deixadas pelo ciclo, que agora sustentam uma companhia com maior capacidade de investir e executar”, dizem os analistas.
A administração foi franca em relação ao cenário, reconhecendo a concorrência mais acirrada e um ambiente macroeconômico mais complexo, incluindo apostas e concorrentes cross-border como ventos contrários.
“Saímos construtivos em relação à tese de longo prazo, embora permaneçamos cautelosos no curto prazo diante de um cenário macroeconômico mais difícil e de uma concorrência mais acirrada”, afirma.
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