Capacidade de armazenagem cresce, mas Brasil ainda precisa investir R$ 148 bilhões para eliminar déficit
A capacidade estática de armazenagem de grãos do Brasil avançou 1,1% no segundo semestre de 2025, alcançando 233,8 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pelo IBGE. Apesar do crescimento, o volume segue distante da necessidade do setor diante da expansão da produção agrícola nacional, que deve atingir um recorde de 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/26.
O levantamento mostra que o número de estabelecimentos armazenadores chegou a 9.668 unidades, alta de 0,5% em relação ao primeiro semestre de 2025. Os silos continuam sendo a principal estrutura de armazenagem do país, concentrando capacidade para 124,7 milhões de toneladas, o equivalente a 53,3% do total disponível.
Ainda assim, o ritmo de ampliação da infraestrutura não acompanha o avanço da produção agrícola brasileira. Segundo a Kepler Weber, empresa especializada em soluções para armazenagem e movimentação de grãos, a produção nacional cresce a uma taxa média anual de 6,7% desde 2016, enquanto a expansão da capacidade de armazenagem ocorre em velocidade menor.
“Os números evidenciam que os investimentos em armazenagem ainda não acompanham a evolução da produção agrícola brasileira. Esse descompasso gera custos elevados para o país e para os produtores, que muitas vezes são obrigados a armazenar grãos a céu aberto, comprometendo a qualidade e aumentando as perdas”, afirma o CEO da companhia, Bernardo Nogueira.
O desafio ganha dimensão ainda maior diante da revisão mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que elevou a estimativa para a safra 2025/26 para 358,6 milhões de toneladas — cerca de 600 mil toneladas acima da temporada anterior.
Com a produção em patamar recorde e a capacidade estática em 233,8 milhões de toneladas, o déficit de armazenagem deve chegar a aproximadamente 135 milhões de toneladas. Para zerar essa lacuna e garantir espaço adequado para toda a produção prevista, a Consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio estima que o país precisaria investir cerca de R$ 148 bilhões em novas estruturas de armazenagem.
A insuficiência de silos e armazéns é considerada um dos principais gargalos logísticos do agronegócio brasileiro, afetando a eficiência da comercialização, elevando custos de transporte e aumentando o risco de perdas de qualidade dos grãos após a colheita. Com safras cada vez maiores, especialistas apontam que a expansão da capacidade de armazenagem será fundamental para sustentar o crescimento do setor nos próximos anos.