Entrevista

Casas Bahia (BHIA3) deixa ‘modo de sobrevivência’ para trás e espera gerar caixa e lucro neste ano, segundo o CFO

27 mar 2026, 7:00 - atualizado em 26 mar 2026, 17:02
Elvio Ito Casas Bahia (2)
Elcio Ito, CFO da Casas Bahia. (Imagem: Divulgação)

A Casas Bahia (BHIA3) encerrou em 2025 mais um ano do seu processo de reestruturação e conseguiu deixar para trás o “modo de sobrevivência”, de acordo com o diretor financeiro (CFO), Elcio Ito, em entrevista ao Money Times.

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O executivo destacou a trajetória de execução da companhia, que vem arrumando a casa nos últimos anos, e disse que os impactos diretos na operação devem começar a se mostrar mais evidentes já ao longo de 2026, trazendo dados positivos na última linha do balanço.

“No operacional, fomos evoluindo na transformação da estrutura de capital. Acho que esse foi o grande evento do trimestre. Passamos de uma fase em que deixamos para trás um modo de sobrevivência e agora passamos para a fase de olhar para a questão do caixa, da rentabilidade e do lucro líquido. […] O caixa e o lucro vão vir”, disse.

Num cenário esperado de queda da Selic, os ventos devem ajudar os planos da companhia. “De agosto de 2023, quando lançamos o plano [de reestruturação], até hoje, nós só enfrentamos ventos contrários no macro. Mesmo assim, vimos evolução dos trimestres operacionais e a transformação do balanço”, afirmou Ito. “Cumprimos uma jornada importante de nove trimestres aqui e com o vento contra. Então, se tivermos qualquer evento favorável, vai nos ajudar.”

De olho nas despesas financeiras

Para alcançar o objetivo de gerar caixa e lucro, o CFO da Casas Bahia cita três alavancas: redução das despesas financeiras, alavancagem comercial focada em crescimento e crescimento da rentabilidade.

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A melhora das despesas financeiras é uma das ordens centrais da companhia para chegar no lucro líquido, segundo ele. “Em grande parte das linhas do crediário, nós já temos uma redução significativa de custos. Saímos de 150% para 125% do CDI, transformamos uma linha de curto prazo em longo prazo.”

Segundo Ito, após o trabalho realizado no ano anterior, os impactos devem começar a se refletir nas demonstrações financeiras a partir desse primeiro trimestre. E não deve ser de uma vez, mas, sim, algo gradual ao longo do ano.

O ponto de partida, no entanto, já está estabelecido, com um balanço com menor alavancagem. “É uma questão de risco-retorno. Quanto maior o risco, mais você vai cobrar. Quanto menor o risco, menor o seu spread de crédito. Então, é isso que está acontecendo aqui agora e, aos pouquinhos, a gente vai reduzindo”, pondera.

Para auxiliar nesse processo, ativos da financeira FIC já foram vendidos, com R$ 265 milhões que devem entrar nos próximos meses como caixa que auxilia na redução de dívida da companhia.

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Em busca de mais rentabilidade

A companhia também busca crescer resultados monetários nominais, em um cenário onde está cada vez mais consolidada como o maior player 1P (com estoque próprio) do Brasil. “Tivemos crescimento no online muito forte no trimestre e isso também vai dando a escala e a alavancagem comercial da companhia para continuar crescendo”, diz Ito.

Por fim, o terceiro grande pilar citado pelo executivo é o crescimento da rentabilidade. “O dinheiro vem do crediário e de serviços. Sempre colocamos a nossa estratégia de rentabilizar todo o ecossistema. Ele passa também pelo crediário, que é a nossa estratégia central da companhia. O crediário ajuda a vender mais.”

De acordo com Ito, a penetração do crediário online, que era de 1% a 3%, hoje está batendo os 9%, enquanto na loja física está acima de 26%. O objetivo da companhia é elevar a penetração em ambos os canais.

“Temos uma demanda enorme de crediário para ser utilizado, mas, dado o cenário macroeconômico, a gente fica mais conservador na concessão de crédito”, pondera o executivo.

Como lidar com a Selic alta

Quando a Selic cai, automaticamente a Casas Bahia lida com cerca de R$ 170 milhões a menos de juros, de acordo com o diretor financeiro. No entanto, Ito reconhece que o impacto de juros mais baixos na companhia é ainda maior que isso.

“[A queda dos juros] impacta demanda, a parte de cima do resultado. Vai impactar a quantidade de crediário que eu dou e a inadimplência do crediário. Então, [a Selic] movimenta todo o meu DRE (demonstração de resultados) de forma positiva ou negativa, dependendo da trajetória dos juros”, diz Ito.

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Neste mês, após um longo período com a taxa básica de juros (Selic) estacionada em 15% ao ano, houve um corte de 0,25 ponto percentual e a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou a continuidade da queda dos juros, um benefício que deve ser capturado de forma gradual pela empresa.

A Casas Bahia, no entanto, afirma que não está dependente dos juros caírem para atingir seu objetivo. “Não estamos dependendo ou esperando esse movimento do Banco Central para chegarmos nessa posição de lucro ou de fluxo de caixa positivo. Isso depende muito internamente da nossa execução.”

Loja física é fortaleza, mas presença no e-commerce cresce

Um dos aspectos centrais da reorganização da Casas Bahia passou justamente por focar nas categorias em que é forte, que incluem bens duráveis e eletrodomésticos. Neste sentido, a companhia segue tendo a loja física como uma fortaleza para o negócio.

O foco no físico, no entanto, não apagou a presença da varejista no e-commerce, que, recentemente, anunciou parceria com a Amazon para a comercialização de seus produtos. Em outubro de 2025, a companhia havia fechado parceria semelhante com o Mercado Livre (MELI34).

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De acordo com o executivo, a presença da varejista no Mercado Livre elevou o tráfego inclusive no site próprio da Casas Bahia, de consumidores que comparam preços em ambas as plataformas. Ito destacou que os canais permitem controlar preços e condições de pagamento, ampliando as opções para o consumidor.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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