Casas Bahia (BHIA3) fecha 298 lojas e demite 1,9 mil funcionários, diz jornal
A Casas Bahia (BHIA3) fechou 298 lojas e demitiu 1.900 pessoas em um processo de corte de custos, segundo informações do Valor Econômico. De acordo com a apuração do jornal, a companhia deve detalhar ao mercado o plano para redução de despesas nos próximos dias.
Fontes ouvidas pelo Valor afirmaram que o fechamento de 298 lojas, de um total de pouco mais de mil unidades, está ocorrendo nesta sexta-feira (14). O número representa cerca de 28,7% do total de pontos no Brasil.
A redução chama atenção justamente pelo número expressivo, uma vez que ajustes ocorrem ao longo dos trimestres, mas de forma mais fragmentada. Ao final de 2025, a Casas Bahia contava com 1.042 lojas, número menor que as 1.064 do ano anterior e 1.078 em 2023.
O Valor noticiou, ainda, que cerca de 600 funcionários já foram desligados na quinta-feira (13), enquanto outros 1.300 a 1.400 cortes estavam previstos para hoje. Uma fonte chegou a estimar um enxugamento de 3.000 funcionários.
Procurada pelo Money Times para confirmar as informações, a Casas Bahia não retornou até o momento de publicação desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamento.
A companhia adiou a data de publicação do balanço referente ao segundo trimestre de 2026 (2T26) de quarta-feira (12) para esta sexta-feira (14). A teleconferência com executivos da companhia ocorrerá apenas na segunda-feira (17).
No primeiro trimestre deste ano, a varejista teve prejuízo líquido de R$ 1,06 bilhão, pressionado pelo resultado financeiro, mas o desempenho operacional mostrou evolução.
A receita líquida das Casas Bahia cresceu 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 7,4 bilhões, enquanto as despesas com vendas, gerais e administrativas tiveram alta de 5,4%, para 1,7 bilhão. A margem bruta da companhia ficou em 30,3%, de 30,2% um ano antes.
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Pressão financeira
A Casas Bahia enfrenta uma pressão financeira em meio a um cenário macroeconômico desfavorável, com pressão sobre a renda disponível e endividamento das famílias.
Em teleconferência de resultados após o primeiro trimestre, o CEO da companhia, Renato Franklin, afirmou que a empresa permanece executando uma estratégia focada em rentabilidade, geração de caixa e disciplina na concessão de crédito, sem perseguir “crescimento a qualquer custo”.
Franklin reconhece que o cenário macroeconômico, com a taxa básica de juros (Selic) ainda em patamares elevados, impacta a companhia e gera um risco de inadimplência, o que leva a Casas Bahia a adotar uma postura rigorosa na concessão de crédito.
“O macro esse ano, na nossa visão, ainda tem bastante volatilidade. Existe um cenário geopolítico volátil, tem eleição, que traz volatilidade e possível impacto na inflação que pode retardar a queda de juros”, ponderou o executivo.
“Temos uma estratégia bem definida, estamos conscientes do cenário macroeconômico e não estamos contando com a melhora do macro, se vier é upside, mas temos um plano claro para endereçar esse cenário macro desafiador e transformar a companhia numa companhia rentável que gera valor”, completou.
O plano da Casas Bahia, segundo o CEO, passa por melhoria do resultado financeiro, com redução da despesa financeira e aumento de eficiência operacional, trazendo alavancagem operacional, crescimento de curto prazo, principalmente com e-commerce e médio prazo na loja física.
A Casas Bahia enfrentou uma recuperação extrajudicial em 2024, com cerca de R$ 4 bilhões em obrigações.