Caso Mercado Livre-Novo Nordisk no México muda tese para RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3)? JP Morgan responde
O JP Morgan avalia que a parceria entre Mercado Livre e a farmaceutica Novo Nordisk para a venda de medicamentos GLP-1 no México não altera a tese de investimento para RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3). Na visão do banco, o mercado extrapolou o caso mexicano para o Brasil, mas um modelo semelhante enfrentaria barreiras regulatórias relevantes impostas pela Anvisa.
Segundo o JP Morgan, a preocupação ganhou força após uma reportagem da imprensa mexicana informar que a Novo Nordisk abriu uma loja oficial dentro do Mercado Livre México para comercializar medicamentos sujeitos à prescrição, como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Saxenda. Com a iniciativa, a plataforma passa a atuar como canal oficial de distribuição digital da farmacêutica no país.
Na avaliação do banco, investidores passaram a associar esse movimento ao Brasil, principalmente após o Mercado Livre adquirir uma farmácia em São Paulo e lançar a MELI Farma.
O JP Morgan, no entanto, afirma que o ambiente regulatório brasileiro é significativamente mais restritivo. Pelas regras da Anvisa, medicamentos só podem ser vendidos online por farmácias e drogarias licenciadas, abertas ao público, com farmacêutico presente durante todo o horário de funcionamento. Além disso, os estoques devem permanecer em estabelecimentos autorizados, e as entregas precisam cumprir requisitos sanitários específicos.
O banco ressalta que as exigências são ainda maiores para medicamentos da classe GLP-1. Desde junho de 2025, a Anvisa exige retenção da receita médica para produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, além do registro da movimentação dos medicamentos em sistemas nacionais de controle.
Outro ponto destacado pelo JP Morgan é que a Meli Farma, no Brasil, parece concentrar sua atuação em medicamentos isentos de prescrição e produtos de menor complexidade, e não em medicamentos sujeitos à prescrição. O banco também afirma que suas análises de preços indicam que o Mercado Livre não apresenta competitividade relevante fora da categoria de higiene, perfumaria e cosméticos (HPC) de maior valor.
Para o JP Morgan, a aquisição de uma única farmácia pelo Mercado Livre representa apenas uma prova de conceito e uma operação limitada de venda direta (1P). Na avaliação do banco, um marketplace amplo de medicamentos, com participação de terceiros (3P), como o relatado no México, dependeria de mudanças regulatórias relevantes no Brasil.
Diante desse cenário, o JP Morgan considera que a reação do mercado foi excessiva e afirma que aproveitaria o movimento para comprar ações, especialmente as da RD Saúde, que negocia a cerca de 14 vezes o lucro estimado para 2027. A Pague Menos, por sua vez, negocia perto de sete vezes o lucro projetado para o mesmo período.
O banco também pondera que o próprio mercado mexicano de medicamentos GLP-1 ainda possui escala reduzida. Segundo suas estimativas, apenas cerca de 0,1% da população adulta do México utiliza esses tratamentos. Além disso, o custo mensal gira em torno de US$ 300, o equivalente a aproximadamente 25% da renda mensal de uma família mexicana.