Renda Fixa

CDBs: Bancos ainda oferecem até 112% do CDI; é hora de investir?

23 jul 2026, 9:32
(Imagem: Rmcarvalho/ iStock)

Mesmo com o início do ciclo de queda da taxa Selic, os investidores ainda encontram CDBs pagando até 112% do CDI, segundo levantamento do agregador de investimentos Yubb. A remuneração elevada mostra que a disputa dos bancos por recursos continua aquecida, ainda que especialistas avaliem que os prêmios já não sejam tão generosos quanto em anos anteriores.

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No topo do ranking aparecem títulos emitidos pelo BS2, com remuneração de 112% do CDI e vencimento em julho de 2027. Também figuram na lista CDBs do próprio BS2 e do Pine pagando 110% do CDI, além de ofertas do PagBank, Topázio, Realize Financeira, BMG e Original, com retornos entre 107% e 109% do CDI.

Os CDBs com as maiores rentabilidades hoje (Yubb)
Ranking Emissor Distribuidora Rentabilidade Rentabilidade líquida* Aplicação mínima Vencimento
1 BS2 Nu Invest 112% do CDI 13,02% a.a. R$ 100 18/07/2027
2 BS2 Guide Investimentos 110% do CDI 12,79% a.a. R$ 1.000 28/07/2027
3 Pine Pine Online 110% do CDI 12,79% a.a. R$ 500 22/07/2027
4 BS2 Órama 110% do CDI 12,79% a.a. R$ 1.000 22/07/2027
5 PagBank Nu Invest 109% do CDI 12,67% a.a. R$ 100 22/07/2027
6 Topázio Órama 109% do CDI 12,67% a.a. R$ 1.000 22/07/2027
7 Realize Financeira Órama 108% do CDI 12,55% a.a. R$ 1.000 22/07/2027
8 Digimais Nova Futura 107,5% do CDI 12,50% a.a. R$ 5.000 24/07/2027
9 Banco Industrial do Brasil Guide Investimentos 107% do CDI 12,44% a.a. R$ 1.000 28/07/2027
10 PagBank Guide Investimentos 107% do CDI 12,44% a.a. R$ 1.000 28/07/2027
11 BMG Órama 107% do CDI 12,44% a.a. R$ 1.000 22/07/2027
12 Original Nu Invest 107% do CDI 12,43% a.a. R$ 100 18/07/2027

*Rentabilidade líquida informada pelo Yubb, considerando a tributação aplicável.

Fonte: Yubb. Dados coletados em 23 de julho de 2026.

Na avaliação de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o cenário continua bastante favorável para quem busca renda fixa, principalmente investidores de perfil conservador.

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“O investidor ainda encontra um juro real bastante elevado embutido nos pós-fixados, além de boas oportunidades nos CDBs prefixados e indexados à inflação“, afirma.

Além da remuneração, Perri destaca que os CDBs oferecem características que costumam agradar investidores mais conservadores. Segundo ele, as emissões bancárias tendem a apresentar menor risco de crédito do que títulos corporativos, já que o setor financeiro é mais regulado, além de contar com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dentro dos limites estabelecidos.

Outro fator citado pelo economista é que os CDBs normalmente são carregados “na curva”, sem oscilações diárias de preço para quem mantém o título até o vencimento, o que reduz a percepção de volatilidade em comparação com ativos marcados a mercado.

Bancos ainda disputam investidores, mas prêmios diminuíram

Apesar das taxas ainda elevadas, Perri afirma que a competição entre as instituições financeiras perdeu parte da intensidade observada em anos anteriores.

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Segundo ele, ainda existem CDBs oferecendo um prêmio interessante em relação aos títulos públicos, mas a forte demanda dos investidores por renda fixa reduziu esse diferencial.

“Os prêmios já foram maiores no passado, mas ainda existem. Quando você encontra remunerações muito acima da média, normalmente está olhando para bancos de qualidade inferior, e esse risco precisa ser considerado”, afirma.

Na avaliação do economista, o investidor não precisa necessariamente recorrer às instituições menos conhecidas para obter retornos competitivos. Bancos médios mais consolidados continuam oferecendo taxas atrativas sem exigir um aumento expressivo no risco de crédito.

Caso Banco Master mudou percepção sobre os CDBs

O episódio envolvendo o Banco Master também alterou a forma como parte do mercado analisa esse tipo de investimento, segundo Perri.

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Para ele, investidores e assessores passaram a olhar com mais atenção para a saúde financeira das instituições emissoras, em vez de considerar apenas a cobertura do FGC como fator de segurança.

Embora o fundo garanta o ressarcimento do principal e dos juros dentro do limite de cobertura, o economista lembra que o investidor pode enfrentar um período sem remuneração até receber os recursos.

“No caso do Master, foram quase três meses entre a liquidação da instituição e o início dos pagamentos pelo FGC. Durante esse período, o dinheiro ficou parado, sem rentabilidade”, explica.

Por isso, ele recomenda que a análise do emissor inclua fatores como qualidade da carteira de crédito, estrutura do banco, acionistas, ratings e avaliações independentes.

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“Não basta emprestar dinheiro para qualquer instituição apenas porque existe a proteção do FGC”, resume.

Ainda vale aproveitar as taxas?

Mesmo com a expectativa de novos cortes da Selic ao longo dos próximos meses, Perri acredita que o atual momento continua favorável para quem pretende investir em CDBs.

Segundo ele, a recente abertura da curva de juros voltou a tornar mais atrativas as taxas oferecidas por CDBs prefixados e indexados à inflação, enquanto os pós-fixados também passaram a oferecer remunerações um pouco maiores em relação ao CDI.

Na visão do economista, enquanto os juros permanecerem em patamares elevados, os CDBs devem continuar figurando entre as principais alternativas para investidores conservadores. A recomendação, porém, é equilibrar rentabilidade e risco, evitando escolher um investimento apenas pelo percentual do CDI oferecido.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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