CDBs: Bancos ainda oferecem até 112% do CDI; é hora de investir?
Mesmo com o início do ciclo de queda da taxa Selic, os investidores ainda encontram CDBs pagando até 112% do CDI, segundo levantamento do agregador de investimentos Yubb. A remuneração elevada mostra que a disputa dos bancos por recursos continua aquecida, ainda que especialistas avaliem que os prêmios já não sejam tão generosos quanto em anos anteriores.
No topo do ranking aparecem títulos emitidos pelo BS2, com remuneração de 112% do CDI e vencimento em julho de 2027. Também figuram na lista CDBs do próprio BS2 e do Pine pagando 110% do CDI, além de ofertas do PagBank, Topázio, Realize Financeira, BMG e Original, com retornos entre 107% e 109% do CDI.
| Os CDBs com as maiores rentabilidades hoje (Yubb) | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ranking | Emissor | Distribuidora | Rentabilidade | Rentabilidade líquida* | Aplicação mínima | Vencimento |
| 1 | BS2 | Nu Invest | 112% do CDI | 13,02% a.a. | R$ 100 | 18/07/2027 |
| 2 | BS2 | Guide Investimentos | 110% do CDI | 12,79% a.a. | R$ 1.000 | 28/07/2027 |
| 3 | Pine | Pine Online | 110% do CDI | 12,79% a.a. | R$ 500 | 22/07/2027 |
| 4 | BS2 | Órama | 110% do CDI | 12,79% a.a. | R$ 1.000 | 22/07/2027 |
| 5 | PagBank | Nu Invest | 109% do CDI | 12,67% a.a. | R$ 100 | 22/07/2027 |
| 6 | Topázio | Órama | 109% do CDI | 12,67% a.a. | R$ 1.000 | 22/07/2027 |
| 7 | Realize Financeira | Órama | 108% do CDI | 12,55% a.a. | R$ 1.000 | 22/07/2027 |
| 8 | Digimais | Nova Futura | 107,5% do CDI | 12,50% a.a. | R$ 5.000 | 24/07/2027 |
| 9 | Banco Industrial do Brasil | Guide Investimentos | 107% do CDI | 12,44% a.a. | R$ 1.000 | 28/07/2027 |
| 10 | PagBank | Guide Investimentos | 107% do CDI | 12,44% a.a. | R$ 1.000 | 28/07/2027 |
| 11 | BMG | Órama | 107% do CDI | 12,44% a.a. | R$ 1.000 | 22/07/2027 |
| 12 | Original | Nu Invest | 107% do CDI | 12,43% a.a. | R$ 100 | 18/07/2027 |
*Rentabilidade líquida informada pelo Yubb, considerando a tributação aplicável.
Fonte: Yubb. Dados coletados em 23 de julho de 2026.
Na avaliação de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o cenário continua bastante favorável para quem busca renda fixa, principalmente investidores de perfil conservador.
“O investidor ainda encontra um juro real bastante elevado embutido nos pós-fixados, além de boas oportunidades nos CDBs prefixados e indexados à inflação”, afirma.
Segundo ele, além dos juros elevados, os CDBs costumam agradar investidores conservadores por serem carregados “na curva”, sem oscilações diárias de preço para quem mantém o título até o vencimento, reduzindo a percepção de volatilidade.
Para Brenno Domingos, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, os CDBs seguem entre as principais alternativas para investidores conservadores, principalmente pela proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), pela variedade de prazos e indexadores e pela possibilidade de montar uma carteira de renda fixa com diferentes estratégias.
O especialista ressalta, porém, que as LCIs e LCAs também merecem atenção. Como são isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas, esses títulos costumam entregar uma rentabilidade líquida superior à dos CDBs em aplicações de curto prazo, geralmente entre seis meses e um ano e meio.
Bancos ainda disputam investidores, mas prêmios diminuíram
Apesar das taxas ainda elevadas, Perri avalia que os prêmios oferecidos pelos bancos diminuíram em relação aos últimos anos.
Segundo ele, ainda existem CDBs oferecendo um prêmio interessante em relação aos títulos públicos, mas a forte demanda dos investidores por renda fixa reduziu esse diferencial.
“Os prêmios já foram maiores no passado, mas ainda existem. Quando você encontra remunerações muito acima da média, normalmente está olhando para bancos de qualidade inferior, e esse risco precisa ser considerado”, afirma.
A avaliação é semelhante à de Brenno Domingos, que atribui parte desse movimento às mudanças implementadas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após o caso Banco Master.
Segundo ele, o aumento da contribuição exigida de bancos menores elevou o custo de captação dessas instituições, reduzindo a oferta de CDBs com remunerações muito acima do mercado.
“Aquela disputa e ofertas com taxas extremamente atrativas não se veem mais no mercado”.
Caso Banco Master mudou percepção sobre os CDBs
O episódio envolvendo o Banco Master também alterou a forma como parte do mercado analisa esse tipo de investimento, segundo Perri.
Para ele, investidores e assessores passaram a olhar com mais atenção para a saúde financeira das instituições emissoras, em vez de considerar apenas a cobertura do FGC como fator de segurança.
Embora o fundo garanta o ressarcimento do principal e dos juros dentro do limite de cobertura, o economista lembra que o investidor pode enfrentar um período sem remuneração até receber os recursos.
“No caso do Master, foram quase três meses entre a liquidação da instituição e o início dos pagamentos pelo FGC. Durante esse período, o dinheiro ficou parado, sem rentabilidade”, explica.
Domingos afirma que o episódio também mudou o comportamento dos investidores. Segundo ele, antes muitos aplicavam apenas na instituição que oferecia a maior remuneração, confiando que a cobertura do FGC eliminava praticamente todo o risco.
“Agora o investidor passou a olhar não apenas para a taxa, mas também para o emissor e para o risco de crédito”.
Apesar disso, ambos os especialistas reforçam que o FGC continua sendo um importante mecanismo de proteção ao investidor.
Para Domingos, no entanto, o fundo deve ser encarado como um seguro, e não como justificativa para escolher qualquer emissor apenas porque oferece uma remuneração maior.
“O FGC provou sua capacidade de honrar os pagamentos, mas o processo de liquidação pode levar de um a três meses e, nesse período, o dinheiro deixa de render. Por isso, é importante analisar a qualidade do emissor antes de investir”.
Ainda vale aproveitar as taxas?
Mesmo com a expectativa de novos cortes da Selic ao longo dos próximos meses, Perri acredita que o atual momento continua favorável para quem pretende investir em CDBs.
Segundo ele, a recente abertura da curva de juros voltou a tornar mais atrativas as taxas oferecidas por CDBs prefixados e indexados à inflação, enquanto os pós-fixados também passaram a oferecer remunerações um pouco maiores em relação ao CDI.
Na visão do economista, enquanto os juros permanecerem em patamares elevados, os CDBs devem continuar figurando entre as principais alternativas para investidores conservadores. A recomendação, porém, é equilibrar rentabilidade e risco, evitando escolher um investimento apenas pelo percentual do CDI oferecido.