Raimundos voltam aos holofotes após documentário e rumores de reencontro
Quase 25 anos após a saída de Rodolfo Abrantes, os Raimundos voltaram a ocupar espaço no noticiário cultural brasileiro. O lançamento do documentário Andar na Pedra: A História do Raimundos, no Globoplay, trouxe novos detalhes sobre a trajetória do grupo, revisitou momentos decisivos da carreira e reacendeu entre os fãs discussões sobre o legado da banda e uma possível reunião da formação clássica.
Embora o auge comercial tenha ficado nos anos 1990, quando acumulou milhões de discos vendidos e emplacou alguns dos maiores sucessos do rock nacional, a banda segue ativa nos palcos e encontrou novas formas de manter sua relevância em um mercado hoje impulsionado por streaming, festivais e pela valorização de catálogos históricos.
Raimundos: identidade de marca e sucesso nos anos 90
Fundada em 1987 em Brasília sob forte influência dos Ramones, a banda Raimundos se tornou um dos principais fenômenos comerciais do rock brasileiro.
Segundo dados da Pro-Música Brasil (antiga ABPD), o grupo ultrapassou a marca de 3 milhões de cópias vendidas, impulsionado especialmente pelo álbum Só no Forevis (1999), que superou 1,2 milhão de unidades comercializadas.
Com Rodolfo Abrantes e Digão trazendo referências ligadas às raízes nordestinas de suas famílias, a banda desenvolveu uma identidade singular. O nome Raimundos surgiu da combinação entre a influência dos Ramones e elementos da cultura nordestina tão presentes em Brasília.
A mistura de guitarras pesadas com ritmos de forró deu origem ao chamado “forró-core”, marca registrada do grupo. Parte dessa inspiração veio dos discos do cantor Zenilton que circulavam no ambiente familiar de Rodolfo.
O resultado ajudou a transformar os Raimundos em presença constante nas rádios, nos programas musicais e na programação da MTV Brasil durante os anos 1990.
Canções como Mulher de Fases, Eu Quero Ver o Oco e Me Lambe contribuíram para consolidar a popularidade da banda. Décadas depois, parte desse repertório continua despertando debates sobre como determinadas letras são interpretadas à luz das discussões culturais atuais.
Saída de Rodolfo, direitos autorais e reconciliação
Uma das mudanças mais marcantes da história da banda ocorreu em junho de 2001, quando Rodolfo Abrantes decidiu deixar o grupo. Para preservar os compromissos já assumidos, Digão passou a ocupar também a posição de vocalista, iniciando uma nova fase dos Raimundos.
Nos últimos meses, entrevistas ligadas à divulgação do documentário trouxeram novas informações sobre os desdobramentos dessa saída. Rodolfo afirmou que vendeu sua participação nos direitos relacionados ao catálogo produzido durante a fase clássica da banda, decisão que, segundo ele, fez parte da profunda mudança de vida ocorrida após seu afastamento do grupo.
O documentário também voltou a abordar a reaproximação entre Rodolfo e Digão, que passaram quase duas décadas sem contato. O reencontro, iniciado publicamente em 2020, voltou a ganhar repercussão após declarações recentes dos envolvidos e alimentou especulações sobre uma eventual reunião da formação clássica. Até o momento, porém, não há confirmação oficial nesse sentido.
Streaming, legado e o impulso do documentário sobre os Raimundos
A morte do baixista Canisso, em março de 2023, representou um dos capítulos mais delicados da trajetória dos Raimundos. Desde então, o interesse pela história da banda voltou a crescer entre fãs e veículos especializados.
Esse movimento ganhou novo fôlego em março de 2026 com a estreia de Andar na Pedra: A História do Raimundos. Dividida em cinco episódios, a produção reúne depoimentos dos integrantes da formação clássica, imagens de arquivo e relatos sobre os principais momentos da carreira do grupo.
Além de ampliar a exposição da história da banda para novas gerações, o documentário pode contribuir para renovar o interesse do público por seu catálogo musical nas plataformas digitais, onde os sucessos dos anos 1990 seguem entre os mais conhecidos do rock brasileiro.
Novo álbum e o modelo de negócios da Tour Deluxxxe
Paralelamente à exploração de seu acervo histórico, os Raimundos voltaram a investir em material inédito com o lançamento do álbum XXX, em 2025, encerrando um longo período sem discos de estúdio.
A formação atual, composta por Digão, Marquim, Caio Cunha e Jean Moura, mantém uma agenda intensa de apresentações.
A banda abriu os show da última turnê do Guns N’ Roses pelo Brasil, em 2025 e vem participando de grandes festivais.
A estratégia tem privilegiado eventos de grande porte, modelo que tende a oferecer maior exposição para a marca e receitas mais previsíveis quando comparado às turnês independentes tradicionais. Entre os destaques recentes estão participações em festivais como o João Rock e outros eventos de grande público espalhados pelo país.
Uma história que continua despertando interesse
Quase quatro décadas após sua fundação, os Raimundos permanecem entre as bandas mais lembradas do rock brasileiro. Entre a força de seu catálogo, a agenda de shows, o sucesso do documentário lançado em 2026 e os recorrentes comentários sobre uma possível reunião da formação clássica, a trajetória do grupo segue despertando atenção tanto de antigos fãs quanto de uma nova geração de ouvintes.
*Sob orientação de Ricardo Gozzi.