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Cencosud: conheça a chilena que adquiriu a St. Marche e fará frente ao Pão de Açúcar no segmento premium

24 jun 2026, 16:41 - atualizado em 24 jun 2026, 16:41
st marche
(Imagem: Divulgação)

A Cenconsud adicionou mais uma marca em sua operação no Brasil, a St Marche, que colocará o grupo chileno em competição direta com o GPA (PCAR3), dono da bandeira Pão de Açúcar, uma vez que ambos têm o público de alta renda como alvo.

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Com uma atuação geográfica e de segmentos diversa, a Cencosud possui operações na Argentina, Brasil, Chile, Peru, Colômbia e Estados Unidos – além de um escritório comercial na China e um Hub Tecnológico e Digital no Uruguai.

As operações abrangem os segmentos de Supermercados, Melhoramento do Lar, Lojas de Departamento, Shopping Centers e Serviços Financeiros.

No Brasil, a varejista opera desde 2007 por meio da GBarbosa, Mercantil Atacado, Bretas, Perini, Prezunic, Spid, Giga Atacado, além dos negócios de Serviços Financeiros e retail media, a CencoMedia. Com mais de 300 unidades, o grupo está presente nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo.

Em nota, a Cencosud afirma que a aquisição da St. Marche representa um novo avanço da estratégia no Brasil, fortalecendo a presença em formatos de maior valor agregado e diferenciação no principal mercado consumidor da região.

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Analistas do JP Morgan têm uma visão mista sobre a transação. Do ponto de vista estratégico, a leitura é de que faz sentido para a Cencosud priorizar São Paulo para a expansão no Brasil, especialmente por meio do formato premium, segmento no qual o grupo possui maior experiência.

Além disso, o banco gringo destaca positivamente a aquisição de ativo sem que a Cencosud assuma endividamentos financeiros.

"O Brasil é um mercado no qual a Cencosud teve sucesso limitado. Além disso, o estado de São Paulo é altamente competitivo, com forte presença do modelo de atacarejo (cash & carry) e onde o principal player premium, o Pão de Açúcar, vem reformulando suas operações (também reestruturando suas dívidas)", dizem os analistas.

Operação

A Cencosud não divulgou ao mercado o valor da operação, apenas que a negociação será financiada por meio da realocação de capital vinda de desinvestimentos recentes no Brasil, em linha com a disciplinada estratégia de alocação de capital da companhia.

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Diante de poucos detalhes disponíveis, o JP Morgan entende que o valor máximo da transação deve ser equivalente aos recursos obtidos com o Bretas em Minas Gerais, de R$ 716 milhões, o que representa apenas cerca de 2% do valor de mercado da companhia.

Usando os dados financeiros de 2025 do St. Marche e assumindo um pagamento de R$ 716 milhões, os analistas estimam que a Cencosud está pagando no máximo cerca de 1 vez o enterprise value (valor da empresa) sobre as vendas líquidas dos últimos 12 meses, acima dos múltiplos da própria Cencosud (0,8 vez) e do GPA (0,5 vez).

Em termos de enterprise value (EV) sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), o múltiplo implícito fica em aproximadamente 16 vezes o EV/Ebitdade 2025, significativamente acima dos pares. Ainda assim, o JP Morgan vê esse múltiplo com cautela.

"O St. Marche está passando por um processo de recuperação e enfrenta dificuldades financeiras há alguns anos, com Ebitda reportado caindo cerca de 50% na comparação anual em 2025, o que sugere que há espaço para a Cencosud reestruturar e melhorar as operações", dizem os analistas do banco.

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A conclusão da transação está sujeita às condições usuais de fechamento, incluindo a finalização do processo de recuperação judicial em curso por parte do vendedor e a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A St. Marche

A venda da St. Marche ocorre junto com o avanço do processo de recuperação judicial do grupo. A transformação da recuperação judicial em extrajudicial ocorreu na madrugada desta terça-feira, sob pressão dos credores, conforme informações do Valor Econômico.

Em um cenário de taxas de juros elevadas, a rede viu a dívida crescer. Conforme demonstrações financeira, houve prejuízo de R$ 188,4 milhões em 2025 e R$ 61,8 milhões em 2024. A turbulência financeira ocorreu após a companhia acelerar investimentos para crescer rapidamente na pós-pandemia.

A ideia era de financiar essa expansão com a abertura de capital na Bolsa, no entanto, com o a janela de IPOs fechada e um cenário macroeconômico desafiador, isso não ocorreu e, por consequência, o dinheiro não entrou.

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Esse cenário demandou a busca por dívida bancária e emissão de títulos, que pressionou o caixa da empresa em meio aos altos juros.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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