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Chama o Max: De repente 120

16/04/2021 - 15:57
“A Bolsa está nos 120 mil pontos porque o mercado está ignorando os ruídos de Brasília”, diz o colunista

A Bolsa sempre nos reserva surpresas.

Quando todos estavam cabisbaixos, envolvidos com as notícias negativas nos âmbitos pandêmico e político que não param de chegar, vemos o Ibovespa novamente a 120 mil pontos. Impressionante, não é?

Piscamos os olhos e, de repente, 120 outra vez.

Para mim, isso evidencia o quanto o mercado de renda variável possui uma dinâmica totalmente própria, dissociada muitas vezes dos eventos que impactam a economia e a política naquele momento.

Espera-se que a legalização das apostas esportivas seja muito significativa aos impostos

Aqui também é importante ressaltar que o Ibovespa, principal índice acionário da Bolsa, é uma cesta ponderada de ações, cuja performance está intimamente ligada ao peso de cada ação.

Pausa para duas reflexões.

A Bolsa está nos 120 mil pontos porque o mercado está ignorando os ruídos de Brasília e está somente focando a recuperação econômica que pode ser catapultada com uma reabertura mais vigorosa do comércio e serviços nas próximas semanas?

Ou estamos próximos novamente das máximas históricas em função de uma simples composição do índice Ibovespa que evidencia uma grande concentração em ações ligadas às commodities, que estão em plena ascensão?

Pensando bem, acho que pode ser uma mistura das duas razões.

Brasília é uma confusão. Todos sabemos disso. Não me surpreende mais.

E sempre será assim. Flertamos com um abismo fiscal e institucional, mas, repentinamente, surge uma solução reformista e retornamos à nossa mediocridade.

O sentimento que fica é que, se a política não atrapalhar, a Bolsa por si só já ganha fluidez.

Aliado a isso, temos o grande exemplo dos EUA, que está avançando a passos largos para uma recuperação econômica mais rápida do que se imaginava. Há cidades americanas, como Dallas, onde as pessoas não estão nem usando mais máscaras, tamanha a redução de casos de Covid e a sensação de alívio com a volta à normalidade.

Embora muito mais organizados, os EUA se assemelham ao Brasil em alguns aspectos, como grande extensão territorial, número de habitantes e uma economia muito dependente de serviços. Portanto, essa reabertura econômica que já estamos vendo nos EUA, com boa parte da população vacinada, pode ser a realidade do Brasil em breve.

A grande pergunta é quando será esse “breve”, diante de uma vacinação travada pela falta de insumos. Pode ser três meses, seis meses ou um ano. Essa incerteza é que traz ansiedade e mina a confiança do investidor.

No entanto, como sempre, a Bolsa antecipa movimentos, não importando se estes ocorrerão no médio ou no longo prazo. Em alguma medida, essa reabertura futura já está impactando positivamente diversas ações, contribuindo para essa alta no Ibovespa, dos 110 mil para os 120 mil pontos em dois meses.

A outra razão que eu vejo para a Bolsa estar novamente nos 120 mil pontos é a nossa concentração em exportadoras de commodities. Estamos em um momento único, que tem feito os analistas de mercado se questionarem: será que nos deparamos novamente com um superciclo de commodities?

Minério de ferro
A outra razão que Max Bohm vê para a Bolsa estar novamente nos 120 mil pontos é a concentração do mercado brasileiro em exportadoras de commodities (Imagem: Pixabay)

Pense comigo. Hoje temos minério de ferro, petróleo, aço, celulose, ouro, prata, soja, algodão, milho, cobre em patamares elevados ou nas suas máximas históricas. Um cenário único. Há muito tempo não vejo uma conjuntura tão positiva para a ampla maioria das commodities.

Este cenário, somado a um dólar que, na minha opinião, continuará valorizado (ou seja, acima dos R$ 5,00), é um paraíso para as empresas exportadoras, que são bem relevantes na composição do Ibovespa.

Se somarmos hoje os pesos de Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4/GOAU4), Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11), Usiminas (USIM5), CSN (CSNA3), Petrobras (PETR4/PETR3) e PetroRio (PRIO3), que se beneficiam diretamente da alta das commodities supracitadas, temos algo superior a 30% do índice. Ou seja, a valorização das commodities puxam com força a Bolsa brasileira, algo que foi marcante nos últimos meses.

Preço das commodities em alta junto a empresas de varejo, serviços e construção civil que vão colher os frutos da reabertura gradual da economia. Essa combinação pode fazer com que o Ibovespa possa atingir o seu high histórico novamente, movimento que tem sido protagonizado pelos investimentos domésticos.

Uma “forcinha” vinda dos estrangeiros seria super bem-vinda para a Bolsa alçar voos ainda maiores. Quem sabe os 140-150 mil pontos este ano?

Afinal, com as Bolsas norte-americanas e o índice europeu Stoxx em suas máximas, o potencial de valorização está concentrado nos mercados emergentes. Em algum momento, o investidor global vai virar o canhão para onde há valor a ser capturado.

Resultados consistentes das empresas e um ambiente político menos tumultuado (algo que afugentou os gringos nos últimos meses) podem fazer as grandes assets internacionais voltarem a considerar o Brasil como destino do seu capital.

Vale destacar que, em dólares, nossa Bolsa está bem longe do recorde histórico, e esse é o prisma pelo qual o gringo olha o nosso mercado.

Eu acredito em uma Bolsa positiva nos próximos meses. No entanto, mais do que nunca, o stock picking fará a diferença, e as ações que ficaram para trás podem surpreender.

Prepare a sua carteira com commodities e cíclicos domésticos. Acho que será uma equação de sucesso mais adiante.

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Última atualização por Diana Cheng - 16/04/2021 - 15:57

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