Chevrolet Monza volta ao mercado mais tecnológico e econômico, mas ainda longe do Brasil
Os anos 80 foram um período culturalmente marcante. Michael Jackson vivia o auge da carreira, o filme E.T. lotava os cinemas e a estética da época segue gerando debates até hoje. Foi nesse cenário que a General Motors (GM) lançou um carro que ficaria gravado na memória dos brasileiros: o Chevrolet Monza.
O modelo se tornou símbolo dos anos de ouro dos sedãs no país — e agora, décadas depois, o nome está de volta ao mercado global, embora em um formato diferente daquele conhecido pelos motoristas brasileiros.
Após um longo período fora de produção, a GM decidiu repaginar o Monza como parte de sua estratégia internacional, com foco em eficiência energética, tecnologia e novas soluções de mobilidade.
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Uma reintrodução global, com nomes diferentes
O retorno do Monza não significa, necessariamente, a volta do modelo clássico vendido no Brasil nos anos 1980 e 1990. Na estratégia global da GM, o sedã é comercializado com nomes diferentes conforme o mercado:
- China: mantém o nome Monza;
- México: é vendido como Cavalier;
- Oriente Médio: chega às concessionárias como Cruze.
A lógica remete ao Projeto J, adotado pela GM nos anos 1980, que transformou o Monza em um carro global, com múltiplas identidades conforme o país.
Naquele período, o modelo era conhecido como:
- Europa: Opel Ascona C e Vauxhall Cavalier;
- Austrália: Holden Camira;
- Japão: Isuzu Aska;
- Estados Unidos: Chevrolet Cavalier, Pontiac 2000/Sunbird, Cadillac Cimarron, Buick Skyhawk e Oldsmobile Firenza;
- Brasil, a partir de 1982: Chevrolet Monza.
Quando o Monza virou notícia no Jornal Nacional
No início dos anos 1980, o setor automotivo brasileiro ainda era bastante limitado em opções. Nesse contexto, o Monza surgiu como uma alternativa moderna.
O modelo trouxe motor transversal, tração dianteira — algo inédito em carros da GM produzidos no país —, além de painel côncavo voltado à ergonomia, linhas aerodinâmicas mais refinadas e uma carroceria hatch de duas portas, exclusiva do mercado brasileiro.
O impacto foi tão grande que o lançamento do carro virou assunto até no Jornal Nacional, um reflexo da relevância do modelo naquele momento.
Tecnologia e consumo são os pontos fortes da nova geração
Na nova fase, o Monza — especialmente na versão chinesa — chama atenção pelo foco em eficiência energética e pela adoção de tecnologias mais modernas.
Entre os principais destaques estão:
- Motor 1.3 turbo com sistema híbrido leve (MHEV), que combina motor a combustão com um sistema elétrico de 48 V;
- Consumo estimado de até 21 km por litro, um dos números mais atrativos entre os sedãs médios compactos;
- Potência aproximada de 163 cavalos, com desempenho competitivo;
- Design externo atualizado, com foco em aerodinâmica e eficiência;
- Interior modernizado, com painel digital e central multimídia conectada.
Embora existam versões com motorização aspirada em mercados como o Oriente Médio, a principal aposta da GM segue sendo o sistema híbrido leve, que busca equilibrar desempenho e economia de combustível.
Por que o Monza não deve voltar ao Brasil por enquanto
Apesar do apelo nostálgico, a GM deixou claro que não há planos de trazer o novo Monza ao Brasil no curto prazo. Entre os motivos estão:
- A mudança no perfil do consumidor brasileiro, com maior preferência por SUVs e utilitários;
- O enfraquecimento do segmento de sedãs médios no país;
- A estratégia local da montadora, concentrada em modelos como Onix, Tracker e na linha de veículos elétricos e importados.
Hoje, quem busca um sedã eficiente no Brasil encontra opções como o Onix Plus, que já apresenta bons números de consumo mesmo sem eletrificação avançada.

Como o Monza híbrido se posiciona frente aos concorrentes
Quando o tema é sedã ou crossover híbrido com foco em economia, o Monza híbrido costuma ser comparado a modelos como o Toyota Corolla Hybrid e o Kia Niro. A principal diferença está no tipo de eletrificação.
O Monza utiliza um sistema híbrido leve (MHEV), no qual o motor elétrico apenas auxilia o motor a combustão, sem tração totalmente elétrica. Já Corolla e Niro adotam hibridização plena (HEV), que permite rodar apenas com o motor elétrico em algumas situações, sobretudo no trânsito urbano.
Na prática, as propostas podem ser resumidas assim:
- Chevrolet Monza híbrido (MHEV): suporte elétrico para melhorar arrancadas, reduzir consumo e emissões, sem tração 100% elétrica;
- Toyota Corolla Hybrid (HEV): foco em eficiência urbana, com recuperação de energia nas frenagens e condução suave;
- Kia Niro Hybrid (HEV): proposta de crossover eficiente, com consumo urbano que pode superar 27 km/l em testes.
A seguir, você confere um comparativo entre o Chevrolet Monza Hybrid, vendido na China e no México, e os principais híbridos disponíveis no mercado brasileiro: Toyota Corolla Hybrid e Kia Niro Hybrid:
| Característica | Chevrolet Monza Hybrid (China) | Toyota Corolla Hybrid (Brasil) | Kia Niro Hybrid (Brasil) |
| Tipo de sistema | Híbrido leve (MHEV) 48V | Híbrido pleno (HEV) flex | Híbrido pleno (HEV) gasolina |
| Motorização | 1.3 turbo (163 cv) + motor elétrico | 1.8 flex (122 cv combinados) + motor elétrico | 1.6 GDI + elétrico (141 cv combinados no conjunto) |
| Consumo (gasolina) | Até 21,6 km/l (misto) | Até 17,5 km/l (cidade) / 15,2 km/l (estrada) | Até 27,2 km/l (cidade, segundo testes) |
| Desempenho (0–100 km/h) | 9,2 segundos | 12,0 segundos | 10,4 segundos (oficial) |
| Porta-malas | 405 litros | 470 litros | 425 litros |
| Status no Brasil | Não disponível | À venda | À venda |