Citi rebaixa Braskem (BRKM5) para venda de olho nos riscos financeiros e sem injeção de dinheiro da Petrobras (PETR4) no horizonte
O Citi rebaixou a recomendação para a Braskem (BRKM5) de neutra/alto risco para venda/alto risco, mantendo o preço-alvo em R$ 8. Em reação, as ações da petroquímica performam entre os destaques negativos do Ibovespa (IBOV) no pregão desta quarta-feira (18).
A decisão é sustentada pela recente tendência de alta das ações, expectativa de números fracos à frente e incertezas quanto à estrutura de capital (como potencial aumento de capital, possível renegociação da dívida ou pedido de recuperação extrajudicial).
Somado a isso, os analistas do Citi não enxergam melhora nos spreads petroquímicos no curto e médio prazo.
Por volta de 16h10 (horário de Brasília), as ações BRKM5 caíam 2,35%, cotadas a R$ 9,56. Acompanhe o tempo real.
Em janeiro e no início de fevereiro de 2026, os fundamentos globais da indústria petroquímica permaneceram fracos, com ampla oferta nas principais cadeias produtivas, pontua o banco.
“No entanto, ao longo do período, aparentemente os produtores conseguiram elevar seus preços de forma mais gradual, refletindo principalmente preocupações com a oferta nos Estados Unidos relacionadas às tempestades de inverno”, diz o Citi.
O que esperar da Braskem
O Citi atualizou o modelo para a Braskem incorporando as novas estimativas macroeconômicas e dados de spreads petroquímicos.
Dessa maneira, a expectativa é que a Braskem reporte um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, uma métrica do mercado para avaliar a geração de caixa de uma companhia) fraco no quarto trimestre de 2025 e em 2026, principalmente devido a spreads mais baixos e às incertezas quanto ao cenário econômico global e ao ambiente de alta competitividade no setor petroquímico.
A petroquímica irá divulgar o balanço referente ao último trimestre de 2025 no dia 26 de março, conforme o calendário.
Enquanto isso, a companhia pode continuar em trajetória de queima de caixa, elevando os riscos para sua estrutura de capital nos próximos períodos, vê o Citi.
“Pelo lado positivo, destacamos que o potencial aumento dos benefícios do REIQ [Regime Especial da Indústria Química, que garante alguns benefícios fiscais] deve ajudar a empresa, embora possa não alterar o cenário de queima de caixa. Esperamos um efeito positivo de US$ 0,2 bilhão no Ebitda estimado para 2026 relacionado ao possível aumento do benefício do REIQ, já incorporado às nossas projeções”, dizem os analistas.
Na visão do banco, a Braskem ainda possui posição de caixa robusta, mas há uma aceleração na queima de caixa das operações recorrentes, indicando que a preocupação dos investidores com uma possível injeção de capital ou desconto na dívida deve aumentar no curto prazo.
Reestruturação
Em relação a uma possível solução para a estrutura de capital da Braskem, o Citi não vê grande probabilidade de a Petrobras (PETR4) injetar capital na companhia, dado que, se aumentar sua participação, precisaria consolidar os números da Braskem em seu balanço, elevando sua dívida bruta para acima de US$ 75 bilhões — limite para a manutenção da fórmula de dividendos de 45% do fluxo de caixa livre (FCF).
“Enquanto isso, acreditamos que a empresa e seus acionistas estão avançando nas avaliações para apresentar um plano de reestruturação de capital nos próximos períodos”, dizem os analistas.