Coldcard: Entenda por que carteira de bitcoin (BTC) é insegura e por que isso afeta os brasileiros
A descoberta de uma falha que permaneceu oculta por mais de cinco anos colocou em xeque a reputação da Coldcard, uma das carteiras digitais (wallets) de hardware mais populares entre entusiastas de autocustódia de bitcoin (BTC).
A vulnerabilidade afetou justamente o mecanismo responsável por gerar as chaves privadas dos usuários (seed phrases ou “frases-semente”), o equivalente às senhas pessoais nos bancos, considerado o elemento mais importante para a segurança de qualquer carteira de criptomoedas.
Voltando alguns passos, segundo investigações conduzidas por pesquisadores da Block e divulgadas pela própria fabricante Coinkite, uma alteração implementada em março de 2021 fez com que determinados modelos da Coldcard utilizassem um gerador pseudoaleatório (PRNG, na sigla em inglês) previsível em vez do gerador de números verdadeiramente aleatórios (TRNG) presente no hardware.
Essa mudança reduziu significativamente o chamado nível de entropia usado na criação das frases-semente, permitindo que criminosos reproduzissem combinações de chaves privadas e identificassem carteiras vulneráveis diretamente na blockchain.
Carteiras fragilizadas e o Brasil
Em nota publicada recentemente, a Coinkite alertou os usuários a transferirem seus recursos para endereços mais seguros.
No entanto, algum estrago já parece ter sido feito. De acordo com a Galaxy Research, a vulnerabilidade já teria sido explorada em múltiplas ondas coordenadas de ataques. As estimativas apontam para o roubo de aproximadamente 1.367 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 88 milhões, distribuídos entre mais de 4.500 endereços.
Pesquisadores identificaram padrões automatizados nas transações, sugerindo que os criminosos já possuíam as chaves necessárias para movimentar os recursos no momento dos ataques.
Um levantamento realizado pela Chainalysis apontou que investidores do Canadá e Brasil são os mais vulneráveis a essa fragilidade da carteira.
“O hack do Coldcard é especialmente danoso para os bitcoiners canadenses. Nossa análise de atacantes e vítimas revela que detentores de BTC no Canadá estão arcando com 25% das perdas atribuíveis. A Austrália, os Estados Unidos e a Tailândia também estão sofrendo perdas significativas”, escrevem.
Coldcard: Carteiras offline são mais seguras?
O problema é considerado especialmente grave porque atinge a base da promessa de segurança das hardware wallets.
Diferentemente de golpes de phishing, invasões de exchanges (plataformas de negociação de criptomoedas) ou malware instalado no computador da vítima, o ataque não exigia contato direto com o usuário nem acesso físico ao dispositivo.
Em vez disso, os invasores exploravam uma fraqueza estrutural no processo de geração das chaves, tornando possível reconstruir seeds potencialmente comprometidas e assumir o controle dos bitcoins armazenados nelas.