Com o avanço da covid em frigoríficos, não é demais lembrar que a China já ‘descobriu’ o vírus em carnes em 2020

Giovanni Lorenzon
20/01/2022 - 8:43
Exportações
China aperta controle sanitário no país e na entrada de produtos importados em seus portos (Imagem: Pixabay/Elchinator)

Em 2020, a China suspendeu temporariamente importações de vários frigoríficos brasileiros e de outros fornecedores mundiais por suspeitas de contaminação pelo vírus da covid em lotes de carnes.

Nunca provadas, aos olhos dos exportadores e de seus órgãos sanitários, e contra a afirmação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que era impossível tal ocorrência.

Na fase atual da variante ômicron, de rápida propagação, embora de baixa letalidade, e com a China impondo restrições severas em cidades e regiões – como fizeram desde sempre na história do novo coronavírus -, fazendo testagens em massa e escrutinando as importações nos seus portos, o estado de atenção certamente está na mesa das indústrias.

Ao estilo chinês de adotar medidas de cunho comercial à revelia de disposições técnicas contrárias, nunca se sabe se o país poderá repetir os embargos em algum momento, por ‘descobrimento’ de algum vírus da covid. Além dos casos relacionados diretamente, mais recentemente tivemos o exemplo de paralisação das importações de carne bovina brasileira, por 3,5 meses, mesmo sendo incontestável o laudo de a doença da vaca louca em bois ser do tipo não transmissível em humanos.

O avanço dos contágios nos frigoríficos, como antecipou Money Times, já se faz sentir no tempo das operações, dando, inclusive, suporte aos preços do boi, como destaca a consultoria Agrifatto. A Marfrig (MRFG3), por sua vez, em nota nesta quarta, afirmou não estar havendo problemas em suas linhas.

E neste cenário do Brasil e mundial, não há dúvida que os agentes sanitários nas alfandegas da China estão sendo exigidos a redobrarem as atenções.

“Certamente os frigoríficos estão redobrando cuidados e estão atentos a isso também, mas eles devem manter contatos incansavelmente com os chineses para mostrarem o que está sendo feito em relação aos controles”, alerta Sérgio Ferreira, diretor e ex-presidente da Associação Rural de Rondônia, ex-funcionário da Marfrig de Ji-Paraná até o fechamento da unidade, em setembro de 2021.

 

Última atualização por Giovanni Lorenzon - 20/01/2022 - 10:45

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