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Como a tecnologia de bitcoin e criptoativos vai pavimentar o nosso futuro?

29/12/2019 - 19:00
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
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Como a tecnologia de criptoativos e de blockchain podem ajudar no desenvolvimento econômico mundial? (Imagem: Pixabay/TheAndrasBarta)

Este é o quinto de seis textos, pois faz parte de uma série de três artigos, em que Andrew Gillick, da Brave New Coin, fala sobre “como o blockchain está remodelando nossas ordens econômicas, ambientais e sociais”.

Essa divisão foi feita para que você compreenda, pouco a pouco, a visão do autor em relação à revolução da tecnologia de blockchain no mercado financeiro internacional e, consequentemente, nas nossas vidas.

Parte 1 / Parte 2 / Parte 3 / Parte 4 / Parte 5 / Parte 6

Agora exploramos qual o papel dos criptoativos complementares em liquidar a “dívida climática” que os governos estão muito endividados para pagar com suas próprias moedas, sem desacelerar o crescimento econômico por conta do risco de perder poder político.

Há mais de um século, esperava-se que os ganhos de eficiência trazidos por uma nova tecnologia nos levaria a uma “era de lazer”, em que trabalharíamos menos porque máquinas fariam nosso trabalho em muito menos tempo.

Na verdade, aconteceu exatamente o oposto.

Em vez de aproveitar o tempo livre extra, as pessoas duplicaram o consumo de bens baratos e aumentaram tanto a demanda que estamos produzindo mais rápido do que antes, o que levou a um estado de sobrecapacidade em produção e a um mundo que opera abaixo de sua capacidade de absorção de carbono, representando um grande desafio para o crescimento futuro.

De acordo com a 5ª Avaliação Nacional sobre o Clima norte-americana, pesquisadores deram seu aviso econômico e climático mais urgente até hoje, discordando do ponto de vista do presidente Trump:

“Sem migitação global sustentável e significativa e interesses de adaptação, espera-se que a mudança climática gere perdas crescentes à infraestrutura e propriedade americana e impeça a taxa de crescimento econômico neste século.”

Economia de token (“token economy”) é um sistema de condições operantes usadas para terapia de comportamento que envolve recompensas de comportamentos desejáveis com tokens que podem ser trocados por itens ou privilégios (como comida ou tempo livre) e punir comportamentos indesejáveis (como destruição ou violência) ao retirar tokens (Imagem: Pixabay/cryptostock)

Mudando o comportamento humano com a tokeconomia

Em Limites para o Crescimento, de 1970, pesquisadores do MIT projetaram a trajetória de crescimento mundial no século XVI usando modelos de sistema dinâmicos.

Os autores concluíram que se o comportamento histórico do homem econômico continuasse da mesma forma, levaria o mundo a um “limite natural”: “O modo de comportamento básico do sistema mundial é o crescimento descomunal da população e do capital, seguido de um colapso”.

Isso condiz com a propensão limitada dos humanos, principalmente dos políticos e executivos comprometidos com o eleitorado e os acionistas. Seu foco nas consequências a curto prazo se opõe ao panorama geral.

Nos próximos anos, serão as pessoas — por meio de novas moedas e tecnologias — que irão tomar o controle da questão climática dos políticos e das empresas.

Esse campo emergente da tokeconomia é nossa primeira tentativa de organizar e incentivar o comportamento ambiental de bilhões de pessoas em um planeta superpopuloso, que já produz além do necessário para sua população.

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Economia linear faz uso de recursos naturais técnicos e biológicos misturados e gera energia de fontes finitas enquanto a economia circular separa os dois tipos de recursos e foca na energia de fontes renováveis (Imagem: Brave New Coin)

Migrando de uma economia linear para uma economia circular

Criptoativos vão ter um papel central ao substituir o modelo de crescimento exponencial com uma economia de compartilhamento estável, que incentiva as pessoas a não extraírem valor, mas acrescentá-lo e circular o que já foi produzido.

Chamado de “estacionária” na área da Economia, proposta primeiro por Adam Smith, a economia estável (ou circular) não cresce sozinha, mas um fornecimento constante de ações/capitais já existentes no sistema encontra uma demanda constante das ações da população, ambas as ações são reguladas pelo fluxo dos recursos naturais.

Híbridos de blockchain que focam nas microtransações de IoT (Internet das Coisas), como o Hashgraph e IOTA, facilitam o câmbio de valor para dados e elétrons entre máquinas.

Projetos como Power Ledger, WePower e LO3 Energy já estão usando blockchain para desestabilizar o setor de energia, desenvolvendo aplicações para microgrids (redes menores para geração e compartilhamento de energia), carregamento de veículos elétricos e transações interpessoais.

Há décadas, o crescimento da população no Ocidente desacelerou, o crescimento do PIB foi importado de países desenvolvidos (com as populações de rápido crescimento) na forma de bens de consumo ainda mais baratos que conduziam de consumo doméstico.

No entanto, é provável que esses “países emergentes” percam a era de crescimento voraz direcionado ao consumidor que o Ocidente aproveitou ao atingirmos os limites físicos de crescimento.

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De acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, estima-se que US$ 2,4 trilhões anuais são necessários para mitigar os danos da mudança climática (Imagem: Pixabay/kalhh)

Em direção a um mundo de mais moedas e menos crescimento

Existem 180 moedas oficiais no mundo (todas criadas por dívida bancária), que é uma alta concentração para oito milhões de pessoas, e a proliferação de milhares de outras nos próximos anos vai mudar a trajetória de crescimento por conta da dependência do crescimento anual do PIB na suposição da demanda elástica infinita em um mundo de recursos finitos.

Modelos macroeconômicos que extrapolam o crescimento exponencial são baseados na premissa de a demanda estar em equilíbrio sem fatoração das mudanças dinâmicas como crédito ou mudanças de gosto/preferência de uma população diversificada, mas são remodelados em um único agente, “o capitalista perfeito”, que deveria representar uma classe social inteira.

A demanda é mantida em equilíbrio entre quantidade e preço e se manifesta após quaisquer choques exógenos no preço ou na quantidade que eles vão retornar para o equilíbrio. Essa hipótese da demanda elástica infinita é a premissa para buscar o crescimento do PIB nos limites da Terra.

No entanto, a maioria dos modelos econômicos só presume que existe uma moeda disponível para o cidadão modelo.

O que vai acontecer com a demanda e o PIB quando existirem milhares de moedas complementares para fazer o câmbio dos mesmos bens? Esses modelos convencionais vão ter que ser abandonados ou a taxa “oficial” de crescimento do PIB vai cair.

Como mostra a falência de muitos, se não de todos os acordos climáticos recentes entre os países, políticos não estão dispostos a sacrificar o crescimento do PIB em suas economias e sua estabilidade no cargo pelo bem da redução do carbono.

Na verdade, os governos subsidiam a poluição de multinacionais por meio de acordos de livre comércio para que as próprias empresas tenham um incentivo mínimo para compensar seus danos.

De acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, estima-se que US$ 2,4 trilhões anuais são necessários para mitigar os danos da mudança climática.

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Com a emissão de criptoativos locais apoiados por recursos naturais, as pessoas vão ter a chance e até serem incentivadas a compensar suas próprias emissões e as das empresas (Imagem: Pixabay/mohamed_hassan)

Moedas emitidas individualmente pela primeira vez na História

Já que os governos não estão dispostos a abordar o problema ambiental porque suas moedas nacionais estão muito presas nas dívidas corporativas, pessoais e nacionais para reduzir o crescimento econômico, o que veremos são regiões e cidadãos usando certos protocolos de governança de blockchain para emitir suas próprias moedas para abordar a questão.

Com a emissão de criptoativos locais apoiados por recursos naturais (terra, ar, água, minerais, etc.), as pessoas vão ter a chance e até serem incentivadas a compensar suas próprias emissões e as das empresas.

Essas moedas vão permanecer na economia local, circulando e beneficiando empresas de pequeno e médio porte, a sociedade e as condições da moeda poderão ser melhoradas pelas pessoas.

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Critérios podem ser realizados em uma moeda por protocolos de votação de blockchain on-chain — um dos passos de maior evolução para os criptoativos (Imagem: Pixabay/Kaufdex)

Princípios de uma moeda apoiada em recursos

De acordo com a economista Elinor Ostrom, a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel por sua pesquisa sobre economia e governança de recursos, os oito princípios para governar uma moeda apoiada em recursos são:

definir nítidas fronteiras partidárias;

combinar as regras sobre o uso de bens com as necessidades e condições locais;

certificar que aqueles afetados pelas regras possam modificá-las;

desenvolver um sistema de monitoramento;

usar sanções graduadas para quem violar as regras;

fornecer resolução de disputa acessível e de baixo custo;

certificar que a formulação de regras seja aceita pelas autoridades;

responsabilidade ascendente para governança de recursos naturais.

Pela primeira vez na história, todos esses critérios podem ser realizados em uma moeda por protocolos de votação de blockchain on-chain — um dos passos de maior evolução para os criptoativos.

Protocolos de blockchain híbridos, como Lisk, o “delegated proof-of-stake” (prova de saldo delegada) da EOS ou a “proof-of-stake” líquida da Tezos, estão tentando criar processos de voto mais democráticos e participação entre as comunidades.

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Nos anos 1940, Keynes propôs uma unidade de reserva global supranacional de prestação de contas chamada “Bancor” como precursor dos direitos especiais de saque do FMI (Imagem: Facebook/Bancor)

Bancor Protocol

Bancor é um protocolo de contratos inteligentes que permite que as pessoas criem suas próprias moedas na Ethereum.

“Bancor” foi descrito por Bernard Lietaer para facilitar uma “transição pacífica das redes monetárias nacionais para um espaço de blockchain pós-industrial”.

Bancor vai se unir à Aragon, que atua como uma associação de negociações tradicional entre DAOs (empresas autônomas descentralizadas) existentes puramente em sua jurisdição digital.

Ao longo da era industrial, o comércio era organizado nacionalmente de forma comunista ou capitalista. Na era da internet/informação, veremos as primeiras jurisdições supranacionais e formas organizacionais.

Uma jurisdição supranacional não é novidade, pois a primeira foi implementada na Liga Hanseática da Idade Média.

O processo de emitir uma moeda comunitária no Bancor é o seguinte:

– plataforma integrada fornece a plataforma para emitir moedas básicas/de renda ou apoiadas em recursos naturais;

– plataforma de governança como Aragon funciona como o sistema de justiça;

– reserva do Bancor é a fundação;

– comunidade cria os tokens na plataforma Bancor;

– comunidade emite x quantidade de moedas toda semana;

– residentes negociam as moedas, criando valor que permanece na comunidade;

– valor econômico é retido e gasto na comunidade.

A vantagem principal de emitir tokens inteligentes no Bancor, por uso de um ERC-20 ou outro blockchain, é que a corretora Bancor fornece “liquidez constante” para moedas emitidas em sua plataforma ao intermediar como contraparte em cada negociação, certificando que sempre exista uma quantidade exata de compradores e vendedores.

Até para tokens com baixa liquidez não existe diferenciação entre o preço de compra ou de venda.

Isso permite que as moedas comunitárias com baixa liquidez que, por outro lado, seriam restringidas em funcionalidade para serem convertidas para outra comunidade ou criptoativo.

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Novos protocolos de energia estão focando no desenvolvimento e adesão de energia renovável a fim de mitigar os danos ao meio ambiente (Imagem: Pixabay/Free-Photos)

O papel do cripto na descarbonização e agricultura regenerativa

Já que passamos do ponto principal de impedir que a temperatura climática cresça 1,5° nos próximos 20 anos, novas tecnologias estão surgindo para de fato remover o carbono da atmosfera.

IKEA, a gigante de móveis suíça, está transformando o CO2 retirado da atmosfera em plástico e a captura de carvão industrial agora é uma opção para a maioria das grandes empresas. No entanto, ainda precisam de um incentivo.

Nori é um mercado de carbono em blockchain lutando para criar o primeiro preço universal de remoção de carbono, em que um token NORI representa o equivalente a uma tonelada de CO2 retirado.

Diferente de outros créditos de carbono existentes, que negociam o direito de emitir carbono, essa é uma certificação digital de remoção de carbono, que seria atrativa a corporações que tentam melhorar sua imagem sustentável, assim como a certificação de comércio justo ou orgânico ou de cadeia de fornecimento de alimentos que querem evitar a erosão do solo.

O mercado para créditos de remoção de carbono reúne fornecedores de remoção de carbono, verificadores do processo de remoção e compradores de tokens NORI. Paul Gambill, fundador da Nori, descreve o mercado como “a Stripe de remoção de carbono”.

Sabe-se que a criação do solo também sequestra carbono e é o objetivo da prática da agricultura regenerativa.

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Regen Network é uma plataforma descentralizada para um planeta saudável e está “reinventando a economia da agricultura” (Imagem: Facebook/Regen Network)

Regen Network é outro projeto que usa o blockchain para gerar e incentivar declarações sobre a saúde de ecossistemas para o Regen Ledger. Usando seus próprios “protocolos ecológicos” de código aberto, Regen vai permitir que outros emitam seus tokens ecológicos.

Usuários ganham o token Saronite (XRN) no Regen por seu fornecimento de dados, o que permite que as empresas aloquem e distribuam fundos para projetos específicos que precisem de financiamento de acordo com os dados fornecidos.

Blockchain permite uma nova forma descentralizada de organizar a sociedade de maneiras interessantes desde o início em vez dos modelos capitalistas e socialistas hierárquicos e centralizados que tivemos, em que o modelo socialista entrou em colapso várias vezes e o capitalista está à beira do colapso.

Protocolos de governança on-chain permite que as pessoas, pela primeira vez na História, emitam e organizem uma moeda de acordo com as necessidades da sociedade em vez de forçar essas pessoas a aceitar uma unidade que não está mais a seu favor.

Isso possibilita que as pessoas tomem ações mais efetivas para negar e reverter o estrago feito ao planeta e acrescentar na pluralidade de moedas “oficiais” do mundo, o que poderia mudar a trajetória de crescimento destrutivo atual.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 19/06/2020 - 18:04