Eleições 2026

Como o avanço das investigações sobre Lulinha respingará na campanha à reeleição de Lula

27 fev 2026, 7:00 - atualizado em 26 fev 2026, 20:22
Lula
(REUTERS/Adriano Machado)

O avanço nas investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é mais um fator negativo a respingar na campanha à reeleição do seu pai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As duas autorizações, nessa quinta-feira, (26) – na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e no Supremo Tribunal Federal (STF) – para quebras de sigilos do empresário reavivam a conexão “Lula-PT-Corrupção”, dão munição extra para a oposição e se juntam às outras notícias negativas para o governo.

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Ricardo Ribeiro, analista político 4Intelligence, avalia que a volta de Lulinha ao noticiário, como já ocorreu no passado em outros mandatos do pai, reforça o impacto negativo de outras notícias deste ano na campanha de Lula pelo quarto mandato presidencial. São elas a homenagem prestada pela rebaixada Acadêmicos de Niterói ao presidente, no Carnaval do Rio, e as investigações do Banco Master.

“Não há nada de concreto que o vincule ao escândalo, mas o simples fato da associação do nome do Lulinha com o escândalo já é bastante ruim, porque reaviva a conexão PT-Lula-Corrupção que ainda é forte para o eleitorado e é um dos temas que a campanha de Lula tem menos defesas”, disse Ribeiro, citando outros escândalos como o da Operação Lava Jato e o do Mensalão.

Para o analista político 4Intelligence, a tendência é que o “fator Lulinha” tenha impacto no curto prazo nas pesquisas eleitorais, em um cenário de ascensão do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas como o principal nome da oposição a Lula. “No médio prazo e no momento da eleição ainda não dá para avaliar, porque falta muito tempo”, ponderou.

Alta sensibilidade

Henrique Curi, cientista político e consultor da Metapolítica, avalia que as decisões tomadas pela CPMI e no STF reforçam o envolvimento de Lulinha no “enredo de alta sensibilidade pública” que é fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com a previdência, aposentados, pensionistas. Isso pode ampliar, segundo ele, a reprovação de Lula.

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“Mesmo que se prove inocência, a reprovação já é antiga, com um personagem também antigo, o Lulinha, e agora mexendo com a coisa pública. Conectar a familia do presidente a um tema de alta repulsa como o dos aposentados cria um atalho forte com o eleitor”, afirmou Curi.

Segundo ele, a investigação sobre Lulinha pode influenciar também o eleitor moderado, o que tem pouca informação e o que decide o voto mais perto da eleição. “Isso vai depender de como de fato se dará a cobertura do tema e se a direita conseguirá unificar narrativa, ao contrário do que ocorreu nos últimos anos do governo Lula”, completou.

Já Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria, concorda que o avanço nas investigações sobre o filho de Lula “materializam a agenda negativa para o governo”, que não só geram efeitos diretos e aproximam o quadro de crise do presidente, mas também impedem que os bons números para a economia e outros pontos da agenda ganhem espaço

“Como a avaliação do governo segue muito dividida e o quadro eleitoral muito equilibrado, qualquer movimento marginal pode ser suficiente para definir a cena eleitoral de 2026. O tema da corrupção, enfim, é sempre desafiador para o incumbente em ano eleitoral”, afirmou.

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A questão com o filho, segundo Cortez, afeta o cenário preferido por Lula: de maior estabilidade política possível, o que levaria a campanha à reeleição a focar na desconstrução da candidatura Flávio Bolsonaro, no sentido de associá-lo ao mandato anterior do seu pai, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso.

“Me parece que o ligeiro favoritismo do Lula está em risco e ele tem bases frágeis”, disse. “O favoritismo vem dos problemas da oposição e quando vem uma agenda negativa para o governo, há uma possibilidade de esse descontentamento com o desempenho do Lula 3 se manifestar em votos para contrário”, concluiu.

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Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.

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