Comprar na Shein é mais barato? Vantagem de preço diminui ante Lojas Renner, Riachuelo e C&A, aponta BTG
O BTG Pactual mapeou que a vantagem de preços da Shein ante varejistas brasileiras está diminuindo, tendo em vista que a introdução de impostos sobre importações abaixo de US$ 50 em 2024 reduziu a atividade de plataformas internacionais no Brasil.
O banco aponta que a Shein é 7% mais barata no Brasil do que nos Estados Unidos, mas 100% mais cara em paridade de poder de compra. Além disso, ao comparar uma cesta de 8 produtos entre varejistas locais e a Shein, a asiática é 6% mais barata que a Riachuelo (GUAR3), 10% em relação à Lojas Renner (LREN3) e 13% que a C&A (CEAB3).
“A diferença de preços entre Shein e varejistas locais diminuiu em relação a pesquisas anteriores. O setor de moda brasileiro apresenta tendências mais modestas em empresas expostas à baixa e média renda”, dizem os analistas.
As informações estão presentes no “Índice Zara” do banco, publicado desde 2014. Os analistas destacam, inclusive, que de lá para cá reiteram o alerta de que o Brasil é um dos países mais caros para comprar vestuário e um mercado difícil para marcas estrangeiras.
De acordo com o BTG, diversos motivos explicam este movimento, desde a volatilidade cambial, a complexidade logística e o sistema tributário, até a presença de marcas locais já consolidadas.
O Brasil continua sendo um dos mercados mais caros para consumidores da Zara, apesar da valorização do real frente ao dólar em 2025. Uma cesta de 12 produtos em 54 países mostrou que os preços no Brasil estão 3% acima dos EUA e 123% acima em termos de paridade de poder de compra.
Cenário e tendências
O BTG avalia que o segmento de moda foi um dos mais impactados por disrupções nos últimos anos, devido à concorrência de nomes internacionais — como a Shein —, ao crescimento exponencial do e-commerce e, mais recentemente, à migração dos consumidores para produtos mais baratos.
Os analistas apontam que as tendências de curto e longo prazo incluem normalização da demanda em alta renda, pressão competitiva em baixa e média renda e maior fragmentação de pedidos.
Além disso, o BTG chama atenção para o impacto da volatilidade climática nas temporadas de vendas e para o uso de tecnologia e modelos de IA, visto como fator-chave de eficiência operacional.