Oportunidade? Nubank (ROXO34) cai 13% no ano e JPMorgan diz o que fazer com papel
Se 2025 foi o ano que consolidou o Nubank (ROXO34) como uma das principais ações da bolsa brasileira, 2026 não tem sido um bom ano para o roxinho. Aqui no Brasil, papéis de bancos como Bradesco (BBDC4) ou Itaú Unibanco (ITUB4) renovaram máximas históricas. A fintech, por outro lado, sofreu com o temor de que a disrupção da Inteligência Artificial (IA) possa causar.
Mas, para o JPMorgan, a queda parece exagerada. Os analistas atualizaram as projeções e elevaram a estimativa de lucro em 2026 em 6%, para US$ 4 bilhões, ante os US$ 3,8 bilhões anteriores. A questão, segundo os analistas, é que a queda dos impostos vai compensar a alta dos investimentos. Sim, o Nubank já avisou que irá investir mais em 2026 em meio ao avanço da IA. Até questões como a volta do trabalho presencial entrarão nessa equação.
“Os investidores estão ansiosos para saber quanto custarão o retorno ao escritório, a IA e a tecnologia, além dos investimentos nos EUA. A maioria das perguntas se concentra em saber se a estratégia nos EUA será bem-sucedida ou simplesmente resultará em despesas com pouca ou nenhuma visibilidade de retorno”.
Inclusive, na última quarta-feira, o Nubank anunciou o patrocínio ao Inter Miami CF, o time de Lionel Messi. Apesar de não ter revelado valores, segundo o Brazil Journal o contrato terá duração de pelo menos 15 anos e envolve um valor anual de US$ 18 milhões a US$ 20 milhões.
De toda forma, os investidores são mais otimistas: acreditam que a IA e a tecnologia são percebidas como necessárias para sustentar as ambições de crescimento de longo prazo da empresa. Em relação ao retorno ao escritório (RTO, na sigla em inglês para return to office), o JPMorgan diz que ela deve ser diluída ao longo do tempo — ou seja, não é necessário dobrar o número de escritórios todos os anos.
“Estamos reduzindo a alíquota contábil de imposto do Nubank em 6 pontos percentuais, de 28%, conforme nossa projeção anterior, para 22%. Isso, por si só, deve gerar um aumento de lucros de aproximadamente US$ 350 milhões, o que acreditamos que compensará amplamente os maiores investimentos”.
O JPMorgan manteve a recomendação de compra. “Acreditamos que o mercado teve uma visão muito negativa dos resultados do 4º trimestre de 2025”.
“Consideramos este um bom trimestre em termos de receitas e qualidade dos ativos — o cerne da nossa tese — e compraríamos em qualquer momento de queda. Com base nos nossos novos números, vemos o Nubank sendo negociado a cerca de 17,5 vezes o lucro estimado para 2026”.
Os lados bons do Nubank
No relatório, o JPMorgan recorda que o Nubank é a fintech de maior sucesso na América Latina, com aproximadamente 131 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia.
Entre as vantagens está o alto engajamento e o relacionamento próximo com os clientes. Outro ponto positivo é o custo de atendimento em relação aos concorrentes. Ou seja, o roxinho consegue atender seus usuários com menos custos, já que a plataforma digital favorece essa dinâmica.
“A empresa também melhorou significativamente sua rentabilidade em 2023 e 2024, impulsionada por novos produtos, escala e alavancagem operacional. O Nubank apresenta um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de aproximadamente 50% no Brasil, apesar de possuir excesso de capital”.
O Nubank se beneficia de uma das marcas mais valiosas do Brasil, enquanto continua a expandir para outras regiões.
“Embora nos preocupemos com a possibilidade de o crescimento, ainda que esperado acima da média do setor, desacelerar, acreditamos que a avaliação da empresa permanece atrativa, com um CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) de lucro por ação superior a 30% nos próximos três anos e um múltiplo de aproximadamente 20 vezes o lucro projetado para 2026”.