Conclusão de inquérito sobre Banco Master pode ocorrer após eleições, mas delação de Vorcaro abreviaria apuração
O volume de material a ser analisado no inquérito que investiga as fraudes do Banco Master e eventuais novas frentes de investigação podem arrastar a conclusão da apuração para depois das eleições de outubro, informaram fontes da Corte à Reuters.
A apuração, no entanto, poderia ser abreviada se eventualmente ocorresse uma delação premiada de Daniel Vorcaro, o que poderia encurtar o prazo para a finalização das investigações.
Segundo uma fonte da corporação e outra do Supremo, a Polícia Federal (PF) ainda tem muito material para analisar das três fases da operação Compliance Zero, que investiga crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção.
Há perícias e análises em celulares apreendidos a serem feitas, assim como a necessidade de destrinchar milhares de operações bancárias do Master e instituições coligadas, além do próprio Vorcaro e de pessoas e empresas ligadas a ele.
Nesta quarta-feira (18), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou por mais 60 dias o inquérito, em um momento em que a defesa de Vorcaro discute uma eventual delação premiada. Na decisão, Mendonça citou que a PF havia pedido uma nova prorrogação do prazo para a “realização de diligências reputadas imprescindíveis para o esclarecimento dos fatos”.
“Considerando-se as razões apresentadas pela autoridade de polícia judiciária federal…, defiro o pedido, prorrogando o inquérito por mais 60 (sessenta) dias”, decidiu o relator do caso.
A prorrogação das apurações conduzidas pela PF ocorre duas semanas após Vorcaro ter sido preso preventivamente pela segunda vez nas investigações do Master, o que aumentou a pressão por uma eventual colaboração do banqueiro.
Segundo três fontes a par das tratativas, emissários e advogados de Vorcaro já deram sinais nos últimos dias a integrantes do Congresso Nacional e a envolvidos nas investigações que ele estaria, sim, disposto a fazer uma colaboração premiada, revelando nomes e situações que poderiam implicar diversas autoridades.
Na segunda-feira (16), o novo advogado de Vorcaro, José Luiz de Oliveira Lima, teve uma audiência com André Mendonça e, segundo uma fonte com conhecimento das conversas, chegou a falar sobre uma eventual delação.
Procurado, o advogado não respondeu de imediato a pedido de comentário. Em resposta anterior à Reuters, ele disse que não iria comentar. “Como pontuei a vários jornalistas, esse caso é singular, não vou interagir com a imprensa neste momento, só em questões pontuais”, limitou-se a dizer Juca, como é conhecido.