Violação da soberania ou libertação? Confira a reação dos principais países do mundo à intervenção dos EUA na Venezuela
O mundo foi pego de ‘surpresa’ neste sábado (3) com os ataques dos Estados Unidos à Venezuela, que levaram à deposição do presidente Nicolás Maduro.
As principais autoridades do mundo se dividiram entre condenar e apoiar a intervenção norte-americana no país. Confira a seguir as manifestações de alguns países:
Alemanha
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, disse que a avaliação jurídica da operação dos Estados Unidos na Venezuela é complexa e “levará tempo” para avaliá-la, acrescentando que os princípios do direito internacional devem ser aplicados.
Merz pediu que “uma transição para um governo legitimado por eleições deve ser garantida” e advertiu que “a instabilidade política não deve surgir na Venezuela”.
Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, em comunicado oficial, disse celebrar “a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por parte do governo dos Estados Unidos da América”. Ele classificou o papel da Venezuela no continente como “inimigo da liberdade” e fez uma comparação com Cuba dos anos 1960.
“Os EUA impõem, há mais de 60 anos, um duro bloqueio econômico ao governo cubano com o objetivo de mudar o regime político do país, estabelecido após a Revolução de 1959. O embargo a Cuba é condenado pela maioria dos países. Eles consideram uma violação ao direito internacional.”
Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, convocou uma reunião de emergência para tratar sobre o ataque dos EUA à Venezuela. Lula condenou a ação militar dos EUA.
Segundo ele, os “bombardeios em território venezuelano e captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável”. “Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, acrescentou em publicação na rede social X.
Bolívia
A Bolívia divulgou nota, por meio do Ministério de Relações Internacionais, dizendo que apoia de “maneira firme e imediata” o povo venezuelano no que classificou de “recuperação de sua democracia”.
O governo boliviano do presidente Rodrigo Paz diz que “considera inadiável o início de uma transição democrática real que ponha fim ao narcoestado, desmonte os mecanismos de repressão e corrupção e restabeleça a legitimidade institucional conforme a vontade soberana do povo venezuelano”.
Colômbia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse que “observa com profunda preocupação os relatos sobre explosõs e atividades aéreas incomuns registradas nas últimas horas na Venezuela”, mas sem mencionar os EUA. O mandatário também afirmou o compromisso ‘irrestrito’ com os princípios da Carta das Nações Unidas”.
“A República da Colômbia reitera sua convicção de que a paz, o respeito ao direito internacional e a proteção da vida e da dignidade humana devem prevalecer sobre qualquer forma de confronto armado.”
Chile
O presidente do Chile, Gabriel Boric, também condenou os ataques e pediu uma saída pacífica para a crise. Em publicação na rede social X, Boric reafirmou o apoio do seu país aos princípios básicos do Direito Internacional, como a proibição do uso da força, a não intervenção.
“A crise venezuelana deve ser resolvida através do diálogo e do apoio ao multilateralismo, e não através da violência nem da injerência estrangeira”, disse Boric.
China
O Ministério das Relações Exteriores da China disse em um comunicado que condenou a ação dos EUA na Venezuela, que, segundo ele, violou o direito internacional.
“A China está profundamente chocada e condena veementemente o uso da força pelos EUA contra um país soberano e o uso da força contra o presidente de um país”, disse o Ministério das Relações Exteriores.
“A China se opõe firmemente a esse comportamento hegemônico dos EUA, que viola seriamente o direito internacional, viola a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. Pedimos que os EUA respeitem o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta da ONU e parem de violar a soberania e a segurança de outros países.”
Cuba
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, chamou os ataques dos EUA de “criminosos” e afirmou que a “paz da região estão sendo brutalmente assaltada”.
Espanha
A Espanha não reconhecerá uma intervenção dos Estados Unidos na Venezuela que viole o direito internacional, disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, depois que as forças dos EUA capturaram o presidente venezuelano de longa data, Nicolás Maduro, em uma operação noturna.
“A Espanha não reconheceu o regime de Maduro. Mas tampouco reconhecerá uma intervenção que viole o direito internacional e empurre a região para um horizonte de incerteza e beligerância”, escreveu Sánchez no X, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os EUA administrariam o país sul-americano até que uma transição “segura” fosse concluída.
Sánchez também pediu a todas as partes que “pensem na população civil, respeitem a Carta das Nações Unidas e articulem uma transição justa e dialogada”.
França
O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que o líder da oposição venezuelana Edmundo González deve ajudar a supervisionar a mudança de poder na Venezuela, após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.
“A transição que está por vir deve ser pacífica, democrática e respeitar a vontade do povo venezuelano. Esperamos que o presidente Edmundo González Urrutia, eleito em 2024, seja capaz de garantir essa transição o mais rápido possível”, escreveu Macron no X.
México
Claudia Sheinbaum, presidente do México. disse que a operação dos EUA viola a Carta das Nações Unidas.
“O Artigo 2, parágrafo 4 da Carta das Nações Unidas diz textualmente: ‘Os membros da Organização, em suas relações internacionais, se abstêm de recorrer à amenaza ou ao uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou em qualquer outra forma incompatível com os propósitos das Nações Unidas'”, afirmou Sheinbaum em um publicação no X.
Reino Unido
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que está satisfeito com o fim do governo do presidente Nicolás Maduro na Venezuela e que deseja uma transição tranquila para um governo que reflita melhor a vontade dos venezuelanos.
“Consideramos Maduro um presidente ilegítimo e não choramos com o fim de seu regime”, disse Starmer em uma declaração no site do governo britânico.
“O governo do Reino Unido discutirá a evolução da situação com seus homólogos norte-americanos nos próximos dias, enquanto buscamos uma transição segura e pacífica para um governo legítimo que reflita a vontade do povo venezuelano”, acrescentou.
Rússia
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, expressou “firme solidariedade ao povo venezuelano diante da agressão armada” durante uma conversa telefônica com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia neste sábado.
“As partes se manifestaram a favor de evitar uma nova escalada e encontrar uma saída para a situação por meio do diálogo”, disse o ministério.
O ministério disse que uma notícia de que Rodríguez está na Rússia era “falsa”, informou a Tass.
*Com informações de Reuters e Agência Brasil