Guerra

Conflito com o Irã se amplia à medida que Israel ataca o Líbano após ofensiva do Hezbollah

02 mar 2026, 6:46 - atualizado em 02 mar 2026, 6:46
Irã EUA
(REUTERS/Stringer)

Israel lançou novos ataques aéreos contra alvos no Irã e ampliou sua ofensiva para incluir ataques contra militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã no Líbano nesta segunda-feira (2), enquanto Teerã afirmou ter lançado uma nova onda de mísseis que “abriu os grandes portões de fogo” contra Israel.

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Israel disse que estava atacando locais ligados aos militantes xiitas do Hezbollah no Líbano, um dos principais aliados de Teerã no Oriente Médio, após o Hezbollah afirmar ter lançado mísseis e drones em direção a Israel em retaliação à morte do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei.

A agência estatal de notícias do Líbano, NNA, informou que um balanço inicial apontou 31 mortos e 149 feridos nos ataques, que Israel disse ter como alvo subúrbios ao sul de Beirute controlados pelo Hezbollah. Israel afirmou ainda ter atingido militantes de alto escalão do Hezbollah.

Israel também lançou mais ataques contra o Irã. Explosões foram ouvidas em diferentes partes de Teerã, com um ataque à cidade iraniana de Sanandaj, na província ocidental do Curdistão, matando pelo menos três pessoas, segundo a mídia estatal.

Pouco depois das 7h (05h00 GMT), sirenes de alerta aéreo foram acionadas em todo Israel, incluindo em Tel Aviv e Jerusalém, advertindo sobre um novo ataque iraniano.

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Mísseis estavam sendo lançados de regiões centrais do Irã em direção a “locais inimigos”, informou a mídia estatal iraniana.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou, em comunicado, que a onda de mísseis teve como alvo o complexo do governo israelense em Tel Aviv, além de centros militares e de segurança em Haifa e áreas de Jerusalém Oriental, afirmando que os ataques seriam ampliados e que as sirenes em Israel “nunca parariam”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em entrevistas neste domingo (1) a diversos veículos de comunicação que a ofensiva militar conjunta dos EUA e de Israel contra alvos iranianos poderia continuar por pelo menos quatro semanas.

Base britânica no Chipre atingida

O Kuwait informou que suas defesas aéreas interceptaram drones hostis, enquanto a embaixada dos EUA no Estado do Golfo emitiu um alerta para que a população buscasse abrigo devido à ameaça de ataques com mísseis e drones hostis.

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Testemunhas relataram forte presença de segurança, ambulâncias e caminhões de bombeiros perto da embaixada dos EUA, enquanto um vídeo obtido pela Reuters mostrou fumaça preta subindo da área ao redor.

Testemunhas da Reuters também ouviram fortes explosões em Dubai, na capital do Catar, Doha, e em Samha, a cerca de 50 km de Abu Dhabi.

Um ataque com drone atingiu durante a noite a base da Força Aérea Real britânica de Akrotiri, no Chipre, causando danos limitados e nenhuma vítima, informaram na segunda-feira o presidente da ilha e o Ministério da Defesa do Reino Unido — o primeiro ataque à base desde uma ofensiva de militantes líbios em 1986, marcando uma escalada significativa no conflito.

“Dias prolongados de combate pela frente”

Os ataques de retaliação entre Hezbollah e Israel, que seguem um cessar-fogo mediado pelos EUA em 2024, ampliam o conflito que se espalhou pelo Oriente Médio desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no sábado, elevando os preços do petróleo e prejudicando o tráfego aéreo.

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O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, afirmou que as operações de combate contra o Hezbollah podem se prolongar por dias.

“Isso exige forte prontidão defensiva e ofensiva sustentada, operando em ondas contínuas enquanto aproveitamos constantemente as oportunidades”, disse Zamir em comunicado.

As Forças de Defesa de Israel afirmaram neste domingo à noite que sua força aérea estabeleceu superioridade aérea sobre Teerã e que uma onda de ataques pela capital teve como alvo centros de inteligência, segurança e comando militar.

Uma fonte informada sobre a operação israelense contra o Irã disse que os ataques até agora foram significativamente mais intensos e extensos do que a guerra de 12 dias entre os dois países em junho passado.

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Outra leva de reservistas israelenses será convocada nas próximas 48 horas, disse a fonte, acrescentando que Israel conseguiu mobilizar o máximo possível de armamentos nas últimas semanas, o que significa não haver escassez de capacidades defensivas e ofensivas.

Ofensiva continuará sem interrupção, diz Casa Branca

Um alto funcionário da Casa Branca disse à Reuters que, embora Trump em algum momento vá conversar com uma nova possível liderança no Irã, a campanha militar continuará.

“O presidente Trump disse que uma nova liderança potencial no Irã indicou que quer conversar e eventualmente ele conversará. Por enquanto, a Operação Epic Fury continua sem interrupção”, afirmou o funcionário.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse neste domingo que um conselho de liderança composto por ele, pelo chefe do Judiciário e por um membro do poderoso Conselho dos Guardiões assumiu temporariamente as funções de Líder Supremo.

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Em uma publicação na plataforma X nesta segunda-feira, Ali Larijani, que foi assessor de Khamenei, afirmou que seu país não negociará com Trump. Ele disse que o presidente dos EUA tem “ambições delirantes” e agora está preocupado com baixas americanas.

Primeiras baixas dos EUA

As primeiras baixas dos EUA na campanha, incluindo a morte de três militares, foram confirmadas neste domingo. Dois funcionários americanos disseram à Reuters que os militares foram mortos em uma base no Kuwait.

Trump prestou homenagem aos três mortos como “verdadeiros patriotas americanos”, mas advertiu que provavelmente haverá mais baixas.

Uma campanha militar prolongada pode representar um grande risco político para o Partido Republicano de Trump antes das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA. Apenas cerca de um em cada quatro americanos aprova a operação, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada ontem.

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Mas, em um vídeo publicado no domingo, Trump prometeu que os ataques militares contra o Irã continuarão até que “todos os nossos objetivos sejam alcançados”, sem fornecer detalhes. Ele afirmou que a ofensiva já eliminou o comando militar iraniano e destruiu nove navios da Marinha iraniana e uma instalação naval.

Aeronaves e navios de guerra americanos atingiram mais de 1.000 alvos iranianos desde o início das grandes operações de combate no sábado, informou o Exército dos EUA.

Trump pediu que as forças militares e policiais do Irã, incluindo a Guarda Revolucionária Islâmica, parem de lutar, prometendo imunidade para aqueles que se renderem e ameaçando “morte certa” para os que resistirem. Ele reiterou apelos para que o povo iraniano se revolte contra o governo.

Desafio existencial para o Irã

Após a morte de Khamenei, o Irã enfrenta um vácuo de poder que pode mergulhar o país no caos, mas o governo Trump não delineou objetivos de longo prazo para o país.

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A Guarda Revolucionária do Irã afirmou no domingo ter atingido três petroleiros dos EUA e do Reino Unido no Golfo e no Estreito de Ormuz, além de atacar bases militares no Kuwait e no Bahrein com drones e mísseis. Dados de navegação mostraram centenas de embarcações, incluindo petroleiros de petróleo e gás, ancorando em águas próximas, enquanto operadores esperam fortes altas nos preços do petróleo bruto na segunda-feira.

O tráfego aéreo global também foi fortemente afetado, já que os ataques contínuos mantiveram fechados grandes aeroportos do Oriente Médio, incluindo Dubai — o hub internacional mais movimentado do mundo — em uma das maiores interrupções da aviação nos últimos anos. As ações de companhias aéreas asiáticas despencaram na segunda-feira, com algumas grandes empresas registrando quedas superiores a 5%.

Ainda não está claro quais são as perspectivas de longo prazo para que o Irã reconstrua sua liderança e substitua Khamenei, de 86 anos, que estava no poder desde a morte do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini, em 1989.

Especialistas afirmam que, embora sua morte e a de outros líderes iranianos representem um grande golpe para o país, isso não significa necessariamente o fim do regime clerical profundamente enraizado no Irã ou da influência da elite da Guarda Revolucionária sobre a população.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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