Mercados

Conflito no Irã acende ‘alerta vermelho’ e petróleo dispara: Quais os impactos para o Brasil e o mundo?

02 mar 2026, 16:24 - atualizado em 02 mar 2026, 16:31
ações
(Imagem: Bigc Studio/ Canva Pro)

Os mercados iniciaram a sessão desta segunda-feira (2) em forte aversão a risco de olho nos desdobramentos do ataque dos Estados Unidos, coordenado com Israel, contra Irã – que resultou na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei 

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A reação no petróleo foi imediata: os contratos futuros do Brent, referência internacional de preços, começaram as negociações no domingo (1º) com salto de mais de 13%, a US$ 82 o barril, com o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã – sendo uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.

Cerca de um quinto do consumo global da commodity passa pelo “corredor”, que conecta grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.

Além disso, as bolsas do Oriente Médio caíram até 2%, os índices futuros de Wall Street registraram perdas de cerca de 1% e o ouro subiu também cerca de 2%, sendo negociado acima de US$ 5,4 mil por onça-troy.  Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com queda de 1,65%, aos 623,36 pontos.

DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, teve alta de mais 1%, no nível dos 98 pontos. No Brasil, o dólar à vista (USDBRL) também avança mais de 1% e opera acima de R$ 5,20.

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Efeito de ‘curtíssimo’ prazo

Na avaliação da XP, os eventos geopolíticos tendem a derrubar os mercados de ações no curtíssimo prazo, mas os retornos tendem a convergir novamente para a normalidade em poucos meses. 

“Vimos isso nos vários eventos geopolíticos recentes, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, e em outras tensões recentes no Oriente Médio, inclusive nas rodadas anteriores de ataques entre Israel e Irã”, afirmou o estrategista-chefe Fernando Ferreira, em relatório.  

“Se no conflito atual emergir um arranjo que reduza o risco estrutural na região — como uma transição política no Irã, descompressão nuclear e um cessar-fogo amplo — o prêmio de risco geopolítico pode cair rapidamente, favorecendo uma melhora dos ativos de risco globalmente”, acrescentou.

Para os analistas do BTG Pactual, a duração do conflito será o principal determinante da magnitude: quanto mais prolongado, maior a probabilidade de ataques diretos à infraestrutura energética e prejuízos estruturais aos fluxos globais de comércio.

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“Embora não haja perda estrutural confirmada de produção, atrasos no transporte, aumento de custos de seguro e riscos de navegação têm reduzido a disponibilidade efetiva de oferta no curto prazo”, escreveram os analistas Rodrigo Almeida, Gustavo Cunha e Bruno Henriques, em relatório.

“Em nossa visão, o envolvimento de múltiplos países do Conselho de Cooperação do Golfo [Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Omã] — incluindo ataques retaliatórios em direção aos Emirados Árabes Unidos — torna este episódio materialmente diferente de outros conflitos no Oriente Médio e muito mais sistêmico do que as disrupções anteriores da Venezuela neste ano”, acrescentaram.

A equipe do BTG projeta o Brent entre US$ 75 e US$ 80 o barril, mas com a possibilidade de superar o teto da expectativa em caso de nova escalada, beneficiando empresas brasileiras do setor de Óleo e Gás.

No início da tarde, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que os ataques ao país persa deve durar entre quatro a cinco semanas, mas com “capacidade para prolongar por muito mais tempo”, em coletiva de imprensa.

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Impactos para o Brasil 

No Brasil, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa (IBOV), começou a sessão desta segunda-feira em tom negativo, no nível dos 188 mil pontos. Ao longo da sessão, o índice reduziu as perdas na esteira do avanço das companhias do setor de petróleo.  Acompanhe o Tempo Real. 



As ações da Petrobras (PETR3;PETR4), considerados um dos pesos-pesados do Ibovespa, figuram entre as maiores altas do IBOV com avanço de mais de 4% e operam entre os papéis mais negociados na B3.

Segundo os analistas, o principal cenário de risco é o impacto da alta do petróleo na inflação – que está em processo de desaceleração com a Selic no maior nível desde meados de 2006, a 15% ao ano. 

Mais cedo, o secretário do secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse que o conflito no Irã pode eventualmente antecipar a parada do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central caso se intensifique um cenário de incerteza e de repasse para preços, ponderando que o novo cenário geopolítico pode gerar mais efeitos positivos do que negativos para o Brasil.

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Em evento promovido pelo Valor Econômico, Ceron disse ver possíveis ganhos para a arrecadação de tributos e para a balança comercial do Brasil com a venda de petróleo mais valorizado.

Na mesma linha de Ceron, a XP avalia que “caso a alta no petróleo altere o ciclo de desinflação atual, isso poderia mudar a trajetória dos juros no Brasil, e esse é um risco importante a se monitorar adiante”, destacou o estrategista-chefe Fernando Ferreira.

O mercado agora precifica corte de 300 pontos-base, ou três pontos percentuais, na taxa Selic neste ano, com a taxa básica de juros a 12% ao ano no final de 2026.

Por outro lado, alguns analistas veem algum impacto positivo no mercado brasileiro. “O Brasil pode se beneficiar de uma alta do preço do petróleo em várias frentes, como na bolsa e no câmbio”, avalia a XP.

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“O Brasil vem se beneficiando da rotação dos investidores para fora dos Estados Unidos, junto com outros emergentes. Em 2025, a bolsa brasileira teve entradas líquidas de R$ 25 bilhões de estrangeiros. Em 2026, em apenas 2 meses, mais de R$ 41 bilhões já entraram na bolsa. Acreditamos que o cenário de alta no petróleo e conflito no Oriente Médio pode manter ou até acelerar a tendência de fluxos, após o impacto inicial de aversão à risco”, acrescentou Ferreira.

Onde investir agora?

Para a XP, os investidores que estão subalocados no setor de energia pode usar ETFs, ações ou opções como hedges tático, para “navegar” nesse cenário.

Já o Bradesco BBI considera que as companhias mais expostas ao preço à vista e com menorproteção via hedge — como  Petrobras (PETR3;PETR4), Prio (PRIO3) e  PetroReconcavo (RECV3) — tendem a capturar melhor eventuais altas adicionais do petróleo.

Já empresas com maior cobertura de hedge, como  Brava Energia (BRAV3), devem sentir um efeito mais moderado no curto prazo.

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“Em nossa avaliação, ampliar exposição ao setor com base em um evento cuja duração ainda é incerta — e que pode se encerrar rapidamente — representa um movimento taticamente arriscado”, escreveram os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, em relatório.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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