Conflito no Irã faz Fazenda esperar inflação mais alta; expectativa para o PIB é mantida
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda alterou as suas projeções para a economia brasileira para 2026, levando em consideração as tensões no Oriente Médio.
Segundo o documento, publicado nesta sexta-feira (13), as estimativas para o preço do petróleo em 2026 subiu de US$ 65,97 para US$ 73,09 por barril, uma alta de aproximadamente 10,8%.
A secretaria também ajustou a projeção para o câmbio, que passou a ser de R$ 5,32, ante os R$ 5,43 projetados anteriormente, uma apreciação de cerca de 2,1% já considerando o câmbio efetivamente observado em janeiro e fevereiro.
Com esses ajustes, também foram alteradas as estimativas para a inflação no ano, de 3,6% para 3,7%. A SPE estima um impacto de 0,02 ponto percentual para cada alta de 1% no preço do petróleo. No entanto, considerou-se uma redução de 0,06 ponto percentual para cada 1% de apreciação do real frente ao dólar.
A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB), que mede o crescimento econômico do país, não sofreu alterações, mantendo-se no patamar dos 2,3%.
Cenários calculados pela SPE
A SPE simulou diferentes cenários para medir os possíveis impactos de um choque nos preços do petróleo sobre a economia brasileira e a arrecadação do governo.
O primeiro cenário considera um choque temporário, com arrefecimento dos conflitos no Oriente Médio nos próximos dias e rápida recuperação da produção e da logística de petróleo. Nesse caso, o preço médio do barril do Brent crude oil em 2026 subiria cerca de 11%, para US$ 65,9, em comparação à projeção anterior ao conflito.
A SPE destaca que a redução da oferta poderia ser parcialmente compensada pela liberação de estoques estratégicos da Agência Internacional de Energia e pelo aumento da produção em outros países.
No segundo cenário, considerado de choque persistente, o conflito se prolonga ao longo do ano, atrasando a normalização da oferta global de petróleo e derivados. Nesse contexto, o preço médio do barril em 2026 chegaria a US$ 82, uma alta de cerca de 24% em relação à estimativa anterior ao início das tensões.
Já o terceiro cenário simula um choque mais disruptivo, com danos estruturais a instalações de produção e refino e interrupções logísticas em diversos países do Oriente Médio. Entre os países potencialmente afetados estão Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Irã. Nesse caso, a redução significativa da oferta global levaria o preço médio do petróleo a US$ 100 por barril em 2026, alta de cerca de 52% frente ao patamar considerado antes do conflito.
MP que zera o diesel alivia impacto
A nova projeção vem após o governo assinar uma Medida Provisória (MP), nesta quinta-feira (12), que visa zerar as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel para importação e comercialização, além de ter uma subvenção a produtores e importadores, que deverá ser repassada ao consumidor final. No total, o alívio deve ser de R$ 0,64 por litro.
A medida é temporária e visa aliviar o bolso daqueles que mais utilizam o diesel — por exemplo, caminhoneiros, que transportam itens básicos aos consumidores. Desta forma, a alta do petróleo não será repassada e minimiza os efeitos da guerra sobre o bolso do brasileiro.
A validade da MP, segundo o governo, é até 31 de dezembro de 2026, dependendo do prolongamento do conflito e de seus impactos na economia mundial.