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Conflito no Irã pressiona fertilizantes; impacto é maior nos EUA e na Europa do que no Brasil

02 mar 2026, 16:38 - atualizado em 02 mar 2026, 16:38
Trabalhador em terminal de exportação de fertilizantes na China
(Imagem: China Daily via REUTERS/Files)

A ofensiva dos Estados Unidos no Irã já começa a gerar reflexos no mercado de fertilizantes e levanta dúvidas sobre os impactos comerciais do conflito para o agronegócio brasileiro.

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As preocupações surgem especialmente pelo papel estratégico do Irã no mercado de gás natural — principal matéria-prima para fertilizantes nitrogenados.

Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 35% da ureia importada pelo Brasil, enquanto o Irã representou 2,4% desse total. Embora a participação iraniana direta não seja dominante, o país é peça relevante na dinâmica regional de oferta.

A produção iraniana de ureia estava interrompida desde dezembro, mas havia expectativa recente de retomada. Segundo Maísa Romanello, analista de fertilizantes da Safras & Mercado, o mercado já vinha precificando a ausência do Irã. No entanto, com o agravamento do conflito, o cenário de incerteza se intensificou.

“Além disso, há perspectiva de elevação do petróleo e do gás natural, o que encarece tanto os custos de produção quanto os custos logísticos. Eventuais limitações na oferta de gás podem reduzir as taxas de operação das indústrias de nitrogenados na região”, afirma.

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Alguns preços internacionais já reagiram. A ureia subiu até 13%, passando de US$ 485-490 para US$ 550 por tonelada no Egito, refletindo a preocupação com os fluxos que passam pelo Estreito de Ormuz.

Entre os principais fornecedores do Brasil estão Omã, Catar e Arábia Saudita — todos relevantes no comércio global e potencialmente expostos a riscos logísticos e de custos.

Além da oferta, o mercado monitora o dólar, os preços do petróleo e do gás natural, que impactam diretamente fretes, seguros marítimos e a precificação final dos fertilizantes.

Do ponto de vista logístico, o conflito pode elevar prêmios de seguro e dificultar o envio de cargas a partir do Oriente Médio.

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Menor problema imediato para o Brasil

Apesar do cenário altista, o Brasil não está, neste momento, em pico de compras. Sazonalmente, o país reduz as importações de ureia neste período. Além disso, o sulfato de amônio vem sendo utilizado como alternativa desde o ano passado, diante dos preços elevados da ureia.

No mercado interno, há suspensão temporária das listas de preços até que os impactos sejam melhor dimensionados.

A ureia já vinha pressionada por restrições de oferta — especialmente pelas cotas de exportação da China — além das tensões geopolíticas envolvendo Rússia e Venezuela e da forte demanda da Índia.

Atualmente, a Índia realiza grandes licitações, enquanto Europa e Estados Unidos estão em plena temporada de compras para o plantio de primavera. Esses países tendem a sentir primeiro as altas.

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“O Brasil também deve enfrentar reajustes nas próximas semanas, mas tem mais tempo para planejar as aquisições da safra 2026/27. A principal demanda brasileira é para a segunda safra, cujas compras já estão praticamente concluídas”, explica Romanello.

No curto e médio prazo, não, porém, há vetores claros de queda nos preços.

Como referência, após o ataque de Israel ao Irã em junho do ano passado, a ureia subiu 18% entre junho e julho, atingindo a máxima anual. Naquele momento, porém, o Brasil estava em pleno período de compras, o que ampliou o impacto.

Petróleo puxa commodities agrícolas

Entre as commodities, o petróleo é o ativo mais diretamente afetado, dada a relevância do Oriente Médio na oferta global.

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Para Raphael Bulascoschi, analista de mercado da StoneX, algumas commodities agrícolas já estão sendo impactadas na esteira da alta do petróleo.

O óleo de soja, que já acumulava forte valorização em 2026 impulsionado pela nova diretriz dos Estados Unidos para biocombustíveis, ganhou mais um vetor altista com o conflito.

“O ataque ao Irã adiciona suporte ao óleo de soja, o que ajuda a sustentar parcialmente a soja em grão. Por outro lado, o farelo de soja recuou com força. Em momentos de maior aversão ao risco, o farelo tende a ser penalizado, o que limita ganhos mais expressivos do complexo”, explica.

Apesar da volatilidade entre os derivados, a soja em grão segue relativamente estável, operando de lado.

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No milho, o movimento é mais técnico. O contrato recuava 0,72% na CBOT por volta das 15h57 desta segunda-feira (2), após alta de cerca de 2% na semana anterior.

Bulascoschi avalia que o impacto para o cereal tende a ser indireto e até com viés baixista. O Irã é um importante importador de milho — especialmente do Brasil. Em 2024, foi o principal destino do milho brasileiro, com compras superiores a 9 milhões de toneladas.

“Há incerteza quanto ao fluxo de exportações para o Irã. Porém, caso esse volume não seja embarcado, tende a ser redirecionado para outros mercados, elevando a competitividade global da oferta e pressionando os contratos em Chicago”, afirma.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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