Giro do Mercado

Copom deixa ‘jogo em aberto’ para seguir com o ciclo de cortes, diz analista da Empiricus

17 jun 2026, 20:43 - atualizado em 17 jun 2026, 20:45

O comunicado da decisão de corte da Selic nesta quarta-feira (17) foi mais dovish [tom mais brando] e deixou o jogo em aberto para novos cortes na Selic, mesmo sem dar um forward guidance, na avaliação de Matheus Spiess, analista da Empiricus.

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Como o esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros de 14,50% para 14,25% ao ano.

Durante o Giro Especial do Copom, Spiess destacou o trecho do comunicado em que os diretores do Comitê de Política Monetária Monetára (Copom) afirmam que, nas simulações atuais, “a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta”.

Para ele, “isso pode ser visto como um equívoco, tendo em vista boa parte do mercado já considera plasível uma interrupção no ciclo de corte nos juros”. “Isso é um mal sinal para o mercado”, acrescentou.

Spiess também avaliou que o comunicado abriu espaço para difusão de interpretação, o que deve, segundo ele, resultar em uma volatilidade adicional nos mercados nesta quinta-feira (18).

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“Eu compreendo que existe margem interpretativa para o BC continuar cortando juros, o que seria ruim para o real. No cenário atual, outros bancos centrais estão adotando um tom mais contracionista e aqui há uma dificuldade em ser claro”, afirmou.

Credibilidade em jogo?

Na avaliação de Spiess, a falta de clareza no comunicado do Copom pode ser considerada uma “leniência excessiva” com a inflação, em um cenário que ainda caminha para a normalização do conflito no Oriente Médio – “que perverteu as expectativas ao longo dos últimos três meses”.

“O fato de o mercado já acreditar implicitamente que há menos espaço para cortes de juros e, ainda assim, a inflação continuar se deteriorando no horizonte relevante, é sinal de perda de credibilidade“, disse.

“Agora, o BC está data dependent, indicando que, se houver qualquer sinal de moderação na inflação, ele tem justificativa para ter mais um corte marginal de 25 pontos-base”, acrescentou.

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Dia de ‘Super Quarta’

Mais cedo, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quarta vez consecutiva como amplamente esperado pelo mercado. A decisão foi unânime.

Kevin Warsh, em sua primeira decisão sob o comando do Fed, sinalizou algumas mudanças na condução e comunicação da política monetária.

A primeira mudança, porém, foi vista no comunicado da decisão do Fed com a exclusão do forward guidance, com a retirada do trecho em que o Fomc afirmava que avaliaria a “magnitude e o momento de ajustes adicionais” na taxa de juros.

Durante a coletiva de imprensa após a decisão, o Warsh revelou que não enviou uma projeção para o dot plot, por considerar que a ferramenta não é particularmente útil para a condução da política monetária. Segundo ele, as projeções foram feitas “a lápis, com uma grande borracha”, sugerindo que os dirigentes reconhecem a elevada incerteza do cenário.

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Na avaliação de Spiess, a abstenção da projeção do novo presidente do Fed no dot plot sinaliza de que ele quer que o mercado deixe de ser ‘tão reativo’ ao excesso de informações propagada por membros do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

“Ele deixou bem claro que o mercado precisa voltar a entender os indicadores no fundamento e não se preocupar com a opinião de alguém sobre os números [dos principais indíces macroeconômicos] em si”, destacou o analista da Empiricus.

Veja o Giro do Mercado Especial na íntegra:

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