Corte de juros no radar? O que esperar do Copom, Fed e outros bancos centrais em 2026
O ano de 2026 deve ser marcado por uma abordagem cautelosa dos principais bancos centrais, que precisam equilibrar crescimento econômico e inflação.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o Federal Reserve encara pressões para reduzir os juros, mas precisa lidar com a inflação ainda acima da meta. No Brasil, o Banco Central monitora de perto o comportamento dos preços e as expectativas do mercado antes de iniciar o ciclo de corte da Selic. Já na Europa e no Japão, os bancos centrais adotam uma postura mais conservadora, mantendo ou ajustando gradualmente as taxas, em meio a um cenário externo incerto.
Segundo a equipe de economia da Warren — formada por Luis Felipe Vital, Andréa Angelo e Julia Galli —, o cenário global aponta para uma redução do aperto monetário em diversas economias, diante de pressões inflacionárias menores.
“As trajetórias devem variar de forma significativa, com perspectiva mais limitada de cortes nos Estados Unidos e maiores chances de aumento da taxa básica de juros no Japão”, destacam em entrevista ao Money Times. Eles acrescentam que, de forma geral, “a política monetária dos diferentes países pode beneficiar o fluxo internacional de capitais para economias emergentes”.
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, reforça que 2026 será um ano de ajustes finos na política monetária. Segundo ela, os principais bancos centrais, como o Fed e o Banco central Europeu (BCE), estarão em fase avançada de normalização dos juros, com taxas abaixo dos picos recentes, mas ainda acima do período pré-pandemia.
“A política monetária global permanece levemente contracionista, com espaço limitado para cortes adicionais se a inflação mostrar resistências”, afirma.
Veja o que esperar dos bancos centrais para o ano
Federal Reserve
Os dirigentes do Federal Reserve projetam apenas um corte de juros nos Estados Unidos ao longo de 2026. Atualmente, as taxas estão no intervalo de 3,5% a 3,75% e devem permanecer nesse patamar até a reunião de junho, quando é esperado um recuo de 0,25 ponto percentual, segundo apostas medidas pelo CME FedWatch.
Desde o ano passado, o Fed vem sofrendo pressões da Casa Branca para acelerar o afrouxamento monetário. Recentemente, o presidente Jerome Powell recebeu uma notificação do Departamento de Justiça com uma ameaça de denúncia criminal envolvendo um projeto de reforma nos prédios do Fed. Powell acusou Donald Trump de usar a ameaça como forma de pressão para forçar a redução dos juros. Vale lembrar que Powell deixa o banco central em maio, e Trump indicará o novo presidente da instituição.
Apesar das pressões, o Fed enfrenta um dilema. A inflação permanece elevada e acima da meta de 2%, exigindo política monetária restritiva, enquanto sinais de desaceleração no mercado de trabalho pressionam por cortes nos juros.
Banco Central do Brasil
No Brasil, a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Até o final de 2025, parte do mercado esperava que o Banco Central desse início ao ciclo de corte de juros já em janeiro. No entanto, a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) mostrou uma postura mais dura, empurrando as expectativas para março.
O Copom destacou que as expectativas inflacionárias seguem desancoradas em todos os horizontes, mesmo com a inflação de 2025 encerrando dentro do teto da meta, e que o cenário externo continua instável. Segundo o Boletim Focus, o mercado projeta que a Selic deve recuar para 12,25% ao fim deste ano.
Banco Central Europeu (BCE)
Na zona do euro, as expectativas apontam para manutenção das taxas de juros até o final de 2026. Os dirigentes do BCE descartam aumentos ou cortes no curto prazo.
A inflação subiu para 1,9% em dezembro, ainda abaixo da meta de 2%, e o crescimento econômico tem girado em torno de 1,5% nos últimos dois trimestres. No entanto, a disputa comercial com os Estados Unidos, especialmente em torno da Groenlândia, pode gerar aumento de tarifas e pressionar o banco central no futuro.
Banco do Japão (BoJ)
O Banco do Japão (BoJ) elevou a taxa de juros de 0,5% para 0,75% no mês passado, atingindo o maior nível em 30 anos. A autoridade monetária sinalizou disposição para novos aumentos, mas o mercado projeta que o próximo ajuste deve ocorrer apenas no segundo trimestre.
Em seu último comunicado, o BoJ removeu referências à estagnação de crescimento e inflação devido ao aumento das tarifas dos EUA, destacando que o Japão está no caminho para atingir de forma estável a meta de inflação de 2%, apoiada por aumentos salariais, e pronto para a normalização gradual da política monetária. Ao mesmo tempo, o banco acompanha de perto a piora na percepção de risco fiscal no país.